Zequinha, enfim aprovado

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A volta da peneira foi uma mistura de sensações para Zequinha.

Enquanto ele via uma discussão animada e cheia de gestos entre Adenor e seu pai, onde ele debatiam sobre a atuação de cada menino, como Carlos tinha sido escolhido e o porque que os demais não foram, ele também via as reações diferentes entre os meninos.

Carlos estava meio sem entender muito o que aconteceu, ele sempre foi o menino que era escolhido porque ajudava na defesa, mas sempre se achou o mais fraco ou o “piorzinho” e de repente ele se via o único escolhido do grupo, ainda de maneira ingênua ele pensava, se ele tinha melhorado, ou se o cara escolheu errado, não sabia o que tinha acontecido.

Jão ainda não entende como aquele menino podia ser tão rápido, só a imagem dele vem na sua cabeça. Pedrinho e Gigante ainda discutem como perderam a oportunidade mesmo jogando junto e como era difícil jogar em um campo tão maior.

Zequinha não, eu já não lembrava direito da sua atuação, não tinha muita certeza se o campo era grande ou não, mas sabia que ainda não tinha entendido o futebol e que queria jogar mais vezes em um campo grande para ele se entender.

E assim, a rotina na família Silva mudou, os próximos anos foram dedicados a levar Zequinha para campos maiores, para alimentar o sonho do Seu Silva e para tentar explicar para o menino o que era o futebol.

Foi quando enfim ele passou em uma peneira, Zequinha já passava dos 11 anos, inúmeras peneiras já tinham sido visitadas, inclusive nesse tradicional clube formador de jogador, só nesse campo, Zequinha já tinha jogado 4 vezes. Aquela era a sua quinta, inclusive quando chegou, dois funcionários do clube o reconheceram. Chegaram até a desejar boa sorte!

E lá foi Zequinha, seu futebol já era diferente, ocupava mais o espaço do campo, mas ao mesmo tempo não usava ele todo, apenas aquilo que lhe interessava, Zequinha não teve a atuação que ele considera a melhor, mas o sufoco que o lateral esquerdo e o zagueiro passaram o fizeram ser escolhido e aprovado.

No caminho, Seu Silva feliz da vida contava para a família sobre a aprovação, Zequinha não lembrava de ver o pai tão eufórico na vida, e quando chegou em casa ele começou a entender um pouco mais da dimensão que o futebol ocupava, nunca na história da família Silva um evento tinha reunido tanto parente quanto a comemoração naquela noite da aprovação de Zequinha.

Todos na casa repetiam que não lembravam de tanta felicidade desde o nascimento do próprio Zeca. Ele começava a perceber um pouco do que seu pai tinha dito ao fim da primeira peneira, o futebol é isso e mais um monte de coisa.

E era só o começo na vida de Zequinha.

 

Capítulo 2 – Zequinha e sua primeira peneira

Capítulo 4 – Zequinha, seu primeiro treino e sua infância

 

 

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Drogba, Van Persie e outros medalhões

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Ultimamente alguns renomados nomes do futebol internacional estão sendo especulados para jogar no Brasil. Contudo, entre uma história mais distante, outras que realmente quase aconteceram ou que podem acontecer, as dúvidas que pairam na minha cabeça são, será que vale a pena e porque ainda é tímido a vinda desses jogadores.

Esqueçam aqueles com nacionalidade brasileira, ou seja,  não vale os retornos de Ronaldo,  Roberto Carlos, Kaka, Gaúcho,  Deco e Rivaldo, quantos jogadores de renome internacional atuaram no Brasil?

Ao meu ver, somente Seedorf, e isso porque ele é casado com uma brasileira e sempre nutriu essa vontade de atuar por aqui. Ou seja, algo em nosso futebol não atrai os jogadores de renome.

E vou aqui de longe especular algumas possibilidades, porque essa recusa, trata-se de uma via de mão dupla. Os clubes precisam se interessar muito por esse tipo de reforço e o jogador precisa gostar muito da proposta.

A primeira questão para mim é, o clube brasileiro realmente acha importante trazer um jogador desse tipo?

Eu tenho a sensação que quase todos torcem o nariz para isso, julgam nosso campeonato altamente competitivo e que o jogador desse em final de carreira não conseguiria atuar, e todos os nomes acima mostram que é uma lenda. Nosso campeonato é competitivo, mas fisicamente muito inferior aos europeus, o cara que chega aqui mais veterano ainda possui um ritmo amplamente satisfatório para atuar no Brasil.

Ou seja, dá para arriscar sim em bons nomes para disputar uma temporada por aqui.

Segunda questão é, o jogador europeu tem qual referência e atratividade para jogar aqui no Brasil?

Parece que apenas nossas belezas naturais atraem o estrangeiro, a falta de uma agenda mais organizada, um calendário menos intenso afastam um pouco, além da falta de habilidade de um dirigente em negociar todas essas condições com um jogador.

Vou dar um exemplo bobo para não me prender muito nesses detalhes, será que ninguém faz um contrato com o atleta  sugerindo uma agenda onde ele atuará por no máximo 45 partidas e somente 5 vezes poderá acontecer de jogar duas vezes na semana.

Sinceramente, acho nosso mercado potencial para trazer Van Persie, Sneijder, Pirlo, Drogba, Eto’o, Gerrard, Lampard, entre outros, acho que agregaria não só com práticas que eles tiveram no mercado e poderiam compartilhar com todos, mas para trazer aspectos culturais que são importantes em virtude do país de origem e etc. Além de trazer visibilidade mundial ao ter nomes como esse atuando por aqui.

O Brasil tem capacidade para ser um mercado forte para quem não tem mais espaço nas grandes ligas européias?

E para vocês, porque “os gringos” não vem para o Brasil?

Zequinha e sua primeira peneira

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Zequinha chegou na peneira, logo de cara percebeu que o ambiente era diferente, que a amizade e clima amistoso ficaram para trás e meninos com vontade de vencer surgiam.

Para piorar, ele percebeu que não iria necessariamente jogar com os amigos, eram muitos meninos, talvez mais de 100, ele pensava, na verdade eram 600 só naquele dia. O clube receberia naquela peneira cerca de 10.000 crianças entre 08 e 11 anos. E só escolheriam 30 meninos, 9970 crianças teriam sua primeira ou outra frustração na sua vida.

Zequinha não sabe ainda, mas o não ainda fará parte do seu dia a dia, o mundo fora da rua perto da casa vai se mostrando mais difícil do que ele imaginava.

Começa a primeira peneira, Zequinha está escalado para o terceiro jogo, no primeiro Jão e Carlos jogaram, Jão que era mais alto foi para a zaga, mas sofreu muito com um menino rápido de pernas quase invisíveis de tão magras e rápidas que passavam por Jão quase que instantaneamente que a bola chegava.

Carlos ficou ali no meio no time contrário de Jão, perto da defesa, um volante, não fez feio, mas também não teve destaque, cumpriu o que precisava e só, até porque ele percebeu que não consegui ficar correndo aquele campo todo, a rua era muito mais fácil, aquele campo era grande demais, era melhor ficar por ali quietinho na dele.

Vem o segundo jogo e Gigante e Pedrinho vão jogar juntos e no ataque do time de colete vermelho. O jogo transcorre bem, até que Pedrinho pega uma bola pela ponta esquerda e decide lançar Gigante na corrida, o menino sai em disparada e inocentemente não percebe quando o zagueiro rival percebe que não vai chegar na bola, desisti e vai direto no corpo de Giganta para fazer a falta e parar o lance.

A turma da rua não entende nada, aquilo era impossível, não existia isso no futebol deles, o futebol era sempre jogado, se o lance foi bem feito, deixa ele acontecer, mérito de quem executou. Algumas coisas começam a ferver na cabeça dos meninos, Zequinha percebe que a rua é um ambiente muito melhor para o futebol.

Enfim, chega a vez de Zequinha, o menino cai no time Azul dessa vez e vai para o jogo, fica na ponta direita, apesar de canhoto, prefere ali, porque fica mais fácil para chutar. O jogo começa e ele sai correndo por todo o campo para conseguir pegar a bola, as dimensões do campo, pouco importam para ele, ele quer jogar bola, quer brincar, já estava ansioso demais.

Zequinha na primeira vez que recebe vai para cima do marcador e dribla fácil, acha engraçado, ri e continua em frente, não olha muito para o lado para ver o seu lateral aparecendo, vai para cima do volante e dribla também, a bola se adianta e o zagueiro manda a bola para longe. Zequinha ainda não se importa e volta correndo para esperar a bola de novo.

E ela vem, agora ele decide tocar a bola no meio com um menino, manda para ele e corre, assim como faz com Pedrinho, já esperando ela lá na frente para tentar fazer o gol entre os chinelos, só que dessa vez a bola não vem, na verdade, ela já está lá com o lateral esquerdo que tenta avançar, Zequinha para e fica sem entender muito, o lance segue e ele não está na área para aproveitar o cruzamento.

A peneira segue com Zequinha ora se divertindo sozinho, ora desiludido em grupo. Por fim, o olheiro apita e acaba, Zequinha sai achando tudo muito estranho, senta do lado de fora e decide falar com seu pai, Seu Silva olhava tudo atentamente e não dizia nada para nenhum dos meninos, assim como Adenor que apenas trocava poucas ideias com o próprio Silva.

Zequinha pergunta: Pai, o que futebol na verdade? É o que eu brinco na rua ou esse aqui?

E eis que Seu Silva responde mesmo que aquilo ainda fosse distante para uma criança de 9 anos: Zeca, futebol é tudo isso e mais um monte de coisa, futebol é algo capaz de fazer você sentir as emoções mais intensas tanto as boas quanto as ruins, futebol é algo que não tem muita explicação, tem sensação.

Zequinha ouviu, não conseguiu captar muito bem, ficou um pouco confuso, mas como o dia estava estranho, preferiu continuar em silêncio por um momento.

Por fim, todas as peneiras acabaram e no fim, Carlos foi chamado para a segunda etapa, somente ele, outros receberam um duro não.

Zequinha nem ligou, a única coisa que ele sabia é que ele queria jogar mais, tentar mais, para entender realmente o que é  o futebol?

Capitulo 1 – Zequinha e o futebol de rua

Capítulo 3 – Zequinha, enfim aprovado

Quem pariu Matheus, que assuma esse gato!!

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E a final da Copinha está agora sob possível intervenção jurídica.

O atleta do Paulista que atuou na Copinha com o nome de Brendon Matheus é acusado de ser 3 anos mais velho e que seu nome real seja Helton Matheus. Aqui não  pretendo entrar no mérito da questão jurídica, existe gente competente para verificar qual é o lado real da história, se Brendo é Brendo ou Helton.

Contudo, o caso revisitou um tema que parece distante, mas na verdade é muito frequente no nosso futebol, inclusive em campeonatos amadores entre colégios e mesmo na varzéa. Faz parte do nosso comportamento social tão nocivo que reflete em nossos governantes, mas isso é assunto para outro fórum. Quem tiver interesse, assista esse vídeo do Leandro Karnal que para mim é o resumo do que penso.

Voltando a nossa praia que é o futebol, o famoso “gato” é prática comum no Brasil, basta lembrarmos de Emerson Sheik, Sandro Hiroshi e até mesmo Vanderlei Luxemburgo, todos que comprovadamente já assumiram que tiveram suas idades adulteradas ainda na adolescência. Mas qual a origem e qual o tratamento real que se dá a esse mal no futebol?

Ai que entra meu conflito, nada realmente é feito, nenhuma pesquisa profunda e diagnóstico detalhado é feito, por fim,culpa-se apenas o atleta e às vezes o clube, quando comprovado seu envolvimento na adulteração, o que é sempre muito difícil.

A questão é entender isso na origem, o gato não sai da cabeça de um atleta, nenhum menino de 13, 14 anos opta por trocar a identidade para ficar mais novo, nem meio para fazer isso e tampouco mentalidade para isso ele tem. E algum parente mais velho, um empresário que já se “aposssou” do menino ou mesmo um burocrata do clube onde ele começa a dar os primeiros passos.

E no final, quando o caso vem à tona, ele está sozinho e mais uma vez individualizamos o problema e não tratamos a causa de forma real, vamos continuar acabando com carreiras de Brendons,Heltons, Sandros e por aí vai, talvez os exemplos de Sheik e Vanderlei sejam os unicos e inapropriados que deram certo, pois, dão a entender que com sorte pode haver impunidade, isso quando falamos dos conhecidos, e aqueles que passaram a carreira sem serem descobertos?

E não quero que Emersons e Vanderleis paguem e fiquem sem carreira, quero que o problema realmente seja tratado, olhado a fundo, para que os atletas tenham o direito de ter sua carreira livre de sujeira e construído ela pelo mérito próprio e não por uma troca de ano de nascimento.

Não adianta massacrar Brendon Matheus ou Helton Matheus, mas adaptando o ditado, quem pariu esse “novo” Matheus que cuide, ou melhor que se responsabilize por ele.

Quem mais merecia a Bola de Ouro?

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E na quarta-feira no Instagram lancei a pergunta, qual jogador merecia ter recebido uma Bola de Ouro?

A pergunta começou por causa de um vídeo que eu também postei no Insta de Iniesta, vi o vídeo e lembrei que mais do que aquele lance no Insta, Iniesta quase sempre jogou acima da média, quase sempre foi genial e talvez seja um dos grandes nomes que colocaram o Barcelona no estágio atual de super time.

Contudo, ao ver que Iniesta começa a dar indícios que sua carreira caminha para o final, percebi que ele não terá a chance de receber esse prêmio individual máximo, e aí fiquei me questionando quem mais teve carreira brilhante, mas não recebeu tão honraria.

Fiquei pensando se o prêmio não poderia ser dado para mais de um jogador por ano, mas acima de tudo precisaria criar alguns critérios para não virar prêmio de consolação ao invés de realmente um prêmio para quem foi destaque do ano.

Sendo assim, meu intuito aqui é destacar jogadores que foram fora de série, mas por terem disputado com alguém que também foi sensacional no mesmo ano, ficou sem o prêmio. Não irei listar quem ainda tem potencial para ganhar, mas sim quem provavelmente não ira ganhar mais ou quem já se aposentou.

Para saber quem já ganhou, clique aqui, não trouxe a lista, porque é imensa.

Mas irei listar alguns jogadores dos quais vi jogar e que foram sensacionais em alguns momentos/ano/temporada.

Buffon, Maldini, Baresi, Del Piero, Totti, Iniesta, Edmundo, Gamarra, Hagi, Bergkamp, Baggio, Batistuta, Ibrahimovic, Eric Cantona, Henry, Gerrard, Romário, Pirlo, Rijkaard.

Confesso que foi um exercício dificílimo e que provavelmente terei esquecido de alguém, meu único ponto fora da curva foi Edmundo, mas sua temporada em 97 foi absurda e precisei mencionar.

E para vocês, quem mais ficou faltando dessa lista?

 

A convocação do Brasil para o amistoso

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E Tite soltou a lista para o amistoso entre Brasil x Colômbia para arrecadar dinheiro para a Chapecoense, a lista foi toda feita com jogadores que atuam pelo Brasil. Confira os convocados:
Goleiros: Alex Muralha (Flamengo), Danilo Fernandes (Inter), Weverton (Atlético-PR)
Laterais: Fabio Santos (Atlético-MG), Fagner (Corinthians), Jorge (Flamengo), Marcos Rocha (Atlético-MG)
Zagueiros: Rodrigo Caio (São Paulo), Pedro Geromel (Grêmio), Luan (Vasco), Vitor Hugo (Palmeiras)
Meio-campo: Camilo (Botafogo), Diego (Flamengo), Henrique (Cruzeiro), Rodriguinho (Corinthians), Walace (Grêmio), Willian Arão (Flamengo), Gustavo Scarpa (Fluminense), Lucas Lima (Santos), Diego Souza (Sport)
Atacantes: Dudu (Palmeiras), Luan (Grêmio), Robinho (Atlético-MG)
A CBF teve a preocupação de montar um esquema para não atrapalhar a pré temporada de ninguém, mas acima de tudo algumas coisas me chamaram a atenção nessa convocação, pela distribuição das vagas.
Sinceramente goleiros, laterais e zagueiros achei adequado os convocados, mesmo que fizesse uma alteração ou outra, contudo do meio para frente que ficou interessante.
Primeiro, foi a curiosidade de diversos meios de comunicação colocarem Diego Souza como atacante, coisa que o jogador nunca foi, me pareceu uma necessidade de colocar mais nomes no ataque e aí vem o detalhe importante, nossa escassez de jogadores de frente que poderiam ser testados. Na visão de Tite, não existiu ninguém que mereceu uma chance para o ataque, o que de certa forma eu concordo já que os principais destaques foram Fred, Jesus e Marinho, o primeiro não precisa ser mais testado e os outros dois já foram embora do Brasil.
Em compensação no meio, a sensação que a seleção “nacional” tem mais camisas 10 do que a seleção “estrangeira”, são cinco camisas 10 no grupo, enquanto na seleção com todo mundo, temos 3 jogadores com essa característica.
Será legal ver Diego e Robinho juntos novamente, será bacana porque é um jogo festivo e diante da organização que envolverá pouco contato com Tite, o que acontecerá fora de campo será mais importante do que dentro para definir uma futura chance na seleção.
E vocês, o que acharam da convocação do Tite?