Mangia che ti fa bene

100Palmeiras26082014

Pensei em escrever umas linhas para parabenizar o centenário alviverde. Mas, nada melhor do que um autêntico palmeirense para explicar isso. Meu amigo Roberto Fradusco, explica aê!

Por Roberto Fradusco.

“Explicar a emoção de ser palmeirense, a um palmeirense, é totalmente desnecessário. E a quem não é palmeirense… É simplesmente impossível!”

A frase do genial Joelmir Betting resume o sentimento do torcedor do Palmeiras. Indescritível o orgulho de fazer parte da família palestrina, que canta e vibra – e chora – pelo nosso alviverde inteiro.

Chora de alegria, chora de tristeza, chora porque é passional. Ser palmeirense é mais que sentir, é assumir uma identidade: somos herdeiros daqueles primeiros italianos, que há um século fundaram o Palestra Itália. E como tais, somos barulhentos, adoramos comer, amamos a família e nos reunirmos para torcer pelo “Parmera”.

E, porca miséria, xingamos quando o maledeto atacante perde um gol, urramos quando Edmundo entorta mais um e derramamos o copo de vinho quando São Marcos pega o penalti de Marcelinho.

E entre uma sardella e outra, lamentamos mais uma contusão de Valdivia, rezamos para que nostra Santa Achirupita nos mande um novo Ademir da Guia e quase engasgamos com o “prosciutto” quando sentimos saudades do Tonhão.

E vamos em frente, que a macarronada está na mesa. É hora de brindar o grande Leivinha, de pedir por mais uma garfada de Parmalat, de sorrir com o chapéu de Djalminha.

E em meio ao barulho que é o almoço de domingo desta família italiana, ouço gritos por Rivaldo, Dudu, Julinho Botelho e até Galeano, aquele ragazzo caneludo, que se jogasse hoje era ídolo neste time de estrangeiros.

Mas eis que ao tirar as “bringela” do forno a nona deixa a travessa cair. Me lembrou os senhores Mustafá e Tirone, que também derrubaram “tutti”.

Enquanto isso o nono fala sozinho no terraço. Coitado, já ficou “pazzo”, como “il signore” Palaia, que se auto entrevistava.

Mas vamos lá que é hora da sobremesa. E que delícia é o tiramisù da tia Genoveva, quase tão gostoso quanto as comemorações do Paulo Nunes.

E um golinho de vinho licoroso para arrematar com classe, como fazia Evair.

E vamos ligar a TV que já são horas e hoje a Globo vai passar o Verdão. Mama mia! E vamos torcer e rir e chorar, e rezar para que essa família palestrina continue barulhenta a cada almoço e vibrando a cada gol.

Enquanto isso a mama já estica a massa, que hoje o dia termina em pizza para comemorar o centenário de nostro Parmera!

Grazzi, Palmeiras, pelas emoções nestes 100 anos!

Avanti para mais cem!

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Uma questão de conceito!

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Acho engraçado nossos conceitos sobre futebol moderno.

O querido leitor André Russo comentou no post “Pelo fim do futebol moderno” sobre os conceitos que chamamos de moderno e que eles já estiveram presentes em seleções e clubes do passado.

Por exemplo, guardadas as devidas proporções podemos comparar Alemanha e Cruzeiro como exemplos a seguir. Alemanha, como exemplo do queremos para a nossa seleção e o Cruzeiro como o melhor time do Brasil. Ambos carregam características idênticas. De novo, guardadas as devidas proporções.

Os dois abriram mão do tradicional camisa 09. Alemanha tem em Muller o seu centroavante, quando muito Klose faz essa função também. No Cruzeiro, Ricardo Goulart é o Thomas Muller brasileiro e Moreno faz às vezes de Klose. No fim, ambos jogam com centroavantes, que buscam o jogo, saem para a tabela, se movimentam e abrem espaços para as chegadas dos meias.

Os dois possuem dupla de volantes que sabem jogar mais do que desarmar. Nos dois selecionados, não existe o volante brucutu, os Galeanos (com todo respeito ao grande Galeano), os Amarais (nosso querido coveiro) cada vez mais não existem. O futebol começa por eles, são os volantes que constroem o jogo, que ditam o ritmo e que controlam o jogo. O nome não é à toa, sem eles ou com eles ruins, o carro-clube fica desgovernado.

Além disso, todo mundo entende a importância coletiva do time. Todo mundo sabe que correr atrás do adversário para marcar é um saco, é muito mais legal jogar com a bola no pé, construir jogada e fazer o adversário correr, mas para isso é preciso ter a bola e por muitas vezes, todo mundo tem que ajudar a recuperar a bola do rival. Everton Ribeiro, é um meia que aparece dentro da área e acompanha lateral, talvez esses vídeos ajudem Pato a entender do que se trata.

Respeitar o coletivo e saber que ele é fundamental para as conquistas, foi o maior legado dessa Alemanha. Você nunca irá falar que essa foi a Alemanha de fulano, assim como não falará desse Cruzeiro.

No fim, queremos apenas que um time jogue bola. Que todos entendam o seu papel dentro do grupo, para que possam também resolver com suas individualidades. Não digo que o futebol seja o mesmo de 100 anos atrás, só digo que a essência para o sucesso é a mesma. Hoje com mais importância e disciplina na parte tática, mas ainda assim, um time que goste de jogar futebol.

Ou seja, nada de novo, apenas conceitos de quem gosta de futebol.