É tão importante ganhar título no subalgo?

neymar120117

E as eliminações de Palmeiras e São Paulo pela Copinha reacenderam a velha discussão sobre o que é melhor ganhar um título subalgo ou revelar jogadores?

Eu sinceramente, tentarei ser sutil sobre o tema, porque não consigo entender alguém preferir realmente títulos subalgo do que revelar.

Eu não discuto o quanto é bacana ganhar um título, levantar uma taça, inclusive acho válido para o moleque valorizar uma conquista, mas será que o importante não é preparar esse atleta para essa transição, garantir que ele se acostume a um estádio cheio ao invés de apenas com familiares incentivando. Garantir que aquele talento apresentado com 16, 17 anos seja lapidado para continuar mostrando quando estiver no profissional?

Para mim, base é para revelar, se ganhar título ótimo, mas não é fundamental, acho que um jogador aprende mais na dor da derrota, do que na tranquilidade das vitórias fáceis. Nas categorias subalgo ganhar título não traz retorno, agora vender um Lucas ou um Gabriel Jesus é garantia de continuar o garimpo pelas jovens promessas.

O processo da base deve ser muito mais em envolver os jogadores com os profissionais, garantir uma passagem tranquila, buscar fazer um trabalho com o jovem além das quatro linhas, mas do que entender esquema de jogo, é entender cultura, filosofia, valores do time.

O Barcelona não precisa jogar igual da base ao profissional, basta que características fundamentais que eles valorizem sejam entendidas de maneira total por esse jovem. Será melhor e mais rentável para um time, você ter as suas gerações mais jovens completamente aderentes ao que o clube precisa do que simplesmente um time vencedor, uma geração vencedora no subalgo passa, ficam os troféus e o legado?

Quantas gerações vimos ganhar diversos títulos e não trazer nenhum retorno ou pouco retorno para o clube, vamos aproveitar a eliminação de Palmeiras e São Paulo para fazer o contraponto com o rival da capital, o Corinthians. o alvinegro é o maior vencedor da Copinha e o que realmente relevou ou trouxe de retorno para o clube de Parque São Jorge?

Lulinha, talvez o mais promissor, hoje perambula por centros menores, Marquinhos não teve a transição adequada, vendido precocemente, pouco dinheiro para o clube e hoje vale muitos milhões.

Já o Santos é o famoso caso que deu certo por necessidade, quando o clube se viu sem capacidade de competir com os rivais diante de suas receitas, decidiu tornar a base o principal ativo do clube e hoje é um clube formador, com referência e que todo empresário quer levar o seu melhor jogador para lá.

Por fim, os clubes precisam valorizar ainda mais o papel da base na sustentação do modelo de negócio de um clube, hoje é quase primordial para o sucesso , quanto a perder ou ganhar um título, deixa para o torcedor reclamar no dia, quando o moleque aparecer e virar craque no profissional, ele esquece rapidinho.

E aí, ele vai se perguntar se era tão importante assim ganhar um título no subalgo.

 

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O efeito Tite!!

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E a seleção venceu a terceira seguida, Tite segue com 100%.

Muitos podem dizer que os adversários não eram lá grandes coisas, eu mesmo compactuo disso, exceto pela excelente vitória diante do Equador em Quito. Mas o que foge do placar frio é a atuação dentro de campo.

Se compararmos com o antecessor, Dunga, principalmente na primeira passagem dele, a seleção também ganhava, mas não empolgava, ou era um “futebol burocrático” que incomodava aos olhos assistir as vitórias.

Com Tite não, a seleção voltou a jogar o fino, consegue aos poucos, mas de forma impressionantemente rápida, conciliar futebol moderno com o nosso principal diferencial, a improvisação nos instantes finais da conclusão da jogada.

E tudo isso, com apenas três jogos, poucos treinos, mas uma capacidade absurda do gaúcho Adenor. Ele tem conseguido colocar as melhores peças em suas posições e extraido o melhor de cada um.

Ele terá nos próximos três jogos o principal teste de ferro, enfrentará a Argentina (casa), Peru (fora) e Uruguai (fora), jogos bem mais complicados do que os três primeiros que ele teve.

E só fazendo um comentário técnico, acho que Tite ainda precisa achar o ponta direita, nessa linha entre o atacante e o volante eu colocaria da direita para esquerda, Douglas Costa (ou Lucas), Renato Augusto, Coutinho e Neymar. Mas quem sou eu, diante do que Tite vem fazendo.

É difícil conter a empolgação, mas o mais importante para mim não é a expectativa de título, isso é uma consequência e nem deve ser parametro, o mais incrível é que Tite conseguiu fazer eu me preparar para assistir aos jogos da seleção, a querer ver a amarelinha desfilando em campo.

Um efeito em tanto!

Precisamos voltar a gostar de futebol!!

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A nossa querida seleção passou por mais um vexame!

Quebrou mais um tabu, saiu ainda na fase de grupo da Copa América em um grupo com os “fortíssimos” Equador, Peru e Haiti. O time brasileiro conseguiu não marcar nenhum gol nas duas seleções mais razoáveis e simbolicamente fez um 7×1 sobre o Haiti para nos lembrar do que aconteceu na Copa do Mundo.

Eu sei que muitas vezes, o que acontece fora de campo reflete dentro de campo, mas nesse caso nem dá tempo, o problema ainda está dentro de campo. e como sempre digo na seleção é diferente. Basta olhar o perfil de treinadores e tem algo que começo a perceber recentemente.

Não existe mais essa condição de testar trocentos jogadores, o grupo tem que estar fechado, 30-35 jogadores no máximo, apenas olhar possíveis promessas para serem incluídos aos poucos. A sensação é que talvez ai esteja um grande nó nosso, o balcão de negócio do qual se utiliza algumas pessoas via concentração da seleção.

Eu acho que entre os 23 convocados para qualquer jogo, algo entre 10-15% deve ser a taxa de renovação e olhe lá. É preciso dar conjunto para um time que se encontra e treina tão pouco, basta ver a seleções de sucesso. Parece que Espanha e Alemanha jogam juntos a quase 10 anos, poucos jogadores mudam, a renovação é gradual.

A seleção de 2006 foi completamente trocada em 2010, que foi completamente trocada em 2014 e agora segue para ser completamente trocada em 2018.

Vamos fechar uma base aqui, vocês podem completamente discordar, mas a questão não é essa, veja: Diego Alves, Alisson e Grohe, Daniel Alves, Danilo, Marcelo e Filipe Luis, Thiago Silva, Miranda, Marquinhos e Gil, Casemiro, Renato (Santos), Renato Augusto, William, Coutinho,  Lucas Lima e Ganso, Lucas, Douglas Costa, Neymar, Gabigol e Jonas.

Vocês podem mudar, fiquem a vontade, mas o principal é, quantas seleções individualmente possuem elenco melhor do que o nosso?

Eu particularmente, aceito que apenas 3 ou 4. Alemanha, Argentina e França com certeza, Espanha tenho minhas dúvidas. Porém, nosso futebol é como se fossemos a atual 20ª potência, e aí para mim o principal é falta de tempo. Falta de tempo para que se escolha um projeto real, um treinador com projeto para que se deixe um time trabalhar e ganhar conjunto.

A Espanha começou seu projeto em 2004, Alemanha em 2006 e nós paramos em 2002.

Como já disse Tim Vickery em 2012, o brasileiro não gosta de futebol, ele gosta de vencer. Nosso imediatismo tem consumido gerações e gerações de futebol.

Copa América e suas coisas boas e ruins…

leomar030616

E hoje vai começar a Copa América!

Confesso que não estou naquela euforia toda, minha implicância com Dunga continua, mas algumas coisas vão merecer minha atenção.

Quero muito acompanhar o maior número possível de jogos do México, ver o que Osório fez, apesar dos duelos menores, já são 08 jogos no comando da seleção, com 100% de aproveitamento, 15 gols marcados e nenhum sofrido.

Ver como Messi irá se comportar mais uma vez diante da seleção, a cobrança recai sobre ele, já que chega um momento que só culpar os treinadores não adianta mais pela sua performance na seleção.

Pelo Brasil, acompanhar a atuação de alguns jogadores especificamente, Casemiro, Coutinho, Lucas, Ganso e Jonas. Espero de verdade que todos se saiam bem.

Falando em Brasil e mudando só um pouquinho a conversa, tem muita gente reclamando e torcendo para a seleção ser eliminada logo para que os atletas voltem aos seus clubes. Lógico que o melhor mundo era que o campeonato parasse, mas aí, entraremos naquela nossa querida discussão do calendário, para quem quiser, veja o que eu penso de forma resumida no texto, “Porque quem cuida, não tem uma solução para o calendário?“.

Mas, minha ideia é fazer uma pergunta mais imediatista, o que você prefere em um ano como esse, ter um atleta com chance de seleção e podendo te desfalcar por 10 jogos, ou prefiro um jogador bom, mas que nunca terá o potencial de ser jogador de seleção?

Mais ou menos assim, mas só como exemplo tá, você prefere ter Lucas Lima e Ganso ou Cleiton Xavier e Giovani Augusto?

Nossa seleção parada no tempo…

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Confesso que em algum momento nesse blog, já elogiei Dunga. Sei lá, acho que era respeito pela história como jogador, como alguém que foi crucificado e tratado como exemplo de uma geração perdedora, deu a volta por cima e se tornou o vencedor que é.

Contudo, acho que ele ficou tão obcecado pela vitória e só por ela que não enxerga o que as vezes é necessário fazer para atingi-la. Dunga só quer a vitória a qualquer custo e não sabe lidar com a derrota.

Mas do que isso, o que estão fazendo com Dunga é sacanagem. Ele não é treinador, caiu lá de para quedas, como se a sua história grandiosa fosse suficiente para arrumar a seleção. Como se futebol ainda fosse, escolher os melhores, fechar o grupo, controlar o vestiário e ir para o jogo.

Treino e tática é para os outros, o Brasil não precisa disso. Esse mantra ecoa nas paredes sombrias da CBF.

O Brasil hoje é um time comum, uma seleção com ótimos nomes, mas que ainda não dá liga. Sim, já disse isso e repito. Nossa geração é ótima comparada aos concorrentes. Pense em Coutinho, William, Lucas Moura, Neymar e Leo Baptistao dando liga, ou qualquer outro centroavante, ou mesmo sem centroavante, com meias e pontas, entrando e saindo da área, inclua então Oscar nessa lista. Ainda tem Douglas Costa, Rafinha, Lucas Lima, Everton Ribeiro.

Mão de obra fraca, né. O Brasil ainda produz muito talento. Mas parou de produzir que organiza isso. Aposto que Dunga não dura muito, na verdade, espero que Dunga não fique muito a frente da seleção.

Não tenho medo de classificação, o Brasil vai para Copa de qualquer jeito, meu medo é pelo tempo perdido, pelo tempo parado em 1994.

Nosso castelo de areia!

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E ontem a seleção brasileira encerrou a preparação para as eliminatórias da Copa-2018 na Rússia.

Daqui para a frente, só jogo complicado, essa Eliminatórias tem tudo para ser a mais difícil da história da Conmebol, para o Brasil é claro. O maior campeão da história das Copas passa por um processo de renovação não só de elenco, mas de como atuará, nosso futebol vive um questionamento do que ele quer ser?

Nesse ínterim, temos um técnico altamente questionável, que dirá técnico, já elogiei, critiquei, ignorei e tudo mais, certo é, Dunga é vencedor, traz isso no seu DNA, porém repassa apenas isso para o grupo. A sensação é que ele reúne todo mundo e tem duas táticas, a primeira é bola no Neymar e o resto fica atento que se ele não resolver geral sai correndo para marcar o adversário.

A outra é quando o Neymar não tá, vão lá e fazem o que vocês fazem no seu clube e pronto e torcem para o amigo saber o que você faz lá.

Não vejo o Brasil de maneira ainda bem arrumada, ontem contra o EUA, o conceito de amistoso foi levado à forra pelos americanos, o jogo foi uma grande pelada. Novamente, os destaques ficam pelas atuações individuais.

Marcelo é titular absoluto, nada contra os postulantes a vaga, mas ele é bom demais, para ficar fora da esquerda do Brasil.

Neymar é acima da média mesmo, a frieza com que tira a marcação e faz o seu segundo gol é genial.

Rafinha foi grata surpresa, assim como Lucas tem tido mais chances e principalmente aproveitado melhor. Lucas Lima também foi bem, deve ter garantido seu lugarzinho no grupo.

Contudo, a questão não está em quem seriam os 23 convocados de Dunga, até porque a cada par de jogos, pode ser alterado um ou outro, a questão é, qual a capacidade do homem do boné para aproveitar toda essa safra.

Não aceito a ideia de safra ruim. Temos um batalhão de bons jogadores em todas as posições, talvez apenas a lateral direita, algo que desde que me entendo por gente, falta no nosso futebol.

Aceito que é uma safra abaixo das últimas, ou menos genial que essas, porém é boa o suficiente para brigar por título, em material humano estamos tranquilamente entre as cinco melhores, o que falta é fazer isso funcionar.

Cada vez mais, entendo que a cultura do nosso futebol limitou os nossos treinadores. Quando o próprio Dunga, diz que apesar de testar algumas coisas sabe que Brasil precisa ganhar acima de tudo, ele joga fora o planejamento e prioriza o resultado a curto prazo, onde qualquer derrota destrói por completo o castelo de areia.