Quadrilha… de treinadores…

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E se as quatro primeiras rodadas do campeonato pareciam estranhas, as duas seguintes já relembraram o que é o nosso futebol.

Ao final das quatro primeiras rodadas nenhum treinador havia sido demitido, em um campeonato onde normalmente a média é de um por rodada, esse cenário era esperançoso, contudo, rapidamente já vemos 7 trocas de comando.

Flamengo, Fluminense, Cruzeiro, São Paulo, Avai, Joinville e Palmeiras já não possuem o mesmo treinador que dirigiu o time na primeira rodada. Dentre eles, apenas o São Paulo possuia a situação de um interino e anunciou seu novo comandante já com o campeonato rolando.

Contudo, já nem sei o que me incomoda mais.

Se a decisão de jogar tudo para o alto e simplesmente rasgar sem o menor pudor o planejamento.

Se a prostituição dos treinadores, ao aceitarem qualquer elenco, qualquer proposta, apenas para ter um contrato polpudo e de preferência com uma boa multa em caso de rescisão.

Se a imprensa, como já dito em texto da semana passada, que adora uma polêmica e mina o trabalho de qualquer um sem a menor preocupação.

Ou se os jogadores que também adoram um corpo mole e o poder de derrubar um treinador.

Só para se ter uma idéia, Cristovão que não servia para o Fluminense, agora serve para o Flamengo, onde Luxa não servia, mas agora serve para o bicampeão brasileiro, que mandou Marcelo Oliveira embora e que provavelmente irá para a vaga de Oswaldinho que não servia para o Palmeiras, que também saiu recente do Santos onde nem ele, nem Enderson serviam, Enderson que assumiu o Fluminense lá do começo do parágrafo.

Entenderam?

 

Carlos Drummond parece ter escrito “Quadrilha” para essa dança dos treinadores.

QUADRILHA

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi pra os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.

Troque nomes masculinos por treinadores e femininos por clubes que dá para se ter uma ideia.

Acho que agora vai……

sem-rumo

Não achei que escreveria sobre o Rio tão rapidamente, mas a demissão de Cristovão me fez querer teclar mais algumas linhas sobre o futebol carioca que agora convivo tão de perto.

Eu fico tentando entender o que leva um presidente de clube trocar seu treinador no início da pré-temporada. E o chavão mais clássico para a única resposta aplicável nesse caso, “é mais fácil trocar um do que onze”. Ou seja, a prova que o amadorismo ainda ronda os clubes vez ou outra.

Nem digo que Cristovão era bom ou Drubsky é ruim, nem se um é melhor do que outro é apenas uma questão de planejamento.

Você consegue medir o resultado de Cristovão e dizer se é bom ou ruim no Fluminense, a partir daí, basta escolher no início da temporada se dá sequência a esse trabalho ou não. Trocar no final de Março o treinador é condenar o time a reformulação nesse ano.

Repasso cinco perguntas que penso quando acontecem essas trocas de treinadores no meio de um ano.

– Quantos jogadores ali foram contratados pelo novo treinador?
– Quanto tempo o novo treinador terá para conhecer o planejamento da equipe para os próximos anos?
– Quanto tempo ele demorará para conhecer o elenco que possui?
– A partir daí, quanto tempo para ele passar sua filosofia de jogo e o time começar a jogar com a sua cara?
– Pra que a pré-temporada?

Ou seja, Drubsky pode ser um gênio como treinador, ou até mesmo um cara com muitas ideias inovadoras para colocar em prática, porém, diante do momento, é conhecer o time e montar uma proposta simples de jogo, para quem sabe o time estar pronto lá pela décima rodada do Brasileirão.

Por isso digo que o velho chavão é a única resposta, o presidente não quer dor de cabeça, troca o treinador apenas para agradar o pensamento imediatista do torcedor e para ver se alguns jogadores mudam de atitude com a demissão do “ex-professor”.

E você torcedor dirá: “Acho que agora vai!”.

Será que vai? Ou melhor, vai para onde?

Para uma média de 2 gols, um técnico precisa sair…

E ainda faltou Coritiba, Santos e Inter, em apenas 7 anos. E ainda pode pintar mais um clube nas próximas horas.. Ele está errado?

E ainda faltou Coritiba, Santos e Inter, em apenas 7 anos. E ainda pode pintar mais um clube nas próximas horas.. Ele está errado?

Se alguém lhe dissesse que a média por rodada de técnicos que saem do Brasileirão é apenas metade da média de gols por jogo, você acreditaria?

É essa a conta do nosso campeonato.

São 18 rodadas com 379 gols em 180 jogos, o que dá uma média de 2,11 gols por jogo. Já no banco de reservas, a cada uma rodada, um treinador sai. Ou seja, se o campeonato não traz emoção nos jogos, os clubes dão um jeito de conseguir alguma.

Ontem, Oswaldo e Gareca cairam. O primeiro sem um motivo mais grave, já que tinha conquistado boa vitória na Copa do Brasil e vinha em boa colocação no Brasileirão, o segundo foi o típico caso onde sobrou paciência com os resultados, mas a escolha foi completamente errada.

Gareca não podia assumir um time no meio do campeonato mais importante, sem o menor conhecimento do futebol brasileiro.

Contudo, tirando a questão de conhecimento do nosso futebol, a outra questão (assumir no meio do campeonato) deveria ser critério de sucesso para todo presidente de clube. Basta olhar quem são os únicos clubes que não trocaram o comando.

Adivinha?

Cruzeiro, Inter, São Paulo, Corinthians e Fluminense, curiosamente os cinco primeiros. Apenas uma grata surpresa.

E ainda tem mais curiosidade, para mostrar que trata-se de uma questão cultural, veja, vamos comparar com nossa querida Alemanha.

Vocês sabiam que em 100 anos de história da nossa seleção canarinha, tivemos 54 professores? O número alto, pensando na quantidade de partidas que a escrete faz por ano. Contudo, vamos ver como são as coisas na turma do 7×1.

A Alemanha em seus 106 anos de existência teve o absurdo número de 10 treinadores. Sim, a quantidade exorbitante de 10 Trainer. Basta ver Joachin Low que era assistente de Klinsmann e assumiu a seleção desde 2006. 08 anos e que prometem ultrapassar a média deles de 10 anos.

É chato bater na tecla do 7×1, mas algo precisa ser feito para parar com essa constante dança de cadeiras de treinadores. É necessário cobrar seriedade de quem comanda, inclusive para ver quem é realmente treinador.

No nosso formato atual, não criamos treinadores, criamos apagadores de incêndio.

Depois é difícil entender porque nenhum dá certo lá fora e porque nunca Guardiola teria sucesso aqui.