É mais fácil lidar com o time do comentarista, né?

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E a foto acima gerou um frisson nas redes sociais ontem.

Nela, Mauro Cezar Pereira, comentarista da ESPN aparece em meio a torcida do Flamengo no jogo do Pacaembu, vestindo camisa do West Ham e agasalho do Milan.

Foi o suficiente para uma onda de ataques ao comentarista começar sobre a preferência clubística dele, primeiro porque Mauro sempre foi ácido (no bom sentido) e seus comentários mais duros, despertam a ira de todo mundo, segundo porque se criou uma obsessão estúpida sobre descobrir o time de cada comentarista.

Como o próprio Mauro disse, é engraçado como o torcedor se preocupa mais com a torcida de um comentarista do que de um presidente, técnico ou jogador do clube.

Além disso, sinceramente, não fui muito atrás da torcida dele, se é mesmo ou não para o Flamengo, porque eu mesmo já frequentei arquibancadas para assistir jogos de todos os demais grandes de São Paulo sem que o meu tricolor jogasse, assim como já assisti outros jogos de times quaisquer.

A grande questão é, porque importa tanto o clube do comentarista?

Para mim, é irrelevante o cara assumir ou não, muitos assumiram, assim como muitos preferem não relevar, é um direito deles e o saber deve ficar restrito apenas a questão da curiosidade. Do tipo, legal saber que fulano torce para tal time, mas e daí?

O importante é se ele realiza seu trabalho de maneira correta, informa, busca noticiar as informações sobre o tema proposto, tenta sempre dentro do razoável ser imparcial, ou seja, ser jornalista acima de tudo.

E Mauro, gostem ou não, é um ótimo jornalista, você pode não gostar da linha dele, mas não pode dizer que executa mal o seu trabalho.

E uma coisa que ele disse é bem interessante de se pensar, já parou para pensar que você (torcedor) se preocupa tanto com o que o comentarista que torce para o rival fala, porém pode ter um atacante resolvendo as partidas para o seu time que torce para o arquirrival? Ou que as decisões do seu clube passam pela mão de alguém que sempre torceu pelo outro time? Ou mesmo que um treinador pode enfrentar o time do coração e ser sensível a isso?

Pois é, pense bem, talvez saber por qual time o comentarista torce é mais fácil de lidar né, por isso a obsessão absurda, porque se começar a olhar dentro do próprio time, pode se assustar.

Ah, também não adianta mais não comprar o videogame.

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Você acha normal um torcedor ter um time de outro estado? E de um país próximo? Que tal de um país, onde talvez você nunca veja o jogo do seu time no estádio?

Bom, se acostumem, o que parecia uma grande brincadeira, tem tudo para se consolidar.

Esses dias recebi de um grande amigo, Daniel Chiozzini, um texto sobre a geração videogame.

Nele, aparecia um ranking que a Centauro (empresa de material esportivo) divulgou sobre vendas das camisas de futebol infantis.

Entre as dez primeiras, apenas quatro times brasileiros.

A ordem foi: Barcelona, Palmeiras, Manchester City, Flamengo, Manchester United, São Paulo, Corinthians, Bayern Munchen, Real Madrid e Chelsea.

Eu não vejo problema nisso, nos acostumamos a ver torcedores do Brasil afora buscarem os grandes times brasileiros para torcerem.

O  caso do Flamengo é o maior exemplo, um time que sobrou na década de 80 e ainda contou com o apoio irrestrito da maior emissora do país.

Só entre os comentaristas, dois casos desse processo já saltam aos olhos. Mauro Cezar Pereira e seu Racing, assim como Marcelo Bechler e o seu Barça.

Considero que muito se reflete a falta de qualidade do espetáculo por aqui, da gosto ver os times europeus jogarem, principalmente as grandes forças e não considero complexo de vira lata, continuando torcendo para o São Paulo, amando nosso futebol por aqui, mas achando que maltratamos ele como entretenimento.

Acho que antes de crucificar e condenar a geração Playstation deve se olhar pela ótica deles.

Eles devem ver jogos de Barcelona e dos demais clubes estrangeiros dessa lista em quantidades iguais ou superiores ao tupiniquins.

Soma-se a isso, um total desinteresse de um adulto próximo em defender algum clube brasileiro, essa geração insatisfeita com o que vê aqui é a principal responsável por esse garoto adotar um time a milhares de quilômetros de distância.

Só que a responsabilidade por esse adulto estar desistindo ou na gíria futebolística “dando o famoso migué” é porque quem cuida do futebol não está nem aí.

Ou seja, olhar o fenômeno de brasileiros torcendo para times estrangeiros achando que a culpa é só do videogame, é esquecer quem deu o videogame e quem fez com que nossos times não fossem solicitados ao mesmo.

Ah, também não adianta mais não comprar o videogame.

Esse processo já está aí!

Brasil, Argentina e o resto na luta pela América!!

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Acabou a fase de grupos da Libertadores!

Sobraram 16 times, 5 brasileiros, 4 argentinos, 2 colombianos, 1 paraguaio, 1 uruguaio, 1 boliviano, 1 mexicano e 1 equatoriano. Ou seja três blocos, os brasileiros, os argentinos e o resto.

Veja o que esperar dos confrontos:

Boca x River

Para começar os cruzamentos apenas o clássico de maior rivalidade argentino, Buenos Aires irá parar nos próximos dias. O time do Boca fez campanha irretocável na primeira fase garantido com 100%  de aproveitamento. A dupla Lodeiro-Osvaldo tem sido importante.

Já pelo River a situação é completamente inexplicável, de time vencedor da sulamericana em 2014 e credenciado para ser o principal time a combater os brasileiros, o River se foi muito mal na fase de grupos, classificou-se na última rodada graças a uma combinação de resultados e com a campanha de pior segundo colocado.

Um clássico pode mudar tudo isso, mas o Boca sai como favorito.

Cruzeiro x São Paulo

Campeão e vice campeão brasileiro se encontram nessa próxima fase. O São Paulo tem um ótimo retrospecto contra o Cruzeiro, menos quando se fala de mata-mata. Vale lembrar a Libertadores de 2009 e a Copa do Brasil de 2000.

Contudo o tricolor paulista parece enfim ter começado o seu ano, se o time entender que precisa entrar em campo com a mesma disposição de ontem, torna-se favorito para o duelo, se entrar como tem feito durante quase todo 2015, o Cruzeiro estará nas quartas.

Já o Cruzeiro ainda está chegando ao nível do time bicampeão brasileiro, como muitas peças foram trocadas o time ainda encontra algumas dificuldades. Sinceramente, não vejo favorito para o duelo.

Corinthians x Guarani (PAR)

O alvinegro não pode pedir nada melhor para a luta pelo segundo título da Libertadores, um dos adversários mais fáceis dessas oitavas o Guarani não promete oferecer resistência ao Corinthians. O time paraguaio se classificou pelo grupo do Racing e mostrou que até consegue alguma coisa em casa, mas é presa fácil fora de casa.

Para o Corinthians melhor do que pegar o adversário teoricamente mais fácil será a oportunidade que esse confronto trará de recuperar seus melhores jogadores e voltar ao mesmo ritmo do começo do ano, já que nos últimos  6 jogos o time caiu muito de produção.

Corinthians é amplamente favorito nesse confronto.

Racing (ARG) x Montevideo Wanderers (URU)

O Racing é outro que não pode reclamar do adversário, o Montevideo se classificou no grupo do Boca por falta de opção entre os demais. Todos os integrantes com exceção do Boca eram fraquíssimos, aí caiu no colo do Montevideo uma passagem para a segunda fase.

Já o Racing começou a Libertadores dando pinta de que eles seriam a melhor campanha da primeira fase, mas depois de três vitórias seguidas, tropeçou duas vezes e só voltou a vencer na última rodada em uma virada histórica. O time é rápido, quase a mesma base mantida com relação ao time ganhador do Argertinão, Bou e Milito (sim, aquele Milito) são os destaques desse time.

A Academia deverá passar sem problemas para a alegria de Mauro Cezar Pereira.

Tigres (MEX) x Universitario Sucre (BOL)

O Tigres é a grande surpresa dessa primeira fase, o time mexicano que conta com Rafael Sóbis no elenco fez uma campanha excelente no grupo que tinha o River Plate, saiu sem nenhuma derrota e com a segunda melhor campanha do campeonato. E também foi premiado nessa fase.

O Sucre é o típico time de altitude, em seu território dá uma canseira, quando desce a ladeira se segura como pode. Mesmo em seus domínios o time conseguiu apenas uma vitória.

Ou seja, o Tigres tem tudo para seguir em frente na competição.

Internacional x Atlético-MG

Outro clássico brasileiro, outro duelo equilibradíssimo, promessa de grandes jogos.

Ambos estão em evolução, Aguirre parece enfim ter conquistado a paz que precisava para fazer seu trabalho no Inter e vem feito um trabalho sólido, ainda com pouca “magia” que se espera do elenco recheado do Colorado, mas firme e vencedor. Nilmar como protagonista.

Já o Galo doido, vai se apegando no seu mantra “Eu Acredito” e passou de fase. Em um grupo equilibradíssimo, o verdadeiro grupo da morte, o Galo passou com uma vitória na última rodada e também chega empolgado para o duelo.

O único problema do Galo é não poder jogar com o mantra no último jogo, já que o mando será do Inter. Confronto apertado, sem favorito.

Independiente Santa Fé (COL) x Estudiantes (ARG)

O confronto de dois times que já foram melhores, já assustaram mais em passados recentes, hoje são apenas uma sombra do que foram, o Santa Fé se classificou no confuso grupo do Galo em primeiro, enquanto o Estudiantes fez campanha modesta no grupo 7.

Confronto duro onde não vejo favorito.

Atlético Nacional (COL) x Emelec (EQU)

Confesso que esperava mais do vice campeão da sulamericana no ano passado, mas o Atletico perdeu algumas peças importantes do elenco e parece que ainda não se reencontrou. O time fez uma campanha firme, mas sem um futebol de encher os olhos. É um time que joga melhor fora do que em casa, ou seja, gosta de esperar o adversário atacar.

E terá o Emelec pela frente, um time com o DNA equatoriano de futebol, quase disciplicente, mas ofensivo por natureza. O time ficou em segundo no grupo do Inter deixando para trás a altitude do Strongest e a famosa La U.

Será um bom duelo, mas esse DNA equatoriano cobrará caro na fase de mata-mata, aposto que o Atlético avança.

E vocês o que acharam dos confrontos?