Silêncio, o espetáculo vai começar…

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Eu juro que o cartão amarelo que o Sidão (goleiro na reserva naquele instante) recebeu no clássico paulista ficou consumindo minha mente até esse momento, o cartão foi dado por ele levantar e ir comemorar com Pratto o primeiro gol no clássico.

Primeiro proibiram as bandeiras, depois as torcidas misturadas ou divididas, depois a explosão da comemoração está totalmente condicionada e agora nem o companheiro reserva pode mais comemorar junto com o atleta que fez seu gol.

Qual a necessidade ou o que motiva uma decisão dessa?

Primeiro que para mim, ninguém que toma essas decisões realmente gosta de futebol, nem digo que precise ter jogado, porque isso já é claro que nunca fez, jamais deve ter cobrado um lateral com a mão, imagina tentar um gol olímpico, no máximo jogaram videogame ou jogam.

Mas realmente o que mais me incomoda, é que eles não possuem nenhuma emoção referente ao esporte, como podem não se encantar com um setor cheio de bandeiras tremulando, como podem não entender que estar no estádio rival como torcedor e vencer é uma sensação única, privar o atacante de explodir na hora do gol, inclusive indo comemorar juntos de todos os demais, para mostrar a união do time? Como?

Para mim, os únicos assuntos polêmicos referem-se a briga de torcida e a comemoração do gol com mensagens de cunho religiosa, política ou comercial. O primeiro, porque acima de tudo, é chover no molhado, mas não custa repetir, falta punir de maneira séria, enquanto isso, tanto faz o veto, a briga ocorrerá dentro, no entorno ou a 50km do estádio.

Sobre o gol, o cara premeditar uma ação de marketing, política e ou religiosa pode ser punida, porque foi premeditado, mas mesmo assim, tenho minhas ressalvas quanto proibir, já que deveria se ter uma liberdade de expressão no âmbito político e ou religioso, talvez as ações de marketing que sejam desnecessárias.

Contudo, a preguiça de se discutir e cuidar do futebol é tamanha, que para que ninguém mostre uma camisa que incomode a alta cúpula do futebol, proibi-se de tirá-la e pronto, mas não trata e condiciona o atacante a uma comemoração menos efusiva quando marcar um gol importante ou depois de um longo jejum.

A sensação de que eles são tão ignorantes sobre o assunto futebol, que quando disseram que queríamos voltar a ver espetáculos dentro de campo, eles acharam que falávamos de teatro e estão pedindo silêncio sempre antes e depois de qualquer ato.

Silêncio, o espetáculo vai começar.

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O soco de Eduardo Baptista

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Em uma semana onde o soco de Felipe Mello ganhou destaque e correu o mundo, o verdadeiro soco foi proferido pelo treinador do Palmeiras.

Eduardo Baptista em um momento exaltado desferiu palavras contra a imprensa e de maneira contundente. Sinceramente, tirando a forma como ele disse, o conteuúdo é ótimo, é perfeito, faz todo sentido.

Eduardo podia escrever toda a raiva que sentiu naquele instante e repetir de maneira ordenada no dia seguinte, seria melhor ainda a resposta dele, mas o calor mostrou o que a maioria dos treinadores passam e por muitas vezes são ignorados, a pressão por resultados existente no Brasil.

Aqui, gostamos do trabalho bonito, mas qualquer derrota serve para acharmos culpado, nunca a derrota é mérito do vencedor ou uma tarde ruim, sempre alguém será culpado, algum motivo nominal será encontrado.

E foi aí que Eduardo bateu, a imprensa alimenta isso, especula-se crise no vestiário, diz que soube por alguém que tal fato aconteceu e assim vai criando uma tensão por muitas vezes desnecessária.

Não vou entrar no mérito de fonte, isso ou aquilo, se é real ou não. Me apego ao fato de ser necessário, realmente precisamos comentar que fulano brigou com ciclano no treino, que beltrano está conversando com o clube tal para sair, que alguém está cogitando sair do clube e etc. Isso não agrega nada, não muda nada no clube e as vezes ganha proporção desnecessária apenas para gerar algum tema naquele clube.

Eduardo trouxe como exemplo, como a imprensa tem sido “impaciente” com o trabalho dele, Ceni e Carille, os co-irmãos que iniciaram suas jornadas nos grandes paulistas esse ano.

Pegaram no pé de Ceni sobre o time tomar muitos gols, somou-se a isso a derrota para o Palmeiras e pronto, a pressão foi tamanha que o time começou a rever um pouco seu jogo e sofreu de novo, agora o time não cria o mesmo que antes.

Carille foi colocado como sem perfil para aguentar um Corinthians, e em silêncio vai ganhar o título paulista de maneira eficiente.

Em resumo, a imprensa pode argumentar as propostas de jogo, como foi o comportamento durante o jogo, as variações táticas e atuações individuais, mas não pode esquecer daquilo que fora do pós jogo eles sempre repetem, é preciso tempo para que o treinador mostre seu valor.

Como bem disse Arnaldo Ribeiro (ESPN), o trabalho de um treinador deve ser analisado durante um ano, exceção feita quando o trabalho for catastrófico que ameaça o time de rebaixamento.

 

É tão importante ganhar título no subalgo?

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E as eliminações de Palmeiras e São Paulo pela Copinha reacenderam a velha discussão sobre o que é melhor ganhar um título subalgo ou revelar jogadores?

Eu sinceramente, tentarei ser sutil sobre o tema, porque não consigo entender alguém preferir realmente títulos subalgo do que revelar.

Eu não discuto o quanto é bacana ganhar um título, levantar uma taça, inclusive acho válido para o moleque valorizar uma conquista, mas será que o importante não é preparar esse atleta para essa transição, garantir que ele se acostume a um estádio cheio ao invés de apenas com familiares incentivando. Garantir que aquele talento apresentado com 16, 17 anos seja lapidado para continuar mostrando quando estiver no profissional?

Para mim, base é para revelar, se ganhar título ótimo, mas não é fundamental, acho que um jogador aprende mais na dor da derrota, do que na tranquilidade das vitórias fáceis. Nas categorias subalgo ganhar título não traz retorno, agora vender um Lucas ou um Gabriel Jesus é garantia de continuar o garimpo pelas jovens promessas.

O processo da base deve ser muito mais em envolver os jogadores com os profissionais, garantir uma passagem tranquila, buscar fazer um trabalho com o jovem além das quatro linhas, mas do que entender esquema de jogo, é entender cultura, filosofia, valores do time.

O Barcelona não precisa jogar igual da base ao profissional, basta que características fundamentais que eles valorizem sejam entendidas de maneira total por esse jovem. Será melhor e mais rentável para um time, você ter as suas gerações mais jovens completamente aderentes ao que o clube precisa do que simplesmente um time vencedor, uma geração vencedora no subalgo passa, ficam os troféus e o legado?

Quantas gerações vimos ganhar diversos títulos e não trazer nenhum retorno ou pouco retorno para o clube, vamos aproveitar a eliminação de Palmeiras e São Paulo para fazer o contraponto com o rival da capital, o Corinthians. o alvinegro é o maior vencedor da Copinha e o que realmente relevou ou trouxe de retorno para o clube de Parque São Jorge?

Lulinha, talvez o mais promissor, hoje perambula por centros menores, Marquinhos não teve a transição adequada, vendido precocemente, pouco dinheiro para o clube e hoje vale muitos milhões.

Já o Santos é o famoso caso que deu certo por necessidade, quando o clube se viu sem capacidade de competir com os rivais diante de suas receitas, decidiu tornar a base o principal ativo do clube e hoje é um clube formador, com referência e que todo empresário quer levar o seu melhor jogador para lá.

Por fim, os clubes precisam valorizar ainda mais o papel da base na sustentação do modelo de negócio de um clube, hoje é quase primordial para o sucesso , quanto a perder ou ganhar um título, deixa para o torcedor reclamar no dia, quando o moleque aparecer e virar craque no profissional, ele esquece rapidinho.

E aí, ele vai se perguntar se era tão importante assim ganhar um título no subalgo.

 

2017 e o desafio da nova safra de treinadores

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E começou 2017!

Acho que entre todas as expectativas que surgem em todo o inicio do ano, a minha maior é sobre os treinadores.

Existe uma geração nova chegando e com enormes desafios pela frente. Entre os 20 times da Série A + o Internacional, são 3 treinadores que estão na faixa de 61 a 70 anos, 6 na faixa de 51 a 60, 9 na faixa de 41 a 50 anos e incríveis 3 na faixa de 31 a 40.

Distribuídos da seguinte forma:

De 61 a 70 anos: Carpegiani, 67 (Coritiba), Abelão, 64 (Fluminense), Autuori, 61 (Atlético-PR)

De 51 a 60 anos: Cristovão, 57 (Vasco), Dorival, 54 (Santos), Mano, 54 (Cruzeiro), Renato Gaucho, 54 (Grêmio), Guto Ferreira, 51 (Bahia) e Silas, 51 (Avaí).

De 41 a 50 anos: Marcelo Cabo, 50 (Atlético-GO), Vagner Mancini, 50 (Chape), Zago, 47 (Inter), Eduardo Baptista, 46 (Palmeiras), Zé Ricardo, 45 (Flamengo), Carille, 43 (Corinthians), Ceni, 43 (São Paulo), Argel, 42 (Vitória) e Roger, 41 (Atlético-MG).

De 31 a 40 anos: Jair Ventura, 37 (Botafogo), Felipe Moreira, 35 (Ponte) e Daniel Paulista, 34 (Sport Recife).

E se pensar que independente dos motivos, esse ano nenhum dos treinadores a seguir estarão iniciando no comando de algum clube da série A nacional: Vanderlei Luxemburgo, Oswaldo de Oliveira, Joel Santana, Leão, Falcão, Muricy Ramalho, Levir Culpi, Marcelo Oliveira, Felipão e Celso Roth. 10 nomes que normalmente estariam em algum clube e se não fosse o Fluminense que anunciou Abel Braga, era um time completo.

Entre os com mais de 60, além do Fluminense a dupla do Paraná (Furacão e Coxa) também estão com os sexagenários.

Agora ainda para a turma da renovação, temos SP como um destaque, dos 4 grandes, 3 vem com treinadores novos, sendo que São Paulo e Corinthians com treinadores de primeira viagem, ótimas apostas e podem contribuir muito para novos conceitos para o futebol local.

Isso sem falar na turma abaixo dos 40, Sport, Ponte Preta e Botafogo estão iniciando o ano com treinadores que até ontem eram jogadores ou que poderiam ainda estar em campo.

No ano em que nosso melhor técnico está na seleção e consolidando seu trabalho, 2017 vem com a boa nova de dar espaço para novas cabeças mostrarem seus trabalhos aqui no Brasil.

Eu sei que a garantia de inovação é incerta, até porque tem muito novo com espirito de velho e vice-versa. O mais certo é que será tudo novo, com muita gente buscando seu espaço.

Espero de verdade que no final de 2017, possa olhar para esse post e ver que ao final bons e novos nomes surgiram, mesmo que ao mesmo tempo alguns não tenha vingado ao longo do ano. E para os “veteranos” que também surpreendam e mostrem que novos conceito nunca fui atrelado a idade.

Os grupos da Libertadores 2017

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E ontem foram definidos os grupos da Libertadores 2017.

Vamos comentar um pouco sobre o grupo, mas particularmente achei os grupos de 1 a 4 mais equilibrados do que os de 5 a 8.

No grupo 1, o atual campeão, o Atletico Nacional, além de Estudiantes, Barcelona (EQU) e Ganhador 2 (Botafogo, Colo-Colo, Olimpia, D. Municipal ou I. del Valle). Possivelmente, o ganhador 2 será uma força no grupo que se juntará a três times tradicionais, o time campeão não terá vida fácil para avançar de grupo, junto com o grupo 4, é o grupo mais equilibrado.

Grupo 2 terá Santos, Santa Fé, Sporting Cristal e Ganhador 3 (U. de Sucre, M. Wanderers, Atlético Cerro, Unión Española ou The Strongest). Acredito que o The Strongest será o classificado para o grupo, sendo assim, o maior adversário do Santos serão as longas viagens. Logicamente não dá para ignorar o grupo, pois serão jogos bem complicados, o Santos deve avançar, mas não pode tropeçar.

Pelo Grupo 3 teremos River Plate, Emelec, Ind. de Medellin e Melgar. Acredito que a ordem do grupo será a mesma que foi sorteado, minha única dúvida fica pelos duelos entre Emelec e Medellin quem ficará com a segunda vaga.

No grupo 4 temos San Lorenzo, Univ. Catolica, Flamengo e Ganhador 1 (Atlético-PR, Millionarios, Tachirá, Capiatá ou Universitario). Ganhador 1 deve ficar entre o Furacão e o Millionarios, que se juntarão a times tradicionais, o clube de Almagro vem muito bem com Diego Aguirre (sim, ele mesmo), acho que pelo time do Flamengo é obrigação passar, mas a tarefa será mais complicada do que se imaginava.

Já no grupo 5 ficamos com Penarol, Palmeiras, Jorge Wilstermann e Ganhador 4 (Carabobo, Junior Barranquila, A. Tucuman e El Nacional). Aposto no Junior para a última vaga, mas que eu gostaria muito de ver Carabobo, gostaria, é piada pronta. 2016 anda tão bom com o Palmeiras que até no sorteio dá tudo certo, grupo tranquilo.

O grupo 6 tem Atlético-MG, Libertad, Godoy Cruz e Sport Boys. Outro daqueles grupos que o sorteio indica a provável ordem ao final da fase de grupos, grupo muito tranquilo para o Galo, ótimo para Roger fazer testes e colocar sua forma de pensar o jogo.

No grupo 7, Nacional, Chapecoense, Lanus e Zulia. Grupo sem nenhum favorito, mas com o Zulia de saco de pancada, ele poderá ser o diferencial para avançar ou não de fase, dependendo do grupo que a Chape conseguir formar para 2017, pode alcançar o feito espetacular de avançar de fase, torcida não faltará.

Para fechar, o grupo 8 tem Grêmio, Guarani (PAR), Zamora e Iquique. Assim como o Palmeiras, a sorte do Grêmio continua intacta em 2016, o grupo mais fácil disparadamente, o time brasileiro tem quase obrigação de terminar com a melhor campanha da Libertadores.

E vocês o que acharam?

A nova Copa do Brasil

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E a Copa do Brasil 2017 teve seu sorteio feito ontem.

Contudo, a CBF resolveu fazer algumas mudanças nas duas primeiras fases do torneio com intuito de promover uma possível emoção e permitir uma chance maior para os pequenos de avançarem de fase.

Além disso, 11 times entraram apenas a partir das oitavas de final, os oito representantes da Copa Libertadores (Palmeiras, Santos, Flamengo, Atlético-MG, Atlético-PR, Botafogo, Grêmio e Chapecoense), o campeão da Série B (Atlético-GO), o campeão da Copa Verde (Paysandu) e o Santa Cruz (campeão da Copa Nordeste).

Sinceramente, no primeiro momento, eu achei um pouco esdrúxulo as alternativas propostas, acha um pouco absurdo um jogo único, a chance de muita zebra acontecer, a quantidade de times que entram depois, o velho problema crônico do nosso calendário e etc.

Porém, após analisar com mais calma, o modelo da primeira fase para mim é muito legal. Explico, dentro das possibilidades, é mais do que natural que o grande vença em qualquer estádio e qualquer formato, o tempero de dar o empate para o melhor rankeado, obriga o pequeno a ir para o jogo, tornando o jogo  mais divertido e dessa forma franco para que o grande possa exercer sua condição de favorito e vencer.

Acho que o critério da primeira fase permite as duas coisas mais essenciais do futebol, a competição e o entretenimento.

Em compensação, a segunda fase, já achei um pouco mais perigoso o critério, porque o sorteio e apenas uma partida pode não dar chance ao pequeno ou mesmo colocar um confronto equilibrado com direito de apenas um time mandar o jogo em seus domínios. Por exemplo, na chave 9, podemos ter um Bahia x Coritiba decidido em jogo único. Ou mesmo na chave 4, um Fluminense x Santo André, por exemplo, com o Santo André tendo apenas um jogo no Maracanã para fazer história.

O critério da segunda fase poderia seguir o primeiro, ou já ter jogos de ida e volta, achei o critério do segundo mais aleatório.

De qualquer forma, como disse, acho que algumas mudanças são válidas e devem ser testadas, o mais importante é depois dos testes, olhar, verificar os resultado e seguir ou fazer as possíveis correções.

Espero que essas alterações aumentem a emoção das primeiras fases, que normalmente se arrastam pela falta de entretenimento. E que algumas surpresas aconteçam de preferência longe da chave 10.

E vocês, o que acharam das mudanças feitas pela CBF na nossa querida Copa do Brasil?