Bielsa, Duncan e Verstappen…

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O que Verstappen e Duncan podem ensinar para Bielsa?

E o que eu estou fazendo ao misturar F1, NBA e futebol?

Esportes de alta performance exigem decisões grandiosas constantemente, e que ao longo do tempo serão pesadas pelo caráter das escolhas, sacrifícios e resultados obtidos.

Bielsa fechou com a Lazio e dois dias depois foi avisado pela Federação Argentina que uma possibilidade de assumir a seleção existia. O treinador então, levado pela emoção, optou por voltar atrás no contrato com o clube italiano, e para piorar tentou se escorar em fatos que não se sustentavam.

Enquanto isso, Verstappen, viu uma chance de dentro da temporada de F1 de trocar de escuderia e correr um risco tremendo, agarrou a possibilidade e vem mostrando que tanto ele, como a própria Red Bull fizeram certíssimo com a decisão, O garoto vai mostrando o quão prodígio é, sendo o mais jovem a vencer uma corrida e na temporada atual, desde que assumiu o volante da Red Bull, só Hamilton fez mais pontos que ele, superando inclusive, o líder do campeonato, Rosberg.

E para ainda completar a lista, Duncan resolveu anunciar sua aposentadoria. Aquele que carisonhamente, apelidei de Rivaldo do basquete, pois não faz lobby nenhum, não se promove e ambos esbanjaram talento além da conta e foram pouco reconhecidos. Decisão difícil, mas que o próprio desempenho na temporada passada o fez refletir e mais uma vez não ser egoísta.

Entre a decisão de um jovem e a decisão de um veterano no esporte, o que mais fica evidente é o legado que se deixa a partir de cada passo, construido na sua carreira. Verstappen ainda engatinha, mas mostra a personalidade necessária e a firmeza das escolhas, o tempo dirá em qual local da hierarquia dos pilotos ele estará.

Assim, como Duncan, que também em seu ato final como jogador de basquete foi coerente com seu legado, não precisou de alarde, nem de grandes movimentações, contribuiu o máximo que pode com o time que ele escolheu e soube a hora que não estava mais contribuindo tanto. Seu legado é firme, consistente e gigantesco na NBA.

Bielsa, começou prodigioso na função de treinador e ultimamente tem se destacado mais pelas confusões ou falta de palavra no cumprimento dos contratos do que outra coisa, é hora de se reinventar, olhar de verdade para ver qual o legado que ele está entregando como treinador.

As vezes, olhar um pouco para exemplos fora do futebol podem ser a solução.

Nossos ídolos perecíveis…

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Fiquei pensando em escrever sobre a derrota do Cruzeiro ontem, sobre o empate em Madrid, sobre os possíveis cruzamentos da Libertadores e até mesmo sobre a possível chegada de Sabella. 

Mas sempre vinha a minha mente que a Jovem Pan mandou embora Claúdio Carsughi. 

Sempre considerei Carsughi um bom comentarista de futebol e um excelente comentarista de fórmula 1.

Além disso, toda sua origem italiana (Carsughi é de Arezzo e torcedor do Fiorentina) dava um toque especial quando era destinado a comentar partidas do Calcio. Mas acima de tudo, Carsughi era uma enciclopédia viva, ambulante sobre futebol. 

Carsughi me fez relembrar o como não valorizamos aqueles que já vivenciaram o mundo, e não somente sobre esporte, sobre a vida como um todo.

O quanto desrespeitamos a história de alguém, aqui no Brasil temos a coragem de reclamar do pênalti perdido por Zico em 86, das declarações mais polêmicas de Pelé, ridicularizamos um monstro sagrado como Zagallo e o que falar de nossos demais ídolos. 

O brasileiro tem problema para entender, valorizar e respeitar os mais velhos.

Isso não significa abdicar de olhar para frente, tampouco acreditar que eles são os melhores e sempre estarão certos, mas não saber olhar para a história que aquela pessoa já escreveu é de uma falta de inteligência. 

Até Senna talvez um dos maiores (no meu caso, o maior) ídolos nacionais, teve um instante após sua morte que até sua orientação sexual foi discutida afim de diminuí-lo, como se isso fosse motivo para diminuir alguém ou mudar a história maravilhosa dele. 

Carsughi pode nem estar no hall dos maiores comentaristas brasileiros, mas a sua história e a forma simplista que ele foi tratado dentro da rádio, mostra que esse problema cultural persiste.

Continuamos comemorando demais o ídolo de agora, mas continuamos tratando eles como objeto perecível.