Zequinha e seu primeiro empresário


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Zequinha já se tinha completado seus 14 anos e seu nome já era lembrado por alguns olheiros nos campeonatos do time, era um menino que despertava interesse, não chegava a ser aquele fenômeno que por vezes surgem nos terreirões do nosso país, mas tinha muito potencial.

Só que nesse início de ano, os olhos das pessoas não miravam dentro de campo e sim fora, Benedito, o grande mecenas que mantinha a estrutura do clube para os meninos jogarem tinha deixado a Terra 3 meses atrás, já idoso, resolveu buscar o sono profundo ao continuar lutando contra um pulmão que insistia em derrubá-lo.

O clube ficou na mãos dos filhos, filhos estes que nunca se interessaram pelo time, tampouco apareciam para dar as caras, o cenário era nítido, os filhos não iriam continuar com o clube, a esperança era que outro mecenas se interessasse e assumisse o time para dar continuidade ao projeto, mas o local onde o campo estava era muito bem localizado e o boom imobiliário foi mais agressivo e rápido na busca pelo terreno.

Os filhos sem nenhuma ponta de remorso venderam o terreno e foram viver de renda, algo que seu pai nunca precisou oriundo do campo. Nem de público, nem de dinheiro.

Seu Silva se viu na encruzilhada que ele retardou e sabia que teria que enfrentar em algum momento, negociar seu filho com um empresário. Sim, para ele esse era o termo, N E G O C I A R, perder o direito tanto dele quanto do próprio filho em decidir sobre os próximos passos, mas para o sonho continuar era necessário.

Seu Silva foi atrás de Teixeirinha, muito conhecido no meio por levar os garotos com “carta de recomendação” para os grandes clubes da cidade e conseguir com bom percentual uma chance para eles atuarem pelo menos por uma temporada nos mesmos, chance rara para um garoto aproveitar e mostrar o seu potencial.

O que Seu Silva não esperava, porque nunca teve o interesse de escutar é como seria essa proposta, Teixeirinha disse para Seu Silva ficar tranquilo que poderia voltar a procurar um trabalho, porque daqui pra frente, todos os custos com Zequinha seriam dele, inclusive daria uma ajuda de custo de R$ 200,00 por mês.

A condição, o pai entregar 100% do filho para a gestão do empresário. Seu Silva no alto da sua inocência não imaginava o que aquilo significaria, para ele aquilo era um ato de tanta benevolência que ele ficou se perguntando porque não tinha feito isso antes, todas as despesas que tinha tido até então e de repente, Teixeirinha não só vai arcar com tudo isso, como irá dar uma ajuda de custo, é pra glorificar de pé.

E assim Seu Silva entregava Zequinha para o seu primeiro e duradouro empresário, com a certeza de que tinha feito o primeiro grande negócio da carreira do futuro craque Zequinha.

Capítulo 4 – Zequinha, seu primeiro treino e sua infância

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2 respostas em “Zequinha e seu primeiro empresário

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