Obrigado Osório e volte sempre!!

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Pensei em escrever muita coisa sobre todo o turbilhão passado no São Paulo, mas sinceramente, a decepção por ver que todo esse circo é armação de algum dos lados é muito triste, o cheiro de podre exala no Morumbi.

Portanto, achei mais digno falar de Osório, de sua curta passagem, da relação de amor e ódio que criou tanto dentro do São Paulo como do lado de fora.

Do lado de dentro, inclusive falo de torcedores, como foi difícil para alguns aceitarem suas ideias e filosofias, como o medo e as muletas (no brasil não funciona, e o time só entrosa se sempre jogar junto) do nosso ludopédio foram aparentes.

A passagem de Osório sutilmente mostrou porque o 7×1 não foi um apagão, ele não é um Deus e nem é um técnico genial, é apenas um potencial técnico com boas ideias que podem dar certo ou não, ainda falta provar muito, porém seu jeito expôs feridas no Brasil.

Cada um em sua área mostra que o Brasil continua orgulhoso, que descer do pedestal, que entender que o futebol mudou, ainda é um esporte apaixonante mas mudou é aquilo que Guardiola diz, todo jogador terá que entender que por alguns momentos o jogo não passará por ele e que ele precisará ter paciência e disciplina para esperar a sua hora.

Aqui não, ainda achamos que só craque resolve. Que futebol é simples, é só fazer mais gols que o outro, e de fato é mais a maneira de fazer precisa de entendimento.

A passagem de El Profe foi curta, não deixou nenhum título, para o time, deixou a certeza de que Thiago é o volante que o time precisa, que a recuperação de Breno é daquelas histórias lindas do futebol e que ainda falta muito para nós arrumarmos o 7×1.

Profe, tenho certeza que você fez a decisão errada, escolheu uma seleção com muita gente querendo dar pitaco no seu trabalho, você irá se arrepender, mas tudo bem e como ensino nos treinamentos de atendimento, obrigado e volte sempre.

Os melhores treinadores do mundo!

6-Parreira

E ontem a revista FourFourTwo publicou a sua lista dos 50 melhores técnicos do mundo.

E adivinha quantos brasileiros nela?

Isso mesmo, nenhum. nadinha. Até um congôles entrou na lista e nossos professores nem aparecem nela. O único do Brasileirão que aparece é El Profe Osório do São Paulo, colombiano. Aliás, entre os 50 temos 08 da América do Sul, 5 da Argentina, 1 uruguaio, 1 chileno e o colombiano Osório.

5 países detém 30 desses melhores treinadores, França e Espanha com 6, Argentina, Alemanha e Itália com 5. Nesse grupo de países percebe-se que todos já foram campeões mundiais, restando apenas Uruguai, Inglaterra e Brasil. O Uruguai tem entre os 50, o próprio treinador da Celeste, Oscar Tabarez. Já Brasil e Inglaterra não emplacaram ninguém na lista.

E olha que a revista é inglesa, portanto a ausência deles também é crítica, contudo vamos ficar com o que nos pertence, ou melhor o que nos falta.

Quando vemos franceses, espanhóis, argentinos, alemães e italianos dominando a relação, vemos as escolas desses países sendo disseminadas pelo mundo afora, enquanto nós brincamos de Coréia do Norte do futebol, nos fechamos para o novo e não aceitamos nosso retrocesso.

Para quem acha que é apenas uma lista feita lá na Europa, olhe que tem técnico de time australiano, de time da MLS, de dois times argentinos, de seleção do Congo e até do concorridíssimo campeonato norueguês.

O nosso 7×1 segue, sem nenhuma perspectiva de recuperação.

Veja a lista dos 50 melhores técnicos do mundo:

50º) Florent Ibenge (congolês) – Vita Club-RDC/República Democrática do Congo
49º) Juan Carlos Osorio (colombiano) – São Paulo
48º) Pavel Vrba (tcheco) – República Tcheca
47º) Hein Vanhaezebrouck (belga) – Gent-BEL
46º) Bruce Arena (norte-americano) – Los Angeles Galaxy-EUA
45º) Tony Popovic (australiano) – Western Sydney Wanderers-AUS
44º) Gian Piero Gasperini (italiano) – Genoa-ITA
43º) Slaven Bilic (croata) – West Ham-ING
42º) Herve Renard (francês) – Lille-FRA
41º) Lars Lagerbäck (sueco) – Islândia
40º) Markus Weinzierl (alemão) – Augsburg-ALE
39º) Ange Postecoglou (australiano) – Austrália
38º) Myron Markevych (ucraniano) – Dnipro-UCR
37º) Frank de Boer (holandês) – Ajax-HOL
36º) Rafa Benítez (espanhol) – Real Madrid-ESP
35º) Manuel Pellegrini (chileno) – Manchester City-ING
34º) Antonio Conte (italiano) – Itália
33º) Sergei Rebrov (ucraniano) – Dynamo de Kiev-UCR
32º) Vicente Del Bosque (espanhol) – Espanha
31º) Marcelo Gallardo (argentino) – River Plate-ARG
30º) Jocelyn Gourvennec (francês) – Guingamp-FRA
29º) Giampiero Ventura (italiano) – Torino-ITA
28º) Didier Deschamps (francês) – França
27º) Roger Schmidt (alemão) – Bayer Leverkusen-ALE
26º) Jorge Sampaoli (argentino) – Chile
25º) Dieter Hecking (alemão) – Wolfsburg-ALE
24º) Bob Bradley (norte-americano) – Stabaek-NOR
23º) Mircea Lucescu (romeno) – Shakhtar Donetsk-UCR
22º) Edgardo Bauza (argentino) – San Lorenzo-ARG
21º) José Pekerman (argentino) – Colômbia
20º) Marcelino (espanhol) – Villarreal-ESP
19º) Oscar Tabarez (uruguaio) – Uruguai
18º) Phillip Cocu (holandês) – PSV Eindhoven-HOL
17º) Lucien Favre (suíço) – Borussia Monchengladbach-ALE
16º) Louis van Gaal (holandês) – Manchester United-ING
15º) Jorge Jesus (português) – Sporting-POR
14º) Rudi García (francês) – Roma-ITA
13º) Ronald Koeman (holandês) – Southampton-ING
12º) Leonardo Jardim (português) – Monaco-FRA
11º) Arsene Wenger (francês) – Arsenal-ING
10º) Laurent Blanc (francês) – Paris Saint-Germain-FR
09º) Carlo Ancelotti (italiano) – sem clube
08º) Joachim Löw (alemão) – Alemanha
07º) Unai Emery (espanhol) – Sevilla-ESP
06º) Jurgen Klopp (alemão) – sem clube
05º) Massimiliano Allegri (italiano) – Juventus-ITA
04º) Diego Simeone (argentino) – Atlético de Madri-ESP
03º) Luis Enrique (espanhol) – Barcelona-ESP
02º) Josep Guardiola (espanhol) – Bayern de Munique-ALE
01º) José Mourinho (português) – Chelsea-ING

Complexo de rico decadente…

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Ontem assisti ao programa Bola da Vez na ESPN com Muricy Ramalho.

Entre um comentário e outro, sua admiração por Guardiola, sua necessidade de assistir uma quantidade infinita de jogos, como foi sua recusa a seleção brasileira, Lucas Lima ser o melhor 10 da atualidade e várias outras ótimas histórias fiquei matutando sobre o tal 7×1.

Muricy foi questionado sobre o tal e respondeu de maneira sincera e simples o que me incomodou bastante.

Muricy em linhas gerais disse que reclamamos, acusamos e culpamos. Que nada foi feito, sobrou para imprensa, jogadores, dirigentes, todos que cercam o futebol, até para os próprios treinadores.

Para Muricy a primeira coisa a ser feita era um grande fórum sem hora para acabar com toda essa cadeia de pessoas citada acima afim de determinar quais os próximos passos. O que aprendemos com o 7×1, o que podemos corrigir, o que podemos começar a fazer e o que não serve mais para nós.

A sensação que Muricy passou foi que uma certa prepotência corre em nossas veias quando o assunto é futebol. Nos achamos dono da verdade, só nós temos razão e tudo não passa de um mero apagão.

Consequentemente toda as pessoas envolvidas nas decisões do nosso esporte preferido são acometidas desse mal.

Nosso complexo de vira-lata virou complexo de rico decadente, aquele que come frango para arrotar avestruz ou come patinho para arrotar filé mignon.

Somos a velha aristocracia do futebol almoçando a luz de velas porque já não paga a luz faz tempo.

Papa Pep…

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Não acompanhei o jogo entre Barcelona e Bayern ontem, mas vi o VT e pensei escrever o texto sobre várias óticas, seja Pep, seja Messi e até mesmo Neymar.

Desde que o sorteio foi realizado fiquei pensando na relação criador x criatura existente entre Pep e Messi.

Mas desisti de escrever sobre essa relação e então me lembrei da Igreja Católica e sua eleição sobre o Papa.

O “processo seletivo” ou conclave só é concluído quando o eleito possuir 2/3 mais um dos eleitores (cardeais com menos de 80 anos). Ou seja uma grande maioria.

Isso tudo porque ele não pode simplesmente ter somente a maioria, ele precisa de maioria absoluta, precisa que todos concordem com sua posição.

E aí lembrei de Pep, ele não tem a maioria do lado dele, ele tem maioria absoluta. Mourinho é respeitado por muitos, mas Pep talvez só tenha Ibrahimovic como seu principal crítico.

Pep tem seguidores, fãs incondicionais da sua filosofia, sua ideia é simples, porém rarissíma de ser seguida, jogar futebol de forma a deixar a platéia encantada e ainda assim sempre buscar a vitória.

Pep é descendente da seleção húngara de 54, da brasileira de 70, da holandesa de 74, novamente da brasileira de 82. Pep é da linhagem que entende que futebol não é apenas um esporte fadado a vencer ou perder, tem muito mais. Sua obsessão por jogar bonito vencendo, deveria formar mais treinadores assim, acostumados a querer no curto prazo, ganhar na retranca e no 1×0.

Mas é compreensível, entender essa outra linhagem menos nobre, ser adepto de Pep, não é para qualquer um.

Enquanto isso, fumaça branca no futebol, Pep Pope.

Aguardando as próximas criações…

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Em um fim de semana onde vi, Manchester’s, São Paulo, Barcelona, Flamengo e Vasco, quero destacar o querido Bayern Munchen. Nem tanto pelo jogo em si, pois foi de um único time, mas pelo que eu vi.

Um zagueiro, três laterais, um volante, três meias e dois atacantes. Imagine que o seu treinador indica que o seu time jogaria com esses jogadores espalhados pelo campo, qual seria sua reação?

E já aviso, o elenco não está enxuto, ele possui outros zagueiros no banco e demais peças para compor o time.

Pois bem, foi assim que Guardiola montou o seu Bayern nesse final de semana contra o Eintracht Frankfurt. Uma espécie de 3-4-3, sendo que sua linha de defesa tinha dois laterais e um único zagueiro. E era o Dante, que é para deixar qualquer alemão bávaro com o coração acelerado.

Na linha central, Alonso e Lahm mais centralizados, Weiser aberto na direita e Thiago e Gotze se movimentando muito, com a posse de bola, Gotze abria centro-esquerda e Thiago centraliza, sem a bola eles invertiam a posição.

Na linha de frente, Lewandowski, Muller e normalmente Gotze.

O jogo em si foi fácil para o Bayern, mas é incrível ver como Guardiola gosta de experimentar nesses jogos, já mostrou que se precisar joga feio como o fez na vitória sobre o Dortmund recentemente, mas é inegável sua vocação para recriar o futebol.

Guardiola tem encantamento ao pensar futebol e procura imaginar todas as possibilidade que seu time possa impor de futebol, buscando títulos obviamente, mas principalmente conseguindo isso jogando um futebol genuíno.

Guardiola é um grande alquimista do futebol. Jorge Ben estava certo.

Treino é jogo, e jogo é treino!

Mourinho 11032015

Vire e mexe releio alguns trechos do livro “Mourinho, porquê tantas vitórias?” e sempre me pego nas questões sobre como ele conduz seus treinamentos. Isso porque o livro é de 2006, muito antes dele se tornar o Special One.

Seus métodos quando começou eram bem diferentes dos técnicos da época. Não sei quantos hoje, pensam futebol igual, talvez vários, e também não tenho ideia de quantos copiam seu jeito de trabalho, talvez alguns, principalmente porque não é tão simples.

Apesar de Mourinho, trazer seus treinamentos apenas para aquilo que se refere ao jogo. Sem necessidade de treinos específicos, ou modelos antigos de treinos em campo. Seus treinamentos se referem as questões de jogo, a reproduzir situações de jogo, algo que Tite aqui no Brasil repete muito, mostrando que sua Titebilidade vem da Escola Mourinho.

O que Mourinho faz para mim dentro da literatura que já vi dele, mais alguns depoimentos dos atletas que passaram por ele é derrubar o ditado “treino é treino, jogo é jogo”.

Para Mourinho, Treino é jogo, e jogo é treino.

Aliás, quero só fazer um adendo a partir de agora, estou mencionando Mourinho, pois a maior parte da literatura que vi foi sobre ele. Tenho certeza que propostas de jogo diferente, mas o pensamento sobre esse ditado é igual a todo grande treinador. Guardiola, Klopp, Sampaoli, Bielsa, Simeone que são atualmente os melhores para mim também se baseiam nessa remontagem do ditado.

Digo que a partir de agora, é no treino que todas as situações de jogo possíveis devem ser testadas, não adianta eu apenas montar o esquema e treinar exaustivamente, eu preciso mostrar ao jogador o porque daquele posicionamento, como aquele posicionamento será usado na próxima partida, quem será seu adversário ou suas responsabilidades no próximo jogo.

Eu preciso garantir que no treino ele saia pronto para o jogo, porque fiz do treino uma reprodução do jogo. Logo o treino passa a ser um jogo também. Quem não se lembra da declaração de Thomas Muller, meia do Bayern, quando disse que os treinos dele no Bayern (já na era Guardiola) são por muitas vezes mais difíceis do que os jogos.

E aí, seu treinador, anda fazendo do treino só um treino, ou jogo real?