Neto: “Sempre vou lembrar a gente entrando no avião. Eu estava meio assim de voltar aqui…”

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Crédito: Página oficial da Chapecoense

“É uma situação muito difícil. A gente estava defendendo uma final. Vivi muito tempo com companheiros que se foram, mas Deus tem um propósito para todas as coisas e me escolheu para que algo fosse feito. Tenho que recuperar, porque tenho lesões importantes e uma hora ou outra eu teria que vir para cá e lembrar de tudo. É duro às vezes porque tinha gente que conhecia desde os 17 anos e ficamos sentidos com isso tudo. Tem uma hora que temos que encarar a realidade. Eu queria estar com eles, não aqui sozinho. Mas eu tenho que encarar isso.”

“A batida, como aconteceram as coisas ainda está muito frescas. A situação como acordei e vi todo mundo (equipe médica). Eu pensando só no jogo, né. A mente bloqueou tudo. eu perguntei pro doutor o que tinha acontecido comigo e a gente vê como as pessoas olham com outros olhos. Antes falavam que era jogar, como ídolo. Hoje as pessoas me veem como milagre. A gente vai contando aos amigos. A vida é uma luta constante.”

“Sempre vou lembrar a gente entrando no avião. Eu estava meio assim de voltar aqui. A gente tem que ser forte. Se chora de mais se deprime. Passar o Natal em casa, minha esposa falou que a primeira vez que me viu e não acreditava que era eu. Rasgou tudo: pálpebra, nariz, orelha, cabeça.”

“Eu tenho saudade, mas só penso coisas boas. A gente comentava muito entre a gente que não imaginávamos ir à final e falávamos que íamos ficar para a história. E a gente ficou na história de certa forma. Eu tenho que melhorar a minha mente. Vira e mexe eu me pego chorando quando lembro do que vivi aqui dentro, mas tenho que recuperar, tenho certeza que os caras estão com Deus. É um lugar melhor que a gente está, tenho certeza.”

“Primeiro tenho que recuperar minha saúde, minha mente, vir aqui é o que vai me dar força. Eu fiquei 10 dias apagado, em coma, então para me contarem a verdade foram mais 5 dias. 15 dias depois eu não sabia de nada. Para mim está sendo tudo meio novo, mas tenho que encarar, não tem para onde correr. Ou encaro e represento eles como eram ou vou me afundar em depressão.”

“Quando eu falo que estou um caco, minha esposa fala que eu não me vi antes. Para mim, eu estou muito mal. Não era para eu estar aqui. Tenho quase 10 kg para recuperar ainda. Eu me sinto frágil, lesão no pulso. Ninguém imagina estar em uma situação dessas. Eu não sabia nem ficar em pé e engolir comida. Quando entrei no chuveiro pela primeira vez parecia o mar do Caribe de tão bom”

“Eu fico emocionado de estar em casa, mas quem foi lá e me viu do início fica ainda mais emocionado que eu. Algumas pessoas falam que pensavam que eu fosse embora. Para mim tem sido uma bênção. A gente não escolhe. Eu falo para vocês: foi Deus que me colocou aqui”.

“A situação que vivi não tinha essa de força e treino. Eu sei que muita gente orou por mim quando descobriu que eu estava vivo. Eu não posso responder todo mundo. Eu gostava de ficar no celular e no videogame, eu fico até nervoso no videogame que eu perco: eu falo que não sou eu. A família me olha com um brilho. Eles me viram em uma situação precária”.

“Os médicos falaram que eu tenho tudo para voltar a jogar o mais rápido possível, talvez no meio do ano. Eu estou programando um passo de cada vez. tem que recuperar e depois a mental. Quando eu penso hoje que eu vou entrar em campo eu me vejo emocionado, mas eu tenho pensado muito em recuperar as lesões e andar sem muletas”

“Para mim fica uma lição de que coisas simples, estar com família, amigos, esposa, são momentos que parecem normal, mas a vida nossa…é como um sopro. A gente não sabe o dia de amanhã. Eu acho que estou melhorando bem. Tive uma lesão importante no joelho, na coluna, mas nada que seja cirúrgico. Eu acho que eu estou melhorando só de ver meu jeito. Foi algo muito grave e graças a Deus ainda tenho chance de voltar a jogar bola”

Essas declarações foram dadas por Neto hoje, ele que foi um dos sobreviventes da tragédia que levou quase todo o elenco da Chapecoense além de vários profissionais da imprensa esportiva.

Não tem como não tocar o coração e guardar o último parágrafo das declarações dele, em meio a tanto horror que segue nesse início de 2017, aprender ou reaprender o valor de uma vida que seja um mantra importante nesse ano.

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Meu pedido ao Papai Noel

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Eu sei que o Papai Noel já passou, mas como ele é um bom velhinho queria deixar aqui um pequeno pensamento sobre como eu vejo que o futebol possa fazer para contribuir com o ideal natalino.

Eu acho que o esporte molda o caráter e também depois de certo tempo mostra como é o caráter e personalidade de cada um.

Tem jogador que troca de time tranquilamente, não tem compromisso com o time e tampouco em entender a paixão do esporte, provavelmente é alguém que combina algo com um grupo de amigos e desmarca depois por algo que ele considerou mais vantajoso sem nenhuma vergonha.

Tem jogador que apesar de tudo conspirando contra e um mundo caindo, não quer sair do clube, acha que possui uma dívida com ele, porque foi ele que abriu as portas para a carreira dele, pode ter certeza de que você não encontrará pessoa mais fiel ao seu lado.

Isso sem falar nas características dentro de campo.

Tem jogador que arrisca passe, arrisca chute, arrisca drible, arrisca tudo. Sabe aquela pessoa que se joga sem medo, sofre as consequências por se expor demais, falar demais, fazer demais, é ele.

Agora tem o outro, aquele que só ataca na boa, só chuta quando não tem como errar, passe lateral sem a menor possibilidade de erro, é praticamente aquele amigo que tem a rotina estabelecida da mesma forma nos últimos 10 anos, mudar qualquer coisa é um suplício para ele.

Mas acima de tudo, o futebol pela coletividade que ele impõe, faz tudo mundo respeitar todo mundo, faz o mais falante lidar com o tímido, porque durante o jogo um precisa do outro para vencer, faz o rico dividir o almoço com o pobre sem distinção, porque o uniforme é igual, a refeição é igual, o banco onde sentam é o mesmo.

O futebol não permite preconceito (ou não deveria), porque dentro de campo, independente da sua orientação religiosa, sexual e seja lá qual mais, o time junto e com todos estarão lá em busca da vitória.

Portanto, bom velhinho, se tem algo que eu quero te pedir nessa cartinha atrasada, é que as pessoas entendam que o futebol é gregário, característica essencial para o ser humano sobreviver.

E em tempos onde é tão difícil entender que dividir não é subtrair, espero que o futebol e os demais esporte ajudem a melhorar cada vez mais a convivência coletiva.

Acho que fui um bom menino, tá?

#ForcaChape

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Tive que esperar mais ou menos dez horas para escrever sobre o assunto. 

O que aconteceu com a Chape é muito maior, mexe com nosso jeito de encarar a vida e mexe com a capacidade que o esporte tem de envolver as pessoas. 

Confesso que sempre me considerei um apaixonado por futebol, quem me conhece sabe que amo mais o esporte do que o meu clube, e hoje tive a certeza de quanto eu realmente vivo a emoção do futebol.

O que aconteceu hoje está entre as maiores tristezas que senti na minha vida, é sério eu nunca achei que isso iria me abater tanto por algo “teoricamente” distante de mim, que mexeria com tudo que penso, repensando tudo.

A Chape vem mostrando uma história maravilhosa no cenário atual do futebol, vem sobrevivendo na Série A de forma brava, mostrou uma cidade que respira futebol e vem caindo no gosto dos brasileiros, mesmo que vira e mexe apronte contra o próprio time que a pessoa torce e porque isso?

Porque a Chape, assim como o seu verde, representa aquela esperança, aquela fé às vezes no improvável que move muitos de nós, que tentam não abaixar a cabeça diante do golpe sempre pronto a acertá-lo. 

Estamos em tempos de intolerância a tudo, onde alguém sempre precisa escolher um lado e sempre será julgado como um lado bom ou errado, vivemos um ano muito pesado, com inúmeras perdas, com uma descrença na humanidade. E aí, de repente, como se alguém quisesse em meio a tanto caos construir um último ato, ele vem de forma tenebrosa, em um ato tão mais trágico para quem sabe, assim, iniciar uma mudança profunda.

A mobilização que está sendo gerada no dia de hoje, mostra que o caminho da união é sempre o melhor, que o pensamento deve ser olhando o outro, conhece a palavra empatia? Então, talvez, você enfim esteja praticando ela, e talvez ela seja a lição mais importante para sobrevivermos nesse mundo.

Lembra aquele pensamento de um cara sensacional do passado, ame o próximo como a ti mesmo. Então, talvez agora, faça sentido.

E o pior (ou melhor), nascemos com ele, praticamos empatia e a essência dessa frase desde criança, nessa idade não julgamos, não criamos filtros, respeitamos e brincamos com todos, seja o gordinho, o magrinho, o branquinho, o pretinho, o menininho ou a menininha.

A comoção é enorme porque a história da Chape poderia ser qualquer um de nós.

E por isso, nos envolve tanto, somos Chape durante toda nossa vida.

#ForcaChape

A estupidez do grito de tiro meta…

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Eu nunca achei que esse tema fosse gerar um post no blog, quanto mais ter conteúdo suficiente para escrever sobre. Minha vontade é de dizer que é tão estúpido e retrógado que deveria valer punição de mando ao clube e ponto final.

Mas não, resolvi, estender um pouco mais a discussão sobre, lembrar como ele começou para ver se quem sabe, se tem um caminho para isso acabar.

O grito é oriundo no futebol sulamericano, nos países que possuem o espanhol como lingua e a palavra original é “puto”, uma forma de xingar que poderia ser trocada por seu merda, seu imbecil, seu bosta, seu incompetente ou já lembrando da propaganda da Tigre, seu bobão.

Porém, a torcida do Corinthians introduziu ela ao nosso futebol nos jogos contra o São Paulo, fazendo uma singela alteração, trocou puto por bicha e o grito virou, “ooooo…bicha” a cada tiro de meta cobrado. A partir daí, a cambada machista e disfarçada de macho nas arquibancadas resolveu adotar para todos os times contra todos os rivais.

E veja só, chegou inclusive, para os torcedores da seleção brasileira, que chamam o goleiro da África do Sul e do Iraque de bicha a cada tiro de meta, algo que com certeza deve tirar a concentração deles, porque eles devem entender tudo que tem sido dito.

Dito isso, vem a pior parte, até quando vamos tratar o grito de bicha como uma ofensa?

É sério mesmo que todo mundo que grita isso no estádio acha que estará ofendendo alguém chamando de bicha? E partindo dessa pergunta, duas conclusões.

Se você acha que não, porque catzo continua xingando? Porque simplesmente entre você e seus amigos não trocam por puto ou por imbecil, acredito que possa ter mais efeito sobre o goleiro rival. Ou até mesmo o velho e querido frangueiro, imagina que legal o cara escutar o jogo inteiro que ele é frangueiro, parece mais ofensivo, não?

Agora, para você que acha que sim, só lamento, espero de verdade que você não tenha ninguém no círculo familiar e de amizade que considere cretino alguém achar que bicha é ofensa. Pois, o cretino será você, aliás cretino é outra ofensa ótima para tentar desestabilizar o goleiro.

Por fim, quem sabe algum clube faça alguma ação bacana e peça para que parem com essa babaquice, por fim, foi o que eu disse, minha vontade é de dizer que é tão estúpido e retrógado que deveria valer punição de mando ao clube e ponto final.

Meu melhor camisa 10!!

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Minha cara da péssima, por causa do sol, mas a alegria é inenarrável!!

Eu ia escrever sobre o Messi, mas como tenho um motivo muito melhor hoje, deixarei essa história do argentino ganhar mais alguns capítulos, principalmente de ordem política, para me manifestar depois.

Hoje é aniversário do meu pai, do meu velho, do meu craque, do meu camisa 10. Essa coisa de morar em outro estado, nos torna mais saudoso, pois vejo menos ele desfilando seu talento nas peladas em São Paulo.

Talvez muitos de vocês não saibam, mas a inspiração dentro de campo do meu blog, é ele. Quem conhece, sabe o camisa 10 que ele é, daqueles que armam o jogo, finalizam de tudo quanto é jeito e que resolvem uma partida.

São várias as histórias contadas pelos outros de como ele resolvia as peladas por aí. Mesmo entre meus amigos, aquele senhor com quase 30 anos a mais que a molecada sobrava.

É muito curioso, a compensação das coisas, se dentro de campo ele puxa a responsabilidade e algumas vezes chega a ser egoísta para resolver as coisas, pois confia no seu potencial, fora dele, ninguém é mais altruísta que ele.

Está para nascer alguém com o coração tão bom, tão boa gente quanto ele, juro que tento ser igual, mas não é fácil não. Quantas vezes na minha adolescência, ele fez questão de me buscar e levar para qualquer lugar e a qualquer hora, e olha que eu não queria, achava abuso e mesmo assim ele fazia questão. E eu nunca tive aquela “vergonhinha” adolescente de não querer mostrar que chegava com o pai de carona, sempre tive muito orgulho.

Porque desde pequeno, ele me apoia muito, as vezes até me mima demais, fica sem jeito em me dar bronca, vê se pode, mas está sempre lá com aquela cara, fingindo que está em outro mundo, mas sempre sentinela e dando um jeito de estar em vários lugares ao mesmo tempo para nos socorrer.

Eu sei o quanto ele imaginou ser um nome destacado nos campos de futebol por aí, e o quanto sua disciplina e respeito aos valores familiares falaram mais alto e o fizeram optar por uma carreira empresarial ao invés dos gramados.

Eu sei também o quanto era certo de que ele seria um grande jogador, para quem conhece sabe que é muita bola para esse “jovem senhor” que completa 57 anos hoje.

Mas se algo pode confortar na minha seleção da vida, é ele e mais dez. Ele é o meu melhor camisa 10

Obrigado pai, te amo!

Esse armário pesado do futebol…

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E o Estados Unidos pode ser muito marketing, porque ainda carrega muito preconceito em todo o seu estado, mas pelo menos, as grandes marcas não se escondem de tentar mudar essa história.

Em menos de uma semana, duas histórias distintas mostram duas grandes marcas na luta pela causa LGBT. Primeiro, após o terrível atentado em Orlando o time de Kaká que fica na mesma cidade fez uma ação de incentivo para a causa durante o jogo, além de comunicação visual fixa durante o jogo e uma verba destinada para ajudar na causa.

Além disso, pela segunda vez na história a NBA pode ter seu segundo jogador assumidamente homossexual, durante o DRAFT, o menino Derrick Gordon pode ser escolhido, ele que assumiu quando atuava pelas ligas universitárias sua orientação sexual.

Aí, entrei em uma discussão breve com um grande amigo e assíduo leitor do blog, André Russo, sobre o quão distante estamos de fazer ações como essa no futebol. E cheguei a conclusão que não apenas aqui em terras tupiniquins, mas em todos os grandes centros de futebol, é difícil imaginar tais acontecimentos.

Certa vez, vi uma campanha da liga belga (se eu não me engano) sobre o apoio ao jogador “sair do armário”.

Porém, acho que o machismo e o preconceito velado (que é o pior para mim) tornar muito difícil um grande clube fazer qualquer ação de apoio a comunidade LGBT, quiça receber um atleta assumidamente homossexual em seu elenco.

Lembro quando certa vez foi anunciado na Globo que algum jogador de futebol iria assumir sua homossexualidade e gerou aquele burburinho, porém na hora mesmo do programa, a assessoria de imprensa do jogador voltou atrás e cancelou a entrevista, orientada (diga-se pressionada) pela diretoria do clube.

Por isso acho que a ação americana, principalmente dentro do Orlando City foi possível, além de uma cidade que vê seu time apenas engatinhando sua história, é um país onde o futebol não é uma referência de esporte masculino para eles.

Não estou diminuindo a ação americana, pelo contrário, acho incrível que souberam aproveitar o momento e o posicionamento que o futebol possui na sociedade deles para promover a ação, assim como no caso do atleta da NBA é de uma coragem ímpar.

Contudo, acho que por aqui ou nos grandes clubes europeus, esse preconceito segue da pior forma, o velado, onde todo mundo adota a postura social de negar qualquer tipo de preconceito, mas se omite em qualquer situação que exija um posicionamento.

O problema é porque o armário deve ser antigo, aí é bem mais pesado (madeira maciça) para carregar e deixar a porta livre para ser aberta.