Ah, também não adianta mais não comprar o videogame.

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Você acha normal um torcedor ter um time de outro estado? E de um país próximo? Que tal de um país, onde talvez você nunca veja o jogo do seu time no estádio?

Bom, se acostumem, o que parecia uma grande brincadeira, tem tudo para se consolidar.

Esses dias recebi de um grande amigo, Daniel Chiozzini, um texto sobre a geração videogame.

Nele, aparecia um ranking que a Centauro (empresa de material esportivo) divulgou sobre vendas das camisas de futebol infantis.

Entre as dez primeiras, apenas quatro times brasileiros.

A ordem foi: Barcelona, Palmeiras, Manchester City, Flamengo, Manchester United, São Paulo, Corinthians, Bayern Munchen, Real Madrid e Chelsea.

Eu não vejo problema nisso, nos acostumamos a ver torcedores do Brasil afora buscarem os grandes times brasileiros para torcerem.

O  caso do Flamengo é o maior exemplo, um time que sobrou na década de 80 e ainda contou com o apoio irrestrito da maior emissora do país.

Só entre os comentaristas, dois casos desse processo já saltam aos olhos. Mauro Cezar Pereira e seu Racing, assim como Marcelo Bechler e o seu Barça.

Considero que muito se reflete a falta de qualidade do espetáculo por aqui, da gosto ver os times europeus jogarem, principalmente as grandes forças e não considero complexo de vira lata, continuando torcendo para o São Paulo, amando nosso futebol por aqui, mas achando que maltratamos ele como entretenimento.

Acho que antes de crucificar e condenar a geração Playstation deve se olhar pela ótica deles.

Eles devem ver jogos de Barcelona e dos demais clubes estrangeiros dessa lista em quantidades iguais ou superiores ao tupiniquins.

Soma-se a isso, um total desinteresse de um adulto próximo em defender algum clube brasileiro, essa geração insatisfeita com o que vê aqui é a principal responsável por esse garoto adotar um time a milhares de quilômetros de distância.

Só que a responsabilidade por esse adulto estar desistindo ou na gíria futebolística “dando o famoso migué” é porque quem cuida do futebol não está nem aí.

Ou seja, olhar o fenômeno de brasileiros torcendo para times estrangeiros achando que a culpa é só do videogame, é esquecer quem deu o videogame e quem fez com que nossos times não fossem solicitados ao mesmo.

Ah, também não adianta mais não comprar o videogame.

Esse processo já está aí!

Eu acredito é um mantra!!

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O Galo fez de novo, esse time tem operado verdadeiros feitos nos últimos dois anos e tudo graças ao mantra do “Eu Acredito”.

Um mantra não necessita de ter um significado verbal, o mais importante é o seu som, que incansavelmente repetido/entoado corta a agitação mental, concentra e limpa em profundidade os níveis subtis do ser.

O Eu Acredito tem função de mantra para esse time. Ele começa sendo entoado de forma desordenada, sem o pouco da torcida toda, de repente, vira um canto uníssono, que vibra por todo Mineirão ou Horto e faz com que o time concentre em simplesmente virar o resultado.

Ontem, o fato do Flamengo ter feito o gol mais para o fim do primeiro tempo, dava indícios que dessa vez ficaria complicado para o Galo, mas o empate ainda no primeiro tempo e a forma avassaladora que o time voltou para o segundo tempo, mostrou que o mantra já havia tomado conta do Mineirão.

A torcida já acreditava, o time do Galo já acreditava, Levir e Luxa já acreditavam, até o time do Flamengo já acreditava. Até que assistia do outro lado da telinha, já acreditava.

Em 2013, tirando a fase de grupos e o jogo contra o São Paulo pelas oitavas, o time usou esse mesmo mantra de forma gloriosa na Libertadores. Quem não lembra do pênalti no último minuto a favor do Tijuana e das duas vitórias nos pênaltis, após derrotas fora de casa pelo famoso 2×0.

Como já disse o ótimo jornalista Marcelo Bechler, o Galo vem banalizando o conceito de milagre no futebol.

Aliás, se eu sou o Cruzeiro torço por duas coisas. A primeira e melhor, jogar os últimos 90 minutos com o mando de campo. A segunda, caso a primeira não se concretize, não conseguir um resultado que leve a crer que ficou tudo mais fácil. É melhor empatar, ganhar por um gol de diferença, qualquer coisa que engane a torcida atleticana e a faça achar que o mantra não precise ser entoado.

Para coroar esse ano, nada melhor que duas finais no Mineirão, mostrando que o futebol mudou de Estado, estado onde a federação diminuiu datas dos modorrentos estaduais para ajudar seus grandes clubes, estado que decidiu a eleição presidencial entre dois candidatos também mineiros e por fim o estádio do 7×1.

Eu acredito que será uma final histórica. Eu acredito!

O suce$$o dos pontos corridos.

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Você gostaria de ver a volta do mata-mata?

Tenho escutado assustadamente a possibilidade da volta do mata-mata no Brasileirão, e a imprensa tem dado como o ponto principal a questão da audiência que o campeonato tem apresentado para a empresa que banca pelos direitos de transmissão.

Bom, vamos lá.

Sim, a audiência do campeonato brasileiro tem caído gradativamente a cada ano que se passa. Assim, como a audiência do campeonato paulista, da copa do Brasil, da Sulamericana e até da Libertadores. Todos, campeonatos com mata-mata.

O problema não é o formato, mas sim, o produto que se vende.

A própria emissora detentora dos direitos precisa rever alguns conceitos, e ela sim, tem força para tornar o campeonato mais atrativo e consequentemente aumentar suas receitas com o direito de transmissão.

Hoje a emissora, privilegia demais dois clubes com as maiores torcidas. Gera desconfortos dos demais clubes e desinteresse do restante da população. Acredito que a possibilidade de liberar para os demais canais qualquer jogo da grade e ainda criar mais horários alternativos, deixando apenas o seu jogo para as 22h, contribuiria para a transmissão.

Ainda pela emissora, a distribuição de verbas atualmente é desproporcional, leva-se em conta apenas o tamanho da torcida. A curto prazo, serve, já que maior torcida, maior número de telespectadores. A médio e longo prazo, você cria abismos colossais entre os demais clubes. Aí, se o campeonato era chato meu amigo, vai ficar bem pior.

Existem muitas outras soluções bacanas, por exemplo, na MLS uma parte da verba da TV tem que ser destinada a contratação de estrelas, são jogadores que ajudam a promover o campeonato. Marcelo Bechler em seu blog, fala sobre a importância de ajustar o calendário ao europeu, confira aqui.

Ou seja, de nada adianta mudar a fórmula do campeonato, se o campeonato não for mudado.

E a Globo pode ser de grande valia nesse momento, por toda força e competência que tem, se quiser ajudar aos organizadores, o campeonato brasileiro será sucesso do jeito que nós sempre esperamos e principalmente suce$$o do jeito que eles precisam.