Meu melhor camisa 10!!

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Minha cara da péssima, por causa do sol, mas a alegria é inenarrável!!

Eu ia escrever sobre o Messi, mas como tenho um motivo muito melhor hoje, deixarei essa história do argentino ganhar mais alguns capítulos, principalmente de ordem política, para me manifestar depois.

Hoje é aniversário do meu pai, do meu velho, do meu craque, do meu camisa 10. Essa coisa de morar em outro estado, nos torna mais saudoso, pois vejo menos ele desfilando seu talento nas peladas em São Paulo.

Talvez muitos de vocês não saibam, mas a inspiração dentro de campo do meu blog, é ele. Quem conhece, sabe o camisa 10 que ele é, daqueles que armam o jogo, finalizam de tudo quanto é jeito e que resolvem uma partida.

São várias as histórias contadas pelos outros de como ele resolvia as peladas por aí. Mesmo entre meus amigos, aquele senhor com quase 30 anos a mais que a molecada sobrava.

É muito curioso, a compensação das coisas, se dentro de campo ele puxa a responsabilidade e algumas vezes chega a ser egoísta para resolver as coisas, pois confia no seu potencial, fora dele, ninguém é mais altruísta que ele.

Está para nascer alguém com o coração tão bom, tão boa gente quanto ele, juro que tento ser igual, mas não é fácil não. Quantas vezes na minha adolescência, ele fez questão de me buscar e levar para qualquer lugar e a qualquer hora, e olha que eu não queria, achava abuso e mesmo assim ele fazia questão. E eu nunca tive aquela “vergonhinha” adolescente de não querer mostrar que chegava com o pai de carona, sempre tive muito orgulho.

Porque desde pequeno, ele me apoia muito, as vezes até me mima demais, fica sem jeito em me dar bronca, vê se pode, mas está sempre lá com aquela cara, fingindo que está em outro mundo, mas sempre sentinela e dando um jeito de estar em vários lugares ao mesmo tempo para nos socorrer.

Eu sei o quanto ele imaginou ser um nome destacado nos campos de futebol por aí, e o quanto sua disciplina e respeito aos valores familiares falaram mais alto e o fizeram optar por uma carreira empresarial ao invés dos gramados.

Eu sei também o quanto era certo de que ele seria um grande jogador, para quem conhece sabe que é muita bola para esse “jovem senhor” que completa 57 anos hoje.

Mas se algo pode confortar na minha seleção da vida, é ele e mais dez. Ele é o meu melhor camisa 10

Obrigado pai, te amo!

Esse armário pesado do futebol…

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E o Estados Unidos pode ser muito marketing, porque ainda carrega muito preconceito em todo o seu estado, mas pelo menos, as grandes marcas não se escondem de tentar mudar essa história.

Em menos de uma semana, duas histórias distintas mostram duas grandes marcas na luta pela causa LGBT. Primeiro, após o terrível atentado em Orlando o time de Kaká que fica na mesma cidade fez uma ação de incentivo para a causa durante o jogo, além de comunicação visual fixa durante o jogo e uma verba destinada para ajudar na causa.

Além disso, pela segunda vez na história a NBA pode ter seu segundo jogador assumidamente homossexual, durante o DRAFT, o menino Derrick Gordon pode ser escolhido, ele que assumiu quando atuava pelas ligas universitárias sua orientação sexual.

Aí, entrei em uma discussão breve com um grande amigo e assíduo leitor do blog, André Russo, sobre o quão distante estamos de fazer ações como essa no futebol. E cheguei a conclusão que não apenas aqui em terras tupiniquins, mas em todos os grandes centros de futebol, é difícil imaginar tais acontecimentos.

Certa vez, vi uma campanha da liga belga (se eu não me engano) sobre o apoio ao jogador “sair do armário”.

Porém, acho que o machismo e o preconceito velado (que é o pior para mim) tornar muito difícil um grande clube fazer qualquer ação de apoio a comunidade LGBT, quiça receber um atleta assumidamente homossexual em seu elenco.

Lembro quando certa vez foi anunciado na Globo que algum jogador de futebol iria assumir sua homossexualidade e gerou aquele burburinho, porém na hora mesmo do programa, a assessoria de imprensa do jogador voltou atrás e cancelou a entrevista, orientada (diga-se pressionada) pela diretoria do clube.

Por isso acho que a ação americana, principalmente dentro do Orlando City foi possível, além de uma cidade que vê seu time apenas engatinhando sua história, é um país onde o futebol não é uma referência de esporte masculino para eles.

Não estou diminuindo a ação americana, pelo contrário, acho incrível que souberam aproveitar o momento e o posicionamento que o futebol possui na sociedade deles para promover a ação, assim como no caso do atleta da NBA é de uma coragem ímpar.

Contudo, acho que por aqui ou nos grandes clubes europeus, esse preconceito segue da pior forma, o velado, onde todo mundo adota a postura social de negar qualquer tipo de preconceito, mas se omite em qualquer situação que exija um posicionamento.

O problema é porque o armário deve ser antigo, aí é bem mais pesado (madeira maciça) para carregar e deixar a porta livre para ser aberta.

É preciso realmente ser co-irmãos…

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O mimimi de Roberto de Andrade é o retrato mais evidente de como funciona o futebol em nosso país.

Somente o meu ponto de vista interessa, somente aquilo que me interessa eu me posiciono, o resto fica para cada um cuidar do seu problema. Aliás, trouxe o exemplo de Roberto de Andrade porque apesar de gostar no geral de sua atribuição como presidente de um grande clube e ele tem passado por situações antagônicas.

O próprio Roberto que reclamou do que a CBF fez com Tite, foi lá e fez igual com o Grêmio, ao tentar convencer o treinador a ir atuar em seu time. Foi o próprio Roberto que disse que o problema da Portuguesa era só dela, ao invés de sentar e decidir por uma melhoria dos clubes coletivamente.

Foi ele também que já exigiu punição para torcida organizada rival, mas colocou a do seu clube para conversar em uma salinha com os jogadores do seu time, em puro ato de coerção ao elenco.

E que fique claro, usei o Roberto de Andrade como exemplo pelos casos recentes, isso repete com recorrência absurda pelo Brasil inteiro. É o oportunismo e imediatismo brasileiro que aflora, é como dizemos várias vezes o futebol explica o Brasil e vice versa.

Nada do que acontece na nossa sociedade não está espelhada ali dentro dos campos, é preciso muito mais que medidas, é necessário mudança de cultura, de valores, uma transformação profunda na forma como vemos as nossas relações.

Em recursos humanos, na área que trabalho, o que vemos cada vez mais é o fim da relação de independência, o que está em evidência é a interdependência, a necessidade de todos se ajudarem para permanecerem vivos.

Cada clube pode ter sua autonomia, sua forma de se gerenciar, de como quer atuar dentro do mercado do futebol, quais serão seus parceiros principais e como será a relação com cada um e qual o papel, porém é fundamental que se entenda, que sem os demais clubes, ele também morrerá.

Os clubes precisam entender, que acabou a fase que bastava pensar em si, para a sua sobrevivência é preciso que todos sobrevivam, sozinho um clube não terá função nenhuma no futebol.

A interdependência é premissa básica para todos no futebol hoje em dia, se não o colapso que já se evidencia, será inevitável.

Nunca a palavra co-irmão fez tanto sentido para a continuidade do nosso querido futebol.

“Todos os esportes coletivos tem o mesmo objetivo”

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Trazendo mais um pouquinho do que li no livro de Guardiola!

Em determinado momento, Guardiola traz um conceito para definir universalmente todos os esportes coletivos, segundo ele, em qualquer esporte coletivo, a posse de bola deve ser obtida no intuito de enganar o adversário, manter a posse em um lado e de repente em um rápido movimento, levar a bola para o outro lado afim de encontrar alguém com mais espaço para definir.

Essa declaração veio após uma revolta de Pep sobre o Tiki Taka, o espanhol disse que odeia o Tiki Taka, porque a posse de bola por posse de bola é uma grande besteira.

Olhando para a definição dele, é impressionante como por mais que outros tenham percebido anteriormente, a declaração de Pep traz para nós que ficamos aqui apenas no pitaco um conceito simples para se entender o esporte coletivo.

Baseia-se em ter a bola e trazer o rival para um espaço do campo onde você terá domínio, porém como esse espaço estará muito povoado, caberá ao time, mudar rapidamente o local onde a bola estará para encontrar alguém livre e com um espaço maior para concluir a jogada.

O mais impressionante é que seja no vôlei, basquete ou handebol (trouxe esses três como exemplos mais próximos do que praticamos nas aulas de educação física na escola) o conceito é o mesmo, o trabalho coletivo é feito para que alguém em algum momento tem espaço para concluir a jogada com a menor pressão de marcação possível.

Parece trivial, parece a coisa mais óbvia do mundo, mas a forma como alguém executa é a grande diferença, porque não envolve somente treinamento, desculpem a redundância, mas “envolve envolver” o jogador, fazer com que ele entenda e tenha confiança em executar, que ele tenha em mente tudo que pode acontecer no momento seguinte, desde a execução correta do movimento até a errada.

Como Pep diz, para você ter a bola, você precisa querer ela, atacar o adversário é fundamental o quanto antes para ter a bola novamente para si.

E aí como sempre que Pep é fantástico, a sensação que no xadrez do futebol ele conhece todos os movimentos possíveis, todos, não existe nada que passe desapercebido, e é dessa forma que seus jogadores possuem total segurança de tudo que pode acontecer.

Sou um apaixonado pelo futebol como todos vocês sabem e essa biografia do Pep foi um belo soco no meu estômago, até em uma biografia Pep consegue ampliar nosso olhar para o jogo de futebol.

Se organizar, todo mundo joga…

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Quarta-feira está quase definido como o dia onde escrevo sobre as mazelas do nosso futebol, daqui a pouco vou criar uma categoria “por um futebol melhor” e depois criar um livro sobre ideias soltas pela melhoria do nosso querido futebol, quem sabe?

Bom, dessa vez o que me surpreendeu foi uma rápida entrevista que Paulo Autuori deu ao blog do querido Menon, a entrevista transcorreu por email,apesar de breve, trouxe um detalhe que eu  não conhecia e que me deixa sempre mais encafifado.

A pergunta basicamente era porque os técnicos argentinos dão mais certo do que os brasileiros.A pergunta que tinha uma opinião sobre o idioma, foi respondida por Autuori com um dado que olhei perpelxo.

Autuori disse que o idioma ajuda, mas que o principal fato é que na Argentina eles tem um curso de formação de treinadores reconhecido pela UEFA, logo reconhecido pela FIFA, logo reconhecido “por geral”, já a nossa formação é reconhecida pela representativa federação asiática, ou seja, por isso que um monte ficam fazendo estágio no Japão e apanham na Europa.

Fico pensando o que impede montar um curso de verdade que seja certificado pela UEFA, ser certificado pela UEFA não significa que não pode ter as características do nosso futebol, mas algumas premissas universais seriam respeitadas. Aí, o problema é que parece evidente o porque.

O brasileiro gosta de viver no caos, ou pelo menos aprendeu a conviver assim. Isso tem motivos óbvios do ponto de vista político, é mais fácil manipular e agradar as pessoas no caos, do que em algo organizado. Sem entrar tanto no ambiente macro, pois gastaríamos semanas, falando sobre.

Dentro do futebol, o problema é que se realmente profissionalizar de verdade, formar treinador de verdade, papéis definidos das federações, vão começar a perceber os incompetentes, que tem gente sobrando, que tem dinheiro sobrando e etc…

No final como diz o ditado, “se organizar, todo mundo joga”.. Uma leve adaptada, com a premissa da licença poética…

Parabéns Pirlo e pelo direito de comemorar o gol!!

Hoje o post é curtinho, sexta-feira é dia de contemplar a beleza que o futebol permite!

Hoje é aniversário de Pirlo, um monstro da minha geração ali onde o jogo começa a ser criado, como volante, como regista, como maestro de um time. Então, curtam os vários gols de falta que ele se especializou em marcar.

E aproveitar o pós video para dizer que ontem durante o jogo do Boca, lembrei de como é retardada a regra da comemoração do gol, seja pelo cunho religioso, político e principalmente pelo motivo comercial, a regra de não tirar a camisa de castrar a comemoração é idiota, priva a espontaneidade da alegria de fazer um gol.

Sou a favor sim, do cara ser punido por usar o jogo para uma manifestação diferente da alegria do gol, seja uma mensagem política, religiosa ou qualquer outra coisa.

Agora deixa o povo comemorar e curtam os gols do Pirlo!!