A fórmula de Cuca!

Shandong-Luneng

Ontem, já quase no final do dia parei no programa Central Fox, estava esperando minha carona para o meu futebolzinho chegar e fiquei vendo o programa. Em determinado momento, um repórter de campo, estava com Cuca aproveitando sua passagem pelo Brasil para a pré-temporada do Shandong Luneng.

Eis que a apresentadora Marina Ferrari do programa, já nas considerações finais deu um recado para Cuca que era algo do tipo “Cuca, pede para os chineses irem com calma e pararem de roubar nossos craques daqui”.

Cuca, sorridente, responde de bate pronto, algo como “Marina, não! Isso é bom para o futebol, nos dá espaço dentro do nosso futebol”.

A priori achei apenas que Cuca estava fazendo um merchan com o país onde ele joga, mas depois fiquei pensando sobre o que ele havia dito com aquela frase e me surpreendi com alguns aspectos sobre o que ele disse com uma frase tão despretensiosa.

Ao meu entender, ficou claro que Cuca considera que a saída dos grandes jogadores para fora do país, independente de para onde é, torna-se totalmente favorável para a formação da nossa seleção.

A sensação ficou por uma matemática simples, todo jogador que sai depois de mostrar seu futebol por aqui, sai por algum valor apresentado e que encantou alguém em alguma parte do mundo, logo sua saída abre o espaço para o surgimento de outro.

Aí, ficamos com alguém bom fora e produzindo alguém bom por aqui.

Por exemplo, a Inglaterra funciona ao contrário de nós, lá muitos dos principais atletas de todo mundo jogam por lá e quase nenhum dos grandes atuam fora do país (no último jogo do time, todos atuavam na Terra da Rainha), qual o resultado disso, maior dificuldade para procurar atletas em potencial para atuar pelo English Team.

A fórmula de Cuca é simples, a Inglaterra procura seus atletas num raio de apenas 20 clubes do seu campeonato nacional, o Brasil busca no raio de todos os campeonatos do mundo.

É claro que apesar de uma fórmula simples, o processo para que ela funcione ainda é bastante falho, mas a visão de Cuca tem seus pontos positivos.

Concordam?

Quanto vale o espetáculo?

espetaculo

É a partir dessa pergunta que qualquer espetáculo deveria dimensionar o quanto poderia cobrar pelo ingresso.

E com o nosso futebol, não poderia ser diferente. Hoje passamos por uma fase de transição, onde alguns clubes se dão ao luxo de cobrar um ticket médio por partida de quase 80 reais. Enquanto alguns ficam abaixo de 20. Contudo ainda assim, é nítido que muita coisa ainda precisa ser ajustada. Basta ver o exemplo do São Paulo.

Diante da péssima fase do clube, a diretoria resolveu colocar os ingressos a R$ 10,00 para o torcedor comum e a R$ 2,00 para o sócio torcedor. A idéia tinha um princípio simples, vamos abrir mão dessa receita para atrair o torcedor e ajudar o time com o apoio a deles e tentar assim se manter na primeira divisão.

A decisão um pouco arriscada, já que ainda hoje os clubes dependem muito da receita advinda das bilheterias. Porém, qual foi a surpresa que o São Paulo teve? O aumento significativo da arrecadação com bilheteria.

Para se ter uma idéia, o Sâo Paulo fez pelo Brasileirão, exato 12 jogos no Morumbi. 6 com os preços “normais” e outros 6 com os preços “promocionais”. Nos primeiros seis jogos a arrecadação foi de R$ 1,37 milhão com média de 8.500 torcedores por partida. Já nos últimos seis jogos, a arrecadação foi de R$ 2,43 milhões com média de 35.335 torcedores.

Ou seja, além do estádio povoado pela torcida empurrando o time, o clube arrecadou um milhão a mais.

Para mim, a principal percepção é que o nosso espetáculo chamado futebol é percebido pelo torcedor com a valia na casa dos R$ 10,00. Ou seja, o que um dirigente vê como valor do seu espetáculo é completamente distorcido em relação ao que o consumidor enxerga.

Muito dessa percepção distorcida se deve ao volume de dinheiro que o futebol move no Brasil, contudo, pouco ou quase nada é investido na melhoria do espetáculo. Calendário apertado que faz o time não ter sempre seu elenco em melhores condições, estádios precários e com poucas ou nenhuma atração fora o evento principal, custos indiretos abusivos (nossos “amados” flanelinhas) e a impunidade aos imbecis que acham que estão indo para uma arena lutar.

Esses são para mim os principais redutores do valor percebido ao ingreso. Redutores que são ignorados ou despercebidos pelos dirigentes dos clubes.

O exemplo do São Paulo para quem acredita que seja de sucesso, eu não acho, ele apenas evidencia o quanto ainda estamos brincando de futebol amador com atletas profissionais. E quanto o a celébre frase “Respeitável público” está longe de ser entoada.

Pela mudança do nosso calendário…

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Eis que 75 jogadores que atuam no futebol brasileiro resolveram entrar “na moda” do protesto e montaram um abaixo assinado pela melhoria do calendário nacional.

Sinceramente, não faço questão que eles criem uma nova liga, nem tão pouco que seja feita uma caça as bruxas. Isso o próprio tempo se encarrega de ajustar as coisas. Espero de verdade, que eles criem uma comissão, ou simplesmente que Alex (Coritiba) e Paulo André assumam essa função e discutam de forma firme quais são essas condições de melhorias.

Hoje nosso futebol está entregue ao bel prazer da TV. Ela sabe do potencial que o futebol tem e tenta nos entupir com o esporte durante quase todos os dias. Somos um país de um esporte só, e que às vezes paramos para ver corrida e volei. Não apreciamos mais nada, a não ser quando aparecem um Guga, um Cesar Cielo, um Oscar Schimdt para nos fazer lembrar de que existem outros esportes.

Sendo assim, a TV não tem piedade conosco, nem com os clubes de futebol e cobram que eles estejam disponíveis durante todo o ano, para assim sempre terem a possibilidade de preencherem a grade. O que a TV não percebe é que isso prejudica a qualidade do espetáculo.

Ou você acha bacana, você saber que um jogo ou outro do Botafogo não vai ter o Seedorf para jogar. Ou que alguns jogadores forçam o cartão para conseguir um pouco de descanso em uma semana puxada? É meus caros, acreditem, quando um atleta força um cartão nem sempre é porque ele é burro, às vezes ele é bem esperto na verdade.

Já disse sobre meu pensamento de exterminar os estaduais, porém achei o método adotado pelo Atlético-PR excelente. O time optou por não jogar o estadual com seu time principal, deu férias corretas para seu elenco principal, fez uma pré-temporada e só então participou dos campeonatos.

Acho que a solução encontrada pelo Furacão deve servir como ponto de partida, do que se espera de tempo adequado para que o atleta profissional descanse com a preservação do espetáculo.

Que o gigante continue acordado e lutando para a melhoria no nosso querido futebol.

Futebol em relacionamento sério?

O STJD decidiu no começo da semana suspender o Aparecidense-MT da Série D do campeonato brasileiro.

Para quem não acompanhou o time jogava contra o Tupi-MG e precisava de um empate para seguir em frente no campeonato, e no último lance da partida, o massagista do clube entrou em campo para evitar o gol que eliminaria o time de Mato Grosso e classificaria o time mineiro. Veja o lance abaixo:

Confesso que achei surpreendente a decisão do STJD que foi favorável a moral do futebol, ao invés de ir simplesmente pela lei. Desconfio que na decisão em segunda instância, eles voltarão atrás e optarão por uma nova partida, o que seria horrível, pois premiaria o infrator, ou culpado.

Não sei, o quanto manter essa decisão impacta em nossos regulamentos, mas acho que a jurisprudência que a manutenção dessa decisão possa criar, será benefíca ao nosso esporte. Aliás com regras mais sérias para tudo que envolve nosso futebol, poderemos novamente nos considerar o país que respira futebol.

Hoje, não frequentamos estádios direito, nosso público é pífio, sempre desconfiamos de esquemas Parmalat’s, Unimed’s, MSI e CBF’s. Criamos casos como o Madonão e ainda vemos massagistas invadirem o campo para influenciar em resultado.

Acho difícil que essa punição ao Aparecidense seja mantida, mas que estou torcendo para a manutenção na crença de tornar sério nosso futebol. Sair da paixão adolescente para um casamento apaixonado.

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Tem espaço para mais um clube, aí?

Galera do blog, comentei na segunda-feira sobre o domínio do eixo Rio-SP neste campeonato brasileiro. Comecei a ir buscar algumas informações além das quatro linhas para ver se tinha alguma justificativa.

E até encontrei, mas elas todas se refletem dentro de campo mesmo.

Desde de que os pontos corridos foram criados, aconteceram 08 edições, sendo que apenas uma não foi vencida pelo eixo Rio-SP, foi o Cruzeiro em 2003, logo na primeira edição.

A criação dos pontos corridos, favorece os times mais estruturados que conseguem manter um time competitivo durante todo o campeonato, contudo essa estruturação é construída a partir de investimentos, ou seja “dindin”, e hoje no futebol brasileiro, as principais fontes de renda são cota de televisão e marketing, que basicamente estão ligadas uma na outra, se o seu time tem maior cota de televisão, logo ele vai aparecer mais na TV, logo vale mais a pena investir mais em Marketing.

E aí começa a surgir o domínio de cariocas e paulistas, como as cidades são os maiores centro econômicos e possuem maior história no futebol, eles são que recebem o maior fatia destes valores, começa a criar um abismo no futebol brasileiro. Já que eles possuem dinheiro para investir em melhores jogadores.

A tendência natural agora nos pontos corridos é que os times do “Eixo” fiquem a cada ano mais rico aumentando ainda mais a diferença entre os demais times. Fazendo com que a afirmação de Perrela (dirigente do Cruzeiro) faça total sentido: “Daqui pra frente, os grandes de SP e RJ nunca mais cairão, a não ser por uma atrocidade administrativa” (Perrela disse isso no final de 2008.)

Condeno a forma como é julgada a distribuição de cotas de TV, acho que deveriam ser baseadas em campeonato disputado, é pago um montante para a transmissão da Série A e esse montante é distribuído de forma igualitária. Da mesma forma, nas demais divisões.

Em compensação não condeno esse abismo que começará a se criar. Concordo que a tendência natural seja essa mesma, e não condeno, sinceramente acho absurdo a quantidade de times de futebol que existem no Brasil, me assusta, saber que alguns torneios estaduais somando todas as divisões chegam a ter 100 clubes, ouso dizer que durante os estaduais em nossas 27 federações, temos 1000 times disputando os estaduais.

Temos que ser coerentes, não existe espaço para todos esses times no Brasil, acho que esse abismo financeiro que começa a ser criado no futebol, condenará os estaduais a extinção, vários clubes não terão mais como pagar a conta e fecharão as portas.

Eu acredito que em no máximo 10 anos, teremos apenas Brasileirão e Copa do Brasil como campeonatos a disputar, algo parecido com o que ocorre nos demais países do mundo. Alguém já parou para reparar que só no Brasil existem os estaduais? Sei que muitos dirão que o Brasil tem dimensão continental e que isso justifica a quantidade de clubes, então me digam porque nos EUA, não temos 1000 times de futebol americano, ou 500 pelo menos e mais 500 de basquete?

Esse abismo financeiro pode condenar vários times conhecidos, mas que não performam mais, por exemplo Juventus-SP, Brasil de Pelotas, Olaria-RJ, Remo-PA, Inter de Limeira podem deixar de existir.

Que alguns clubes pequenos já tratem de cuidar bem da sua história, pois daqui a pouco só isso restará…

Desabafo de um amador!!

O futebol como já dizia o velho ditado: “É uma caixinha de surpresas!”. Às vezes, surpresas ruins e outras vezes boas. Caso, como o de Ronaldo com o Corinthians, Washington com o São Paulo e por último Robert, Zago e Diego Souza com o Palmeiras mostram cada vez mais a face amadora a qual se esconde o nosso esporte mais querido.

O Brasil historicamente teve o futebol como desafogo, o esporte que chegou no final do século XIX para ser mais uma atividade elitista, se viu no final da Primeira Guerra Mundial dominado pelas classes mais populosas. Contudo, essa massificação que o futebol ganhou, trouxe consigo a desorganização do esporte. O oba-oba gerado pela chegada do esporte desviou a atenção, daquilo que hoje reclamamos tanto, a Profissionalização do nosso querido esporte.

Nesse contexto de desorganização onde surgiu o esporte, as pessoas pareciam acreditar que quando ” a poeira baixasse”, o tempo daria conta de ajudar a arrumar a casa, mas o que se viu ao longo do tempo, foi cada vez mais o amadorismo dominar e com o passar do tempo, dar lugar ao coronelismo pilantra que domina o futebol até hoje.

Se antes, esse amadorismo era visto de forma saudosa, hoje dá ânsia.

Não existe gestão profissional nos clubes, os jogadores são tratados como crianças, os treinadores como o “bedel” chato e os dirigentes como o órgão público que não ganha nada, não investe nada e só aproveita o cargo para ter uma vida confortável.

Até quando, os jogadores terão regalias que nenhum profissional tem. No meu entender, quando eu assumo um emprego, tenho meus compromissos, minha carga horária de trabalho para cumprir e meus descansos. O que eu faço no meu intervalo é problema único e exclusivo meu. Minha obrigação é com minhas entregas no trabalho, se entrego ótimo, se não entrego preciso justificar porque, é bom ser bem justificado.

Ou seja, se o jogador quer sair para a balada e chegar atrasado no treino, não é problema do clube ou do treinador é do jogador, aplica-se uma advertência, e assim sucessivamente até demiti-lo por justa causa. Ou mais simples ainda, no dia do jogo quando alguém perguntar o motivo de fulano não estar em campo, simplesmente responder, “o fulano chegou às 06 da manhã hoje, e não possui a menor condição de jogo”.

Sinceramente, não entendo essa postura dos clubes brasileiros, pior ainda é a alienação dos torcedores que acham mais fácil pichar muros, ou pagar o ingresso para xingar o time ou o jogador. Não seria mais inteligente ser mais atuante como um sócio do clube, fazer valer seu direito como sócio.

É eu sei, é difícil mesmo, não lembramos nem em quem votamos na eleição passada, ou pelo menos quem esteve envolvido nos escândalos de mensalão ou dinheiro na cueca. Nossa memória curta afeta nosso longo futuro.