Se organizar, todo mundo joga…

autuori250516

Quarta-feira está quase definido como o dia onde escrevo sobre as mazelas do nosso futebol, daqui a pouco vou criar uma categoria “por um futebol melhor” e depois criar um livro sobre ideias soltas pela melhoria do nosso querido futebol, quem sabe?

Bom, dessa vez o que me surpreendeu foi uma rápida entrevista que Paulo Autuori deu ao blog do querido Menon, a entrevista transcorreu por email,apesar de breve, trouxe um detalhe que eu  não conhecia e que me deixa sempre mais encafifado.

A pergunta basicamente era porque os técnicos argentinos dão mais certo do que os brasileiros.A pergunta que tinha uma opinião sobre o idioma, foi respondida por Autuori com um dado que olhei perpelxo.

Autuori disse que o idioma ajuda, mas que o principal fato é que na Argentina eles tem um curso de formação de treinadores reconhecido pela UEFA, logo reconhecido pela FIFA, logo reconhecido “por geral”, já a nossa formação é reconhecida pela representativa federação asiática, ou seja, por isso que um monte ficam fazendo estágio no Japão e apanham na Europa.

Fico pensando o que impede montar um curso de verdade que seja certificado pela UEFA, ser certificado pela UEFA não significa que não pode ter as características do nosso futebol, mas algumas premissas universais seriam respeitadas. Aí, o problema é que parece evidente o porque.

O brasileiro gosta de viver no caos, ou pelo menos aprendeu a conviver assim. Isso tem motivos óbvios do ponto de vista político, é mais fácil manipular e agradar as pessoas no caos, do que em algo organizado. Sem entrar tanto no ambiente macro, pois gastaríamos semanas, falando sobre.

Dentro do futebol, o problema é que se realmente profissionalizar de verdade, formar treinador de verdade, papéis definidos das federações, vão começar a perceber os incompetentes, que tem gente sobrando, que tem dinheiro sobrando e etc…

No final como diz o ditado, “se organizar, todo mundo joga”.. Uma leve adaptada, com a premissa da licença poética…

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Treinador da noite para o dia…

miltonmendes120815

Esse Brasileirão ainda está longe de acabar, mas por uma característica ele já me chama atenção.

A mudança das caras de nossos treinadores.

Daqueles que chamamos de velha guarda restam Luxa, Levir e Celso Roth, sendo que só último parece continuar na velha guarda. Luxa e Levir, ambos em Minas mostram renovação em suas propostas, vale lembrar que Luxa era vanguarda em seu tempo.
Contudo queria falar sobre dois casos e o que eles representam. Roger (Grêmio) e Milton Mendes (Atlético-PR).

Sobre Roger, a goleada sobre o Inter foi mais do que a competência dele, mas também um exagero do futebol para permitir a ele tranquilidade suficiente para seguir o trabalho. Roger caiu de para quedas no comando do Grêmio, teve início excelente e na primeira oscilação, choveram críticas. Mania nossa, de ter paciência infinita com os coronéis boa praça de boné e qualquer coisinha bater nas novidades.

Roger é o caso típico do treinador brasileiro. Jogador que estuda e se prepara pela prática, por vídeos, não faz nenhuma formação, a vivência o forma treinador, pequenos cursos, pequenos estágios e conversas com grandes treinadores é o que preenchem esse currículo.

Milton Mendes é o treinador que rotulamos de europeu. Estudioso de verdade, formado, único brasileiro com formação grau 4 pela UEFA Pro, no Brasil, além dele só Osório. Treinador com preparação para exercer o cargo e que agora vai ganhando espaço para falar sobre o tema.

E ele falou sobre a questão da formação de nossos treinadores. E aí dou toda a razão para ele. Milton disse que não se pode brincar de dar o cargo de treinador para qualquer um, que no Brasil assim como na Europa a formação dessas pessoas deveria ser obrigatória. Não é porque você como jogador sabia olhar bem o jogo que você se dará bem como treinador.

Eu que sou um profissional de RH, sei o quão diferente é essa mudança de degrau. Sair de ótimo vendedor, para coordenador de vendas, de ótimo analista financeiro, para gerente. É outra função. É outra chave, tudo aquilo que você aprendeu, apenas te levou até ali, agora a brincadeira é outra. A preparação para essa troca é fundamental, ou o tempo para que o profissional erre muito é gigantesco.

Treinador no Brasil é assim. Dorme jogador, acorda técnico. Durante bons anos, apanha muito por times pequenos, se arrisca em um time grande, vê um elenco boicotar ele e só depois de 10-15 anos na labuta é que alguns começam a colher os frutos.

O que Milton defende é apenas que todos sejam preparados antes de assumir o chapéu de treinador, para que outros Rogers (Grêmio) não precisem contar com o tripé sorte-competência-goleadaemclássico para ter tempo para aprender na prática.

Que eles durmam jogadores, acordem vão para a escola primeiro e depois se formem treinadores.