A personificação da culpa.

Lucao170316

O ser humano é a sua necessidade de achar alguém para assumir a culpa.

A questão de as vezes se prender a apenas um personagem está no problema de ficar somente no superficial, não se trata realmente o problema, apenas quer ver aquele personagem longe.

Sim, estamos falando tanto do São Paulo como da crise política que assola o país.

Vejo muitos tricolores querendo a cabeça de Bauza, do Lucão e do Michel, como se isso fosse resolver o problema, enquanto não se olha para o mais profundo, o sistema de funcionamento do São Paulo está falido, precisa ser revisto, diversos técnicos já passaram, outros muitos jogadores já foram queimados e nada mudou realmente.

Qual a real expectativa que algum tricolor tem de que a saída deles mude realmente o São Paulo?

O mesmo vale para a política, nesse Fla x Flu que virou, quem realmente acredita que basta tirar o PT do comando? A coisa é muito mais séria gente, é necessário tratar a reforma política, sem mexer nisso tanto faz que vai comandar. A única mudança é quem será chamado de corrupto daqui cinco anos. Mais isso é assunto quem quiser, converso em outro fórum.

E tanto para São Paulo e Politica não estou dizendo que defendo a manutenção, só acho que do jeito que está isso pouco importa, não gera mudança. É só trocar para gerar uma satisfação imediata.

O São Paulo e os são paulinos precisam cobrar coisas mais sérias da diretoria, credibilidade, transparência, ouvir os jogadores o que eles sentem falta e de preferência, independente se existem outros melhores, é preciso deixar o treinador trabalhar. E não, não é em dois meses que Bauza muda a proposta de jogo. Em termos de futebol, ele é o oposto de Osório, leva-se tempo.

Mas acima de tudo, precisamos na euforia ou na raiva ter a paciência de no dia seguinte entender realmente o que queremos mudar. Só tirar Lucões e Lulas podem não mudar nada.

Acho que agora vai……

sem-rumo

Não achei que escreveria sobre o Rio tão rapidamente, mas a demissão de Cristovão me fez querer teclar mais algumas linhas sobre o futebol carioca que agora convivo tão de perto.

Eu fico tentando entender o que leva um presidente de clube trocar seu treinador no início da pré-temporada. E o chavão mais clássico para a única resposta aplicável nesse caso, “é mais fácil trocar um do que onze”. Ou seja, a prova que o amadorismo ainda ronda os clubes vez ou outra.

Nem digo que Cristovão era bom ou Drubsky é ruim, nem se um é melhor do que outro é apenas uma questão de planejamento.

Você consegue medir o resultado de Cristovão e dizer se é bom ou ruim no Fluminense, a partir daí, basta escolher no início da temporada se dá sequência a esse trabalho ou não. Trocar no final de Março o treinador é condenar o time a reformulação nesse ano.

Repasso cinco perguntas que penso quando acontecem essas trocas de treinadores no meio de um ano.

– Quantos jogadores ali foram contratados pelo novo treinador?
– Quanto tempo o novo treinador terá para conhecer o planejamento da equipe para os próximos anos?
– Quanto tempo ele demorará para conhecer o elenco que possui?
– A partir daí, quanto tempo para ele passar sua filosofia de jogo e o time começar a jogar com a sua cara?
– Pra que a pré-temporada?

Ou seja, Drubsky pode ser um gênio como treinador, ou até mesmo um cara com muitas ideias inovadoras para colocar em prática, porém, diante do momento, é conhecer o time e montar uma proposta simples de jogo, para quem sabe o time estar pronto lá pela décima rodada do Brasileirão.

Por isso digo que o velho chavão é a única resposta, o presidente não quer dor de cabeça, troca o treinador apenas para agradar o pensamento imediatista do torcedor e para ver se alguns jogadores mudam de atitude com a demissão do “ex-professor”.

E você torcedor dirá: “Acho que agora vai!”.

Será que vai? Ou melhor, vai para onde?