A matemática do Corinthians

225

E a derrota de ontem, acendeu um alerta no Corinthians, ou pelo menos assim todos vendem, pelo fato de dar alguma graça na parte de cima da tabela.

Realmente, são duas rodadas de diferença, contudo não custa lembrar que só restam 08. Ou seja, além de torcer para o Corinthians continuar com campanha pífia no returno, ainda é necessário que Palmeiras e Santos realmente consigam fazer o belo returno.

Se lembrarmos do final do primeiro turno, Corinthians conquistou 47, contra 35 do Santos e 32 do Palmeiras. Se pensarmos que o Tite considera que 72 já torna o clube candidato ao título e com 75 é garantido, vamos passar para os postulantes.

Pensando em 72 pontos, para o Corinthians faltam 13 pontos dentre os 24 restantes, para o Palmeiras e Santos restam 19 dos 24, tanto o time da Leila quanto o da praia, tem pouca margem de erro para atingir a pontuação boa.

Além disso, significaria que Palmeiras faria um returno de 40 pontos. Um ótimo returno.

Olhando para a tabela, temos:

Corinthians: Ponte (fora), Palmeiras (casa), Atlético-PR (fora), Avaí (casa), Fluminense (casa), Flamengo (fora), Atlético-MG (casa) e Sport (fora). Sinceramente, os próximos dois jogos são perigosos para uma perda de título incrível, fora isso, é completamente tranquilo buscar os resultados nas demais partidas.

Palmeiras: Cruzeiro (casa), Corinthians (fora), Vitória (fora), Flamengo (casa), Sport (casa), Avaí (fora), Botafogo (casa) e Atlético-PR (fora). A tabela do Palmeiras para quem quer buscar uma arrancada histórica é ótima, mas precisará contar com o tropeço do rival, fora isso, apenas ir bem, não dará certeza de nada.

Santos: São Paulo (fora), Atlético-MG (casa), Vasco (casa), Chapecoense (fora), Bahia (fora), Grêmio (casa), Flamengo (fora) e Avaí (casa). O Santos é o azarão nessa disputa, tem uma sequência complicada fora de casa e pode ficar pelo caminho após voltar de Salvador.

Por fim, apesar da emoção gerada pelo returno pífio do Corinthians, o Palmeiras teria que repetir história parecida com a de 2009, quando na oportunidade ele era o Corinthians e viu o título escapar de forma incrível nas últimas rodadas do campeonato.

Para o Corinthians, basta olhar com atenção para o que aconteceu em 2009 com o arquirrival para não repetir os mesmos erros. Do pouco que vi, acho que Carille pode arriscar uma mexida ou outra no time, como “perder” um pouco do meio e ganhar agressividade nos jogos em casa.

Na matemática, ainda assim é muito difícil o Corinthians perder, o problema é que mesmo a matemática no futebol é subjetiva.

Anúncios

O Brasileirão do rebaixamento…

neymar__.jpg

Sei que ando escrevendo pouco no blog esse ano, acho que a qualidade do Brasileirão esse ano tem me decepcionado muito.

E a culpa não é dos treinadores, tampouco dos jogadores, a culpa é do nosso sistema. Vivemos de imediatismo no Brasil, temos que nos preocupar com o resultado de amanhã ao invés do trabalho de amanhã, e isso passa pelo mundo corporativo e nas nossas relações.

No trabalho, está mais preocupado em entregar no prazo do que fazer certo, não que os dois não sejam importantes a ordem é que é perigosa, em casa lavamos a louça rápida sem necessariamente lavar ela de fato. E isso reflete no futebol, um espelho do que nos cerca.

O treinador está mais preocupado em errar pouco do que arriscar muito, veja a frase de um dos principais jogadores do virtual campeão de 2017: “Vai vencer essa partida quem errar menos.” (Rodriguinho, meia do Corinthians no duelo contra o Grêmio ontem).

A frase indica o nosso pensamento atual, os times estão indo bem porque erram pouco e não porque arriscam muito, porque criam mais.

Sem desmerecer o Corinthians, que será campeão porque fez mais pontos, isso por si só já é de um mérito sem tamanho. A questão é que essa pontuação foi conquistada a base de errar menos que o adversário ou viver do erro alheio.

E antes que muitos venham dizer que estou diminuindo a conquista do Corinthians, reforço, todos os clubes brasileiros vivem disso hoje, todo jogam para errar pouco ou o mínimo possível, o Corinthians é o que melhor faz isso, por isso será o campeão.

Mas não podemos nos contentar com isso, esse campeonato é para mim o mais fraco tecnicamente falando, o mais pobre do ponto de vista tático e técnico, só o
Corinthians mostra um belo padrão de organização, Grêmio, Cruzeiro e o Botafogo mostram algumas boas partidas, além dos dois baianos que apesar da fraca qualidade do elenco, são times com bons padrões táticos.

Fora isso, uma preguiça e uma desorganização latente em vários times, é difícil acompanhar uma sequência de bons jogos.

Não é à toa, quando pensamos no campeonato de 2017, lembramos o quanto ninguém faz frente ao Corinthians que caiu de produção e no returno, mas principalmente pela intensa disputa no rebaixamento.

Virou o Brasileirão do rebaixamento, porque é lá onde os mais fracos jogam que a disputa está intensa, porque tem muita gente apresentando pouco futebol.

O “quase milagre” do São Paulo

spfc11092017Olá galera do Blog, meus textos estão quase iguais as vitórias do meu tricolor, escassos, demoram para surgir. Pois bem, depois de mais de três meses de silêncio, vamos ver se engrenamos novamente.

Vamos falar do São Paulo nesse retorno, para aos poucos ir desbravando outros casos curiosos em 2017. Grêmio, Atlético-MG, Corinthians, Botafogo, Vasco e Santos esses times para mim, me surpreendem em suas campanhas no ano.

Vamos ao tricolor paulista, que talvez seja aquele o qual a campanha nem surpreende tanto, porque o roteiro é tipico de quem flerta com o rebaixamento.

Contudo, apesar do desempenho necessário até o fim do campeonato ser muito acima do que o time produz até então, a tabela permite ao clube escapar, porque vários outros também estão com baixa performance. O São Paulo precisa somar 23 pontos nos próximos 15 jogos. Sendo assim, apenas x configurações são possíveis:

Somar 08 ou mais vitórias: O São Paulo precisaria com oito jogos a menos, conseguir ao menos duas vitórias a mais do que conseguiu até agora;

Vencer 7 partidas e empatar duas: Dessa forma, o São Paulo poderia ainda se “dar o luxo” de perder 6 partidas.

Vencer 6 partidas, empatar 5 e perder “só” 4: Nesse cenário, o SP precisaria praticamente repetir sua campanha de vitórias e empates, mas perder apenas um terço do que perdeu até agora.

Com 5 ou 4 vitória, o número de derrotas limitaria a apenas duas, o que seria bem complexo no momento atual do time.

São 8 jogos em casa, sendo que dois são clássicos e dois contra concorrentes diretos. Já como visitante, nenhum clássico e três confrontos diretos pela fuga. Olhando friamente, não parece nenhum milagre o que o São Paulo precisa fazer, além de tudo, conta com um apoio massivo de sua torcida neste campeonato.

O problema é que futebol não é frio, é completamente suscetível as oscilações de humor, e para o São Paulo tudo anda mais difícil atualmente. A mão do Jucilei em outrora, seria um pênalti desperdiçado ou uma mão não notada.

A solução parece simples de ser dita, mas a linha é muito tênue, os envolvidos precisam acreditar que  de ser realizada.

Só assim, o estado de alerta se mantém para a busca dos pontos restantes, caso contrário o relaxamento por achar que a qualquer momento se conseguirá os pontos, dará lugar para o relaxamento de tudo já está perdido mesmo.

P.S.: Além disso, no lado supersticioso, tenho comigo que o rapaz da foto, poderia sair do time nessa reta final, não parece carregar uma aura vencedora, apenas uma opinião sem nenhum embasamento.

 

 

O soco de Eduardo Baptista

edubaptista020517.jpg

Em uma semana onde o soco de Felipe Mello ganhou destaque e correu o mundo, o verdadeiro soco foi proferido pelo treinador do Palmeiras.

Eduardo Baptista em um momento exaltado desferiu palavras contra a imprensa e de maneira contundente. Sinceramente, tirando a forma como ele disse, o conteuúdo é ótimo, é perfeito, faz todo sentido.

Eduardo podia escrever toda a raiva que sentiu naquele instante e repetir de maneira ordenada no dia seguinte, seria melhor ainda a resposta dele, mas o calor mostrou o que a maioria dos treinadores passam e por muitas vezes são ignorados, a pressão por resultados existente no Brasil.

Aqui, gostamos do trabalho bonito, mas qualquer derrota serve para acharmos culpado, nunca a derrota é mérito do vencedor ou uma tarde ruim, sempre alguém será culpado, algum motivo nominal será encontrado.

E foi aí que Eduardo bateu, a imprensa alimenta isso, especula-se crise no vestiário, diz que soube por alguém que tal fato aconteceu e assim vai criando uma tensão por muitas vezes desnecessária.

Não vou entrar no mérito de fonte, isso ou aquilo, se é real ou não. Me apego ao fato de ser necessário, realmente precisamos comentar que fulano brigou com ciclano no treino, que beltrano está conversando com o clube tal para sair, que alguém está cogitando sair do clube e etc. Isso não agrega nada, não muda nada no clube e as vezes ganha proporção desnecessária apenas para gerar algum tema naquele clube.

Eduardo trouxe como exemplo, como a imprensa tem sido “impaciente” com o trabalho dele, Ceni e Carille, os co-irmãos que iniciaram suas jornadas nos grandes paulistas esse ano.

Pegaram no pé de Ceni sobre o time tomar muitos gols, somou-se a isso a derrota para o Palmeiras e pronto, a pressão foi tamanha que o time começou a rever um pouco seu jogo e sofreu de novo, agora o time não cria o mesmo que antes.

Carille foi colocado como sem perfil para aguentar um Corinthians, e em silêncio vai ganhar o título paulista de maneira eficiente.

Em resumo, a imprensa pode argumentar as propostas de jogo, como foi o comportamento durante o jogo, as variações táticas e atuações individuais, mas não pode esquecer daquilo que fora do pós jogo eles sempre repetem, é preciso tempo para que o treinador mostre seu valor.

Como bem disse Arnaldo Ribeiro (ESPN), o trabalho de um treinador deve ser analisado durante um ano, exceção feita quando o trabalho for catastrófico que ameaça o time de rebaixamento.

 

E agora Tite?

tite290317

São oito jogos no comando da camisa mais pesada do mundo, são oito vitórias (feito inédito na história do futebol) com 24 gols marcados e apenas 2 sofridos.

Tite resgatou o que a seleção brasileira era para o mundo, a mais temida, não imbatível, mas temida, respeitada demais, por todos, inclusive os grandes, a mudança de clima, de confiança e todos os fatores que fogem do técnico-tático exacerbam nas faces de todos os atletas que fazem parte da seleção.

Tite aliás, antes do jogo disse que são 56 atletas mapeados, ou seja, ele fechou uma lista com os possíveis jogadores que integram a seleção brasileira, 23 serão os escolhidos no final, mas ele tem um grupo mapeado, nem os 80 que outrora fizeram parte da seleção, nem somente 30 como alguns acusaram que Tite trabalharia.

E diante do cenário atual da seleção, a pergunta que fica é: o que fazer nesses quatro jogos restantes? Dificilmente o Brasil perderá o primeiro lugar, além do que ficar em primeiro é apenas simbólico, a dúvida é, usar esses jogos para testar outros possíveis “selecionáveis” para ver como eles reagem na seleção e as ideias de Tite, ou mantém a base para aprimorar ainda mais o time?

Sinceramente, de longe e com o livre direito de pitacar na vida alheia, principalmente futebolisticamente falando, vamos dar a minha sugestão, eu usaria os reservas que foram pouco utilizados mais aqueles que são potenciais, caso alguém tenha alguma lesão. Para o time titular “imaginário” de Tite, a sequência de amistosos contra escolas europeias seria o entendimento que falta de possibilidade de jogos durante uma copa do Mundo.

Ou seja, enquanto aqueles que lutariam para estar na lista dos 23, fariam quatro confrontos duríssimos no restante das eliminatórias para mostrar seu valor e seu  M E R E C I M E N T O, os “preferidos” de Tite mais alguns participariam dos amistosos que já serviriam de base para que o time entendesse a proposta de jogo brasileira contra várias escolas européias (espanhola, italiana, leste europeu, suiça, para citar algumas).

Assim Tite conseguiria  atuar nas duas frentes e naquilo que eu acredito que agradaria o planejamento da seleção, de qualquer forma, como eu disse, sou eu pitacando de longe e sem o menor conhecimento do planejamento da seleção.

Meu único contraponto a minha proposta é dentre aqueles 56, alguém se destacar muito nos jogos eliminatórios ao ponto de ser questionado o lugar dele frente alguém que já estava consolidado no grupo principal de Tite, se criaria um problema desnecessário ou que obrigaria muito jogo de cintura para lidar com ele, característica que sobra em Tite, por isso não vejo problema em seguir minha teoria.

A seleção já cumpriu seu papel nas eliminatórias e para terminar a preparação para a Copa, só falta os testes europeus e conhecer completamente os 56 eleitos.

E vocês, o que fariam?

O melhor dos clássicos!!

spfc-3

E ontem dois clássicos agitaram o futebol brasileiro, clássico com os quatro clubes com as maiores torcidas do Brasil, Flamengo, Corinthians, São Paulo e Vasco.

Entre todas as pataquadas da arbitragem, o que mais deu o que falar foi a comemoração de Maicon, zagueiro do São Paulo que abriu o placar em um Majestoso que foi mais horroroso do que majestoso.

Na comemoração, Maicon fez uma provocação ao rival Corinthians, tal qual o famoso porquinho de Viola. Sabiamente, o jogador após a partida evitou entrar em polêmica e não assumiu o motivo óbvio da comemoração afim de evitar qualquer punição dos aparecidos dos tribunais desportivos.

E logicamente reacendeu o debate de como estamos policiando demais o futebol ao invés de permitir essas manifestações tão naturais e se alguém se exceder seja dentro ou fora de campo ter a sanção correta e aplicada.

O que mais gostei na situação toda é como o time do Corinthians está lidando com tudo isso, talvez até por não ter percebido na hora, o time tem dado declarações com muita boa esportividade e estimulando a continuação disso de forma sadia, prometendo troco e mais comemorações provocativas nos próximos duelos.

Futebol precisa disso, apesar de ter várias ressalvas contra a atitude em campo de Felipe Mello, suas frases provocativas e seus gestos tem resgatado um pouco disso, o futebol na rua é isso. Quem nunca mandou mensagem mexendo com o amigo após uma vitória, quem nunca compartilhou diversos memes nos grupos de whatsapp, e o melhor quem nunca fez isso e estava ali tomando uma cerveja com o amigo e rindo das brincadeiras.

Futebol é um esporte e tal como tal tem a parte séria da competição, da disputa por título, do respeito pelo adversário que é companheiro de profissão, entre outras coisas, e tem também a brincadeira, a aposta valendo almoço, a aposta valendo ajudar uma instituição de caridade, a comemoração do gol e se possível no dia seguinte, um abraço celebrando a paz.

Sou contra a expressão pelo fim do futebol moderno, sou a favor da modernização sempre do futebol, mas com o respeito e a manutenção de seus valores e cultura.

Brincadeiras e comemorações criativas fazem parte da cultura do futebol, assim como bandeiras e tudo mais.