Pitacos: Um clássico de surpresas e obviedades..

Para os palmeirenses o jogo foi uma surpresa.

Para os são paulinos, uma repetição.

Dessa forma, pode ser definido o eletrizante clássico que terminou empatado em 3×3.

Para o Palmeiras uma surpresa, porque não é normal o time de Felipão tomar três gols. Assim como o time não tem por característica jogar ofensivamente como ontem. Outra surpresa alviverde foi o time marcar três gols e nenhum deles ter a participação de Marcos Assunção.

Surpresa a boa atuação de Juninho e João Vitor e a má atuação de Assunção e Cicinho.

O que não foi surpresa para os palestrinos foi mais uma vez a boa atuação de Daniel Carvalho e Barcos. O primeiro mostra que se conseguir entrar em forma será peça-chave do time e o segundo mostra que os 27 gols serão tranqüilos de fazer.

Para o São Paulo, mais uma vez o time errou demais defensivamente e contou com lances individuais para resolver a partida. Com a individualidade de Lucas e Cortês e com a boa fase de Cicero e William Jose.

Mais uma vez, o time viu Piris, Casemiro, Denilson, Paulo Miranda e Rhodolfo baterem cabeça. O terceiro gol palmeirense é o típico lance do time que não se conhece ainda e tem treinado pouco posicionamento ou não aprende sobre posicionamento.

Desse quinteto defensivo, acredito que, entrosado e taticamente preparado, apenas Casemiro e Denilson saem para dar lugar a Wellington e Fabricio.

Mais uma vez, Jadson não teve atuação de destaque, contudo é apenas o primeiro mês dele e nítido que bola ele sabe jogar.

Mais uma vez também, Cortês mostra que é o melhor jogador do atual São Paulo. Assim como Lucas que cria várias jogadas, mas ainda precisa achar o melhor equilíbrio entre hora de tocar x hora de driblar.

No fim, o Palmeiras pelo primeiro tempo merecia a vitória. Mas no fim, o empate trouxe muita reflexão entre surpresas e “obviedades”.

Sobre meninos e homens!

Em meio a tanta bobagem e absurdos que tenho escutado a respeito da história do João Vitor do Palmeiras, trago um fato acontecido comigo na minha infância para ilustrar tudo isso.

Eu já tinha (pasmem!) meus 14 anos de idade, era muito magro e alto, o famoso “pirulão”, além de ser muito tímido. Tinha alguns amigos e gostávamos de jogar futebol com bola de papel nos intervalos da aula.

Quando o jogo tinha sido bem disputado, fazíamos uma espécie de prorrogação para definirmos quem foi o “verdadeiro campeão”.

Pois bem, após uma dessas prorrogações, saí desolado porque meu time tinha perdido mais uma vez. Foi assim a semana passada inteira e já era quarta-feira e tinha perdido os três jogos. Ou seja, oito jogos sem vitória, uma verdadeira crise, nos tempos atuais.

Tudo bem, que quando fizemos o sorteio dos times daquele mês, eu sabia que não teria vida fácil, pois o meu time tinha ficado bem mais fraco que o adversário, mas achei que com força de vontade e na “raça” daria para conseguir uma ou outra vitória. Ledo engano.

Então, lá estava eu caminhando, ainda dentro da escola, cabisbaixo por mais uma derrota. O jeito era voltar para casa. Já do lado de fora, vi dois meninos que eram bem mais velhos do outro lado da rua e lembro-me de ter comentado com meu amigo que eles eram dois idiotas.

Os dois eram amigos do professor de educação física e davam pitacos sobre quem deveria ou não fazer parte do time da escola. Inclusive, eles se auto-escalavam no time titular da idade deles e para defender o irmão mais novo de um deles, tinham vetado a minha participação e do meu amigo no time.

Sabia que ao cruzar com eles naquele momento não era bom negócio. Dito e feito.

Começou com uma discussão que culminou em meus óculos quebrados, uns arranhões e alguns roxos. Mas tudo bem, fui para casa, com a certeza de que ganharia o colo da minha mãe e o orgulho do meu pai por ter me defendido.

Coitado de mim.

Quase levei outra surra da minha mãe por ter perdido meus óculos novinhos, que ela nem tinha começado a pagar. Ela ainda disse que quando um não quer, dois não brigam.

Passaram-se muitos anos desde essa história. De lá pra cá, 13 anos se passaram, ganhei uns 30cm de altura e a certeza de que, quando um não quer, dois não brigam.

João Vitor, Kléber, Felipão, diretoria e torcida deviam prestar atenção nesse ditado.