A melhor defesa é o ataque!

Foto: Adelson Costa

Foto: Adelson Costa

Vocês sabiam que ao final da 13ª rodada do Brasileirão, os três jogadores mais faltosos do campeonato são atacantes?

Sim, depois de um terço de campeonato, Grafite (Santa Cruz – 40 faltas), Gabriel Jesus (Palmeiras – 35 faltas) e Kléber Gladiador (Coritiba – 35 faltas) lideram o quesito, são os jogadores que mais cometem falta no campeonato brasileiro.

Os dados foram retirados do ótimo site footstats.net, que se você olhar entre os 20 mais faltosos, temos 08 atacantes, 06 volantes, 05 laterais e somente um, um único zagueiro nessa lista.

Mas porque o Cadê Meu Camisa 10 traz essa informação?

Primeiro pela curiosidade imediata de não ver um zagueiro ou pelo menos um volante brucutu entre os três primeiros, segundo porque isso mostra como o futebol mudou sua forma de jogar e como estamos ainda que aos trancos e barrancos também acompanhando essa mudança.

Hoje o futebol é muito mais corrido, dinâmico e coletivo, foi-se o tempo que o cara com talento tinha tempo para criar uma jogada mágica, hoje em pouco tempo ele é atropelado por uma manada de gnus, aquela que tirou a vida de Mufasa quando ele foi proteger Simba (sim, hoje acordei inspirado).

Sendo assim, é necessário que os 11 jogadores estejam comprometidos até a tampa com a marcação, que ninguém tenha o luxo de não marcar, mesmo com intensidade menor, todo mundo precisa ajudar. Como Patón Bauza e Tite gostam de frisar, “no meu time os 11 marcam e se possível os 10 atacam”.

Só que ai aparecem nossos “problemas” de formação, se hoje em dia é obrigatório que o atcacante saiba marcar porque o futebol exige, vemos nas estatísticas que eles até estão dispostos a ajudar, mas não possuem nenhuma técnica de marcação, acabam indo afoitos e cometem muitas faltas.

Isso sem falar na máxima lei do futebol existente aqui no Brasil, o perigo de gol ou aquela famosa parada de costas que o zagueiro faz, onde ao menor contato do atacante ele já cai e grita desesperadamente como se sua dignidade tivesse sido arrancada.

De qualquer forma, é interessante ver algumas mudanças no estilo de jogo, ver os atacantes marcando de forma mais contundente, o entendimento que o futebol é coletivo, todo mundo precisa ajudar, a começar pelos centroavantes, mas que de qualquer jeito, ainda precisam aprimorar um pouco, para não ter tanta falta.

Em tempos atuais, o sábio ditado futebolístico que dizia que “a melhor defesa é o ataque” precisa ser entendido melhor, acho que estão interpretando um pouquinho errado.

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“Todos os esportes coletivos tem o mesmo objetivo”

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Trazendo mais um pouquinho do que li no livro de Guardiola!

Em determinado momento, Guardiola traz um conceito para definir universalmente todos os esportes coletivos, segundo ele, em qualquer esporte coletivo, a posse de bola deve ser obtida no intuito de enganar o adversário, manter a posse em um lado e de repente em um rápido movimento, levar a bola para o outro lado afim de encontrar alguém com mais espaço para definir.

Essa declaração veio após uma revolta de Pep sobre o Tiki Taka, o espanhol disse que odeia o Tiki Taka, porque a posse de bola por posse de bola é uma grande besteira.

Olhando para a definição dele, é impressionante como por mais que outros tenham percebido anteriormente, a declaração de Pep traz para nós que ficamos aqui apenas no pitaco um conceito simples para se entender o esporte coletivo.

Baseia-se em ter a bola e trazer o rival para um espaço do campo onde você terá domínio, porém como esse espaço estará muito povoado, caberá ao time, mudar rapidamente o local onde a bola estará para encontrar alguém livre e com um espaço maior para concluir a jogada.

O mais impressionante é que seja no vôlei, basquete ou handebol (trouxe esses três como exemplos mais próximos do que praticamos nas aulas de educação física na escola) o conceito é o mesmo, o trabalho coletivo é feito para que alguém em algum momento tem espaço para concluir a jogada com a menor pressão de marcação possível.

Parece trivial, parece a coisa mais óbvia do mundo, mas a forma como alguém executa é a grande diferença, porque não envolve somente treinamento, desculpem a redundância, mas “envolve envolver” o jogador, fazer com que ele entenda e tenha confiança em executar, que ele tenha em mente tudo que pode acontecer no momento seguinte, desde a execução correta do movimento até a errada.

Como Pep diz, para você ter a bola, você precisa querer ela, atacar o adversário é fundamental o quanto antes para ter a bola novamente para si.

E aí como sempre que Pep é fantástico, a sensação que no xadrez do futebol ele conhece todos os movimentos possíveis, todos, não existe nada que passe desapercebido, e é dessa forma que seus jogadores possuem total segurança de tudo que pode acontecer.

Sou um apaixonado pelo futebol como todos vocês sabem e essa biografia do Pep foi um belo soco no meu estômago, até em uma biografia Pep consegue ampliar nosso olhar para o jogo de futebol.

O verdadeiro fato novo…

tite21

Acho engraçado como somos reféns dos nossos repetidos erros.

Reclamos da atuação da nossa seleção, esquecemos de olhar como o mundo faz e sentamos no ignorante isolamento de que resolveremos tudo aqui dentro. Precisamos assumir a primeira verdade, somos ultrapassados.

Nossa seleção sobrevive pelo talento, que é gigantesco, mas sempre teremos algumas seleções a frente coletivamente, enquanto continuarmos com esse pensamento bairrista.

Enquanto, uma filosofia, um esquema, um trabalho de formação real dos jogadores para que eles assumam a seleção não for feito, nossos times serão sempre catados, por muitas vezes ou sempre, ótimos catados, com a chances até de títulos, mas ainda sim, catados.

Outro questão importante fugindo da seleção, mas um mantra dentro do nosso território é a falta de paciência com o pofexo. Estamos insistindo na burrice de avaliar trabalho de treinador com apenas um mês, tanto para elogiar, quanto para massacrar.

De verdade, é possível alguma análise sobre o produto entregue por Aguirre, Bauza, Cuca, Deivid, Levir e Muricy? Cada um a sua forma, estão implantando sua filosofia, seu esquema tático, enquanto os jogadores estão ainda entendendo, consequentemente, errando muito para aprender.

É completamente absurdo julgar um trabalho antes de pelo menos um semestre. Qualquer outra decisão pela glória ou inferno de qualquer um desses é fruto de subjetividades nossas, é se apegar em misticismo, ou na velha máxima, era preciso um fato novo.

Fato novo hoje em dia em nosso futebol, é deixar um treinador trabalhar, isso sim um tremendo fato.

E a palavra é Jerarquia

Edgardo-Bauza

Bauza tem usado muito essa palavra, na verdade ela é a principal característica que ele procura em suas equipes.

Se fossemos traduzir literalmente teríamos a palavra hierarquia. Palavra que para nós significa apenas uma forma de organizar as pessoas ou coisas diante de uma ordem de prioridades. Por exemplo, do diretor para o assistente.

Muitos trouxeram que Bauza trata como uma forma de protagonismo, de imposição que seu time deve exercer no jogo. Contudo tem um pouco mais nas entrelinhas, na tradução literal e na esperada sobre o que Bauza espera.

Bauza considera o futebol lógico, como uma forma clara de expectativa do que o outro (rival) irá propor e como será feito para combater isso, a questão está apenas em como os jogadores respondem a isso e ai entra a jerarquia de Bauza.

Não simplesmente assumir o protagonismo, mas principalmente a capacidade suficiente de que todos os atletas hierarquizem as prioridades de ações a serem tomadas para que o funcionamento tático seja o mais próximo do combinado possível.

De certa forma, nas literaturas sobre Mourinho e de Pep (a qual estou lendo agora) e mesmo nos discursos de Tite (nossa principal referência atual) a questão mais importante trazidas por todos é como garantir que o jogador saiba o máximo de possibilidades que o jogo pode trazer para ele e quais respostas ele terá para agir.

Quando Bauza diz que o time precisa de mais Jerarquia, ou que precisa de jogadores com mais jerarquia, ele simplesmente traz o conceito de maior sucesso do futebol.

Quanto mais eu consigo ser claro para que meus jogadores entendam as possibilidades e quanto mais talento eles tenham para conseguir aplicar essas respostas durante o jogo, mais sucesso o time terá.

Bauza pode ainda não saber traduzir a palavra, assim como nós olhamos ela com a mesma superficialidade de um Google Translate, mas ela traduz muito da excelência que se busca dentro das quatro linhas.

Treino é jogo, e jogo é treino!

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Vire e mexe releio alguns trechos do livro “Mourinho, porquê tantas vitórias?” e sempre me pego nas questões sobre como ele conduz seus treinamentos. Isso porque o livro é de 2006, muito antes dele se tornar o Special One.

Seus métodos quando começou eram bem diferentes dos técnicos da época. Não sei quantos hoje, pensam futebol igual, talvez vários, e também não tenho ideia de quantos copiam seu jeito de trabalho, talvez alguns, principalmente porque não é tão simples.

Apesar de Mourinho, trazer seus treinamentos apenas para aquilo que se refere ao jogo. Sem necessidade de treinos específicos, ou modelos antigos de treinos em campo. Seus treinamentos se referem as questões de jogo, a reproduzir situações de jogo, algo que Tite aqui no Brasil repete muito, mostrando que sua Titebilidade vem da Escola Mourinho.

O que Mourinho faz para mim dentro da literatura que já vi dele, mais alguns depoimentos dos atletas que passaram por ele é derrubar o ditado “treino é treino, jogo é jogo”.

Para Mourinho, Treino é jogo, e jogo é treino.

Aliás, quero só fazer um adendo a partir de agora, estou mencionando Mourinho, pois a maior parte da literatura que vi foi sobre ele. Tenho certeza que propostas de jogo diferente, mas o pensamento sobre esse ditado é igual a todo grande treinador. Guardiola, Klopp, Sampaoli, Bielsa, Simeone que são atualmente os melhores para mim também se baseiam nessa remontagem do ditado.

Digo que a partir de agora, é no treino que todas as situações de jogo possíveis devem ser testadas, não adianta eu apenas montar o esquema e treinar exaustivamente, eu preciso mostrar ao jogador o porque daquele posicionamento, como aquele posicionamento será usado na próxima partida, quem será seu adversário ou suas responsabilidades no próximo jogo.

Eu preciso garantir que no treino ele saia pronto para o jogo, porque fiz do treino uma reprodução do jogo. Logo o treino passa a ser um jogo também. Quem não se lembra da declaração de Thomas Muller, meia do Bayern, quando disse que os treinos dele no Bayern (já na era Guardiola) são por muitas vezes mais difíceis do que os jogos.

E aí, seu treinador, anda fazendo do treino só um treino, ou jogo real?

Pranchetando o Santos

Galera do blog, resolvi mais uma vez me meter a besta e analisar algum time, dessa vez vamos falar um pouco do time sensação, o Santos. Veja ao meu ver como é a disposição tática do time da Vila:

Vendo a maneira como o time joga, já notamos algumas diferenças do que atualmente acontece, ao meu ver o time do Santos espalha mais seus jogadores em campo, mais ou menos como aquela história do piloto que aproveita a pista toda.

Uma das maiores vantagens para mim desse time, está no banco, Dorival Junior é um dos grandes responsáveis por esse encanto que o time tem provocado, e tudo isso por uma frase dita desde de que me entendo por gente no futebol, “A melhor defesa é o ataque!”.

Dorival é inteligente e percebeu que o time do Santos não possui em seu elenco jogadores de grande capacidade defensivamente, portanto aproveitou o impeto ofensivo da molecada e criou uma blitz na própria defesa adversária e é isso que faz o Santos funcionar, mesmo assim quando o time é atacado a recomposição defensiva é muito rápida, graças a leveza dos seus jogadores de meio.

E é no meio que está uma das principais peças dessa engrenagem santista, trata-se do menino Wesley, o garoto que joga com a camisa 05, tem papel fundamental no time, quando ele ataca, ele vira um ponta na direita, principalmente para ocupar o espaço que normalmente as defesas adversárias deixam daquele lado. Esse espaço é deixado, porque quando o time joga com Neymar e Robinho abertos nas pontas, quase sempre aquele que estiver no lado direito carrega a marcação dupla do lateral e do zagueiro, criando uma avenida para Wesley subir.

O menino tem liberdade para atacar, pois o lateral direito foi sabiamente improvisado por Dorival, é Roberto Brum que não sobe e sabe cobrir bem o espaço deixado por Wesley já que Brum é volante de origem. Quando precisa defender, Wesley volta rapidamente para cobrir o avanço do armador adversário, enquanto Arouca já faz a proteção junto com Brum.

Além disso na frente, mesmo quando Robinho ou Neymar estão ausentes, Marquinhos ou Madson podem entrar, junta-se a isso a inteligência de Ganso que sabe quando está bem marcado e leva seu marcador para longe deixando um buraco para Marquinhos jogar.

O maior problema do Santos ainda está na defesa, devido ao impeto ofensivo, quando um adversário consegue acertar um bom contra ataque, principalmente pelo lado esquerdo, encontra a defesa santista no homem a homem, e mesmo sendo uma dupla experiente, dá sinais que só a experiência não basta.

De qualquer forma, no último jogo do Santos, Dorival mostrou o quanto ele escolta seu time no poder ofensivo que ele tem, o jogo estava 4×1 para o Santos quando ele resolveu tirar um volante para colocar um atacante, quando o Santos ampliou para 5×1, ele tirou um lateral-esquerdo e colocou um meia-atacante e para terminar quando o time vencia por 6×1 ele fez a última substituição, tirando um zagueiro para colocar um volante.

Ou seja, o Santo terminou a partida, com 01 goleiro, 01 zagueiro, 03 volantes, 03 meias e 03 atacantes. Resultado para quem não lembra, 09 x 01. Apenas para evitar os comentários de sempre, pode ser que não era um grande time, mas que eu me lembre nenhum time esse ano chegou perto de tal marca. São 19 jogos e 61 gols, mas de três por partida.

Pelo jeito a velha máxima tem funcionado, “A melhor defesa é o ataque!!”