A síndrome de Ronaldinho !

ronaldinho-gaucho-2013

Galera do blog, mais uma rodada encerrada pelo Brasileirão.

Foram apenas 3 rodadas e o que mais me chama a atenção e a ressaca que abateu ao Galo.

O time mineiro parece o reflexo do seu principal jogador.

Todo mundo sabe da minha crítica em relação a Ronaldinho Gaúcho, acredito que o potencial existente nele foi totalmente desperdiçado pela sua displicência. Ele precisava de um Prost ao seu lado, ou um Cristiano Ronaldo, ou até mesmo um Nadal. Não que Senna, Messi e Federer não seriam tão grandes quanto foram, mas Ronaldinho precisava de alguém que o estimulasse a sempre estar na ponta.

Mas não, Ronaldinho vive de dois anos assombrosos no Barcelona, uma bola de Ouro e só. A sensação é que depois disso, ele ficou esperando alguém a sua altura e quando viu, seu corpo já não acompanhava da mesma forma. Por isso, que não considero ele um craque, apenas um bom jogador.

E o seu time parece seguir a mesma linha. O time chegou a um título inédito, jogando um belo futebol sob a batuta de Cuca e Ronaldinho. Foi ao ápice no final da Libertadores e criou expectativas de como seria sua atuação no Mundial de clubes. Contudo, como considerou que não havia rivais dentro do país, largou mão da concentração, jogou pro gasto e ainda terminou em quinto lugar no campeonato, comprovando que o time sobrava dentro do país.

Porém, todos sabem que o Mundial chegou e o Raja deu um duro golpe na soberba atleticana. A mesma sensação de que jogar bola não trata-se apenas de ligar ou desligar o botão.

E desde então, o que o Galo vem apresentando é a síndrome do Ronaldinho. Todo mundo sabe do potencial existente, e esporadicamente o time nos deleita com uma grande atuação, fora isso, parece um time preguiçoso que se recusa a mostrar toda a sua força contra os mais fracos, simplesmente por não encontrar motivação ou por achar que a hora que quiser vence a partida.

É inegável o potencial e a qualidade do Galo e de Ronaldinho, mas só isso não basta, falta essa combinação aparecer em campo.

Se depender de Ronaldinho, o futuro não é nada promissor, já que ele mesmo, nunca mostrou ter superado sua própria síndrome. Cabe a Levir, decidir o que fazer. Eu tiraria Ronaldinho dos próximos jogos!

Senna x Prost (a.k.a Fla x Flu)

1993 - Prost e Senna, Austrália, pódio

Galera do blog, começamos um dia com mais um texto de Ramon Ribeiro. O Niteroiense faz uma comparação com um dos maiores duelos do esporte para explicar a rivalidade que ele vive no futebol carioca.

Por Ramon Ribeiro

Nestes 20 anos da morte de Senna, assisti com muita saudade os duelos entre ele e Alain Prost, uma das maiores rivalidades esportivas de todos os tempos.

Em 1984, Senna e seu calhambeque Toleman foram atropelando todos os outros pilotos, que se borravam de medo da chuvarada em Mônaco. Brincava de ultrapassar em um circuito que já é quase inultrapassável com sol. Quando chegou ao segundo lugar, após deixar pra trás somente um tal de Niki Lauda, Ayrton descontava em média 3 segundos por volta, pondo pressão no piloto francês.

Prost viu que a vaquê (vaca, em francês) ia para o brejo e começou a acenar aos comissários pelo fim imediato da prova. Pouco antes de Senna alcançá-lo, seu pedido foi atendido. Ayrton defecou quilos em cima de Alain, que já foi estacionando sua potente MacLaren na linha de chegada; ultrapassou o nariz do carro e do francês, mostrando ao público quem era o real vencedor dentro da pista.

A história de Suzuka-1989 é bem conhecida: ambos na MacLaren, chegaram ao Japão com Senna tendo a obrigação de vencer. O francês, de maneira pouco higiênica (na corrida), colide com Ayrton propositalmente e sai do carro com a certeza do título nas mãos. Senna volta à pista com o bico quebrado, precisando ir aos boxes e vencer faltando 5 voltas. Sopinha no mel pro brazuca, ainda mais quando ele estava com sangue-no-zóio.

Ao ver a reação de Ayrton, Prost trava o esfincter antes de melé la cuecá (melar a cueca, em francês) e parte correndo para o setor dos comissários da prova, tentando algum subterfúgio salvador. A cena é patética (ver vídeo). Foi se encontrar com o presidente da FIA, o também francês Jean-Marie Balestre, que o convidou para relaxar num grande e confortável tapete, ofereceu-lhe uma baguete com brie e desclassificou Senna. Com o título garantido à Paris, ambos comemoraram com champanhe (lembrou de algo, leitor?).

No ano seguinte, o mesmo cenário com uma inversão: Prost era obrigado a completar a prova. Senna fez a pole. Prost ficou com o pescocé (cu, em francês*) na mão e conseguiu que a FIA mudasse a ordem dos carros, largando em segundo numa posição mais favorável. Senna não hesitou, nem piscou, nem pestanejou: com coragem suicida, devolveu na mesma moeda a colisão de 1989 logo na largada e ficou com o título, mesmo sob os protestos de Prost no STJD (ops!, FIA), que não teve colhão pra virar mais uma mesa no asfalto.

Será que eu ainda preciso explicar a relação Senna-Fla, Prost-Flu? Prefiro bradar, ao som do tema da vitória: ”Ayrton, Ayrton, Ayrton Senna do Flamengo!”

* A título de curiosidade: “Cou” em francês significa pescoço em português.