O São Paulo vive…

Michel290416

Ah, o futebol.

Não costumo escrevo posts como torcedor, apesar de sempre deixar claro meu amor pelo São Paulo, mas é inevitável tecer algumas linhas após a atuação de gala do time nos primeiros 45 minutos de ontem. O segundo foi de inteligência, mas o primeiro é quase um exemplo, uma obsessão para o time buscar sempre.

Bauza, enfim teve uma semana para trabalhar e o resultado foi incrível. Aliás, Bauza merece mais um caminhão de elogios pelos dois últimos jogos, duas escolhas acertadas (Centurion e Wesley), o grupo parece fechado com ele.

A crise dentro do elenco que sondava os corredores do Morumbi foi resolvido ao melhor estilo Telê, na base da disciplina, do entendimento da responsabilidade e entendendo que não adianta fazer biquinho, amanhã alguém que você não gosta continuará lá, aprenda a conviver.

E no meio disso tudo, o protagonismo de Ganso. O que Paulo Henrique está jogando nesse ano é formidável, Ganso assim como o time parece ter retomado o tesão por jogar bola, seu talento sempre o acompanhou e permitia ele dar demonstrações dele em alguns jogos, mas aliado ao tesão que ele readquiriu, seu futebol aparece sempre no tricolor.

Bauza, Lugano, Maicon, Pintado, Cunha e Leco ressucitaram a alma do São Paulo. Não sei até onde o time irá, ainda é cedo, mas acima de tudo o time ganhou alma e coração, o sangue volta a correr nas veias.

O São Paulo vive…

Por mais Audaxia em nosso futebol…

Audax

Sim, não resisti e fiz essa piadinha infame no título. Mas é porque para mim, nada é mais infame do que nossa covardia em fazer algo diferente no nosso futebol. Precisa o time pequeno, decidir por isso para inovar em nosso futebol.

Alguns podem chamar o que o Audax faz de inconsequente, audaxcioso demais (tá impossível não fazer as piadinhas) e eu até concordo. Acho que o time às vezes se torna refém de uma filosofia tão obsessiva pela posse de bola, ou pelo não chutão como estão dizendo por aqui.

Mas acima de tudo, o Audax tem filosofia implantada, um projeto que todo mundo em São Paulo conhece muito bem e que agora faz com que o Brasil olhe para o time. E aí, me pergunto, não precisa ser igual ao Audax, mas qual a dificuldade de um clube brasileiro grande conseguir se levar a sério e planejar?

Sim, se levar a sério, porque do jeito que é feito, é imediatista. Não esquecemos, em 2016, em meio a essa onda de recuperar o 7×1, continuamos jogando planejamento de elenco fora ainda em Abril. Dos 20 clubes da Série A, 8 já trocaram de técnicos, ou seja, 40% dos clubes ainda no primeiro quadrimestre já rasgaram seu planejamento anual.

O que dizer de um clube como o Audax que tem esse planejamento sendo executado a alguns anos.

Para não perder a piada, será que é tanta Audaxia assim?

Restam 16 na Libertadores-16

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Depois de quase três meses de Libertadores encerra-se a fase de grupos, restam agora apenas 16 times.

São 5 argentinos, 4 brasileiros, 2 mexicanos, 1 uruguaio, 1 paraguaio, 1 colombiano, 1 equatoriano e 1 venezuelano. 8 países diferentes seguem, mas a soberania fica com Argentina e Brasil. Só San Lorenzo e Palmeiras não avançaram.

Vamos aos confrontos: (Irei listar de 1º ao 16º, sendo que do 9º em diante serão os segundos colocados de acordo com a campanha, certo)

Atletico Nacional-COL (1º) x Huracán-ARG (16º): O time da Colômbia tinha tudo para terminar com 100%, mas se poupou e empatou a última partida, além disso segue com a espetacular marca de não ter tomado nenhum gol na competição. Apesar disso, times colombianos costumam prezar pela imprevisibilidade. Assim, como esperar algo do time argentino.

O Huracan é um time advindo do próprio grupo dos colombianos, a tendência é que o Nacional passe sem grandes dificuldades, só perdem para si mesmo.

Pumas-MEX (2º) x Deportivo Táchira-VEN (15º): Confronto teoricamente tranquilo para os mexicanos. Outro confronto com origem dentro do mesmo grupo, ambos estavam no grupo 7. O Táchira tem o fator casa como força, mas é goleado facilmente fora. A tendência é que o Pumas avance.

Corinthians-BRA (3º) x Nacional-URU (14º): Confronto na teoria fácil. O Corinthians tem sido forte dentro de casa e conseguido também impor seu jogo fora. O Nacional conseguiu a classificação graças a duas vitórias consecutivas sobre o Palmeiras.

O time uruguaio com exceção a esses dois jogos, tem feito apresentações bem abaixo, apenas a camisa tem a mística, a questão é saber se o que desperta o time uruguaio é um time brasileiro do outro lado, ou foi apenas um lampejo contra o Palmeiras.

Atlético-MG-BRA (4º) x Racing-ARG (13º): Confronto duríssimo para o Galo. Apesar da ótima campanha na fase de grupos, pegou um adversário duro que usa seu estádio como um verdadeiro caldeirão para fazer seu resultado.

O Galo tem jogado um futebol excelente, talvez o melhor dentro do Brasil, mas isso não o coloca como favoritaço no confronto, precisa mostrar esse futebol e aquele 1% que a Libertadores exige. Promessa de duas grandes partidas.

Toluca-MEX (5º) x São Paulo-BRA (12º): Confronto parelho. O time mexicano fez ótima campanha dentro do considerado grupo da morte, tem boa proposta coletiva e decide em casa.

Já o tricolor paulista, tem a mística da camisa dentro da competição e a crescente do time nos três últimos jogos, o time ainda tem suas oscilações, mas já demonstra um estilo mais compatível com o que a Libertadores exige. Acredito que o São Paulo possa passar para a próxima fase.

Boca Juniors-ARG (6º) x Cerro Porteño-PAR (11º): Confronto também bem parelho. O Boca é o Boca, assim como o São Paulo começou patinando, mas embalou no returno, a diferença é que além do Nacional da Colômbia, apenas os argentinos ainda não perderam na competição. E o time deu sinais de melhora nos dois últimos jogos.

O Cerro talvez tenha um dos seus melhores times dos últimos anos, pode dar trabalho, mas ainda é o início desse time, talvez a pressão de enfrentar uma Bombonera entupida valendo vaga, pese e consequentemente custe a próxima fase.

River Plate-ARG (7º) x Independiente del Valle-EQU (10º): O time equatoriano tem seu valor, mas só, enfrentará o tradicional time argentino e atual campeão da competição, a tendência é que fique pelo caminho.

Rosário Central-ARG (8º) x Grêmio-BRA (9º): Nem sempre um cruzamento é lógico, as vezes o primeiro não pega o pior time classificado, mas nesse caso, não poderia representar melhor o emparelhamento.

Rosário como o pior primeiro e Grêmio como o melhor segundo representam bem o equilíbrio que será o duelo. É inevitável ficar em cima do muro, talvez o fator de jogar a última em casa, jogue a favor do Rosário, além de eu achar o time com o melhor potencial da competição. Mas é confronto duríssimo, o mais parelho dessa fase.

Mas como o Cadê Meu Camisa 10 não fica em cima do muro, segue meus palpites para os confrontos das quartas:

Nacional-COL x Rosário-ARG
Pumas-MEX x River-ARG
Corinthians-BRA x Boca-ARG
São Paulo-BRA x Racing-ARG

Obrigado Klopp!!

Klopp_comemorando

E o que aconteceu no Anfield ontem?

Nada melhor para essa época de renovação dos votos, renovarmos os nossos votos apaixonados pelo futebol. A virada épica que o Liverpool proporcionou em cima do Dortmund é mais um daqueles jogos que ficam para a história, e nos serve para mostrar que não é somente um esporte.

E se o Liverpool já fez algo parecido em 2005 em uma final de Champions, ele resolveu repetir como uma dose de novela das 21h para os espectadores. No banco de reserva, havia Jurgen Klopp. O treinador que recolocou o Dortmund na conquista de títulos, começa a trilhar seu caminho na terra dos Beatles.

Além disso, ambas as torcidas tem o mesmo cântico, You’ll never walk alone, traduzindo, você nunca andará sozinho. E ontem, essa música foi entoada pelas duas torcidas em homenagem a Klopp, quem imaginaria ao final do jogo que um clube teria esse respeito pelo ex-treinador.

Klopp junto de Tuchel proporcionaram um grande jogo para todos, principalmente para nós que apenas apreciamos a partida. Renovamos nosso espírito futebolístico e sabemos que nem eu, nem você, nem Klopp, nem ninguém estará sozinho nessa caminhada pelo futebol.

Obrigado Klopp.

O verdadeiro fato novo…

tite21

Acho engraçado como somos reféns dos nossos repetidos erros.

Reclamos da atuação da nossa seleção, esquecemos de olhar como o mundo faz e sentamos no ignorante isolamento de que resolveremos tudo aqui dentro. Precisamos assumir a primeira verdade, somos ultrapassados.

Nossa seleção sobrevive pelo talento, que é gigantesco, mas sempre teremos algumas seleções a frente coletivamente, enquanto continuarmos com esse pensamento bairrista.

Enquanto, uma filosofia, um esquema, um trabalho de formação real dos jogadores para que eles assumam a seleção não for feito, nossos times serão sempre catados, por muitas vezes ou sempre, ótimos catados, com a chances até de títulos, mas ainda sim, catados.

Outro questão importante fugindo da seleção, mas um mantra dentro do nosso território é a falta de paciência com o pofexo. Estamos insistindo na burrice de avaliar trabalho de treinador com apenas um mês, tanto para elogiar, quanto para massacrar.

De verdade, é possível alguma análise sobre o produto entregue por Aguirre, Bauza, Cuca, Deivid, Levir e Muricy? Cada um a sua forma, estão implantando sua filosofia, seu esquema tático, enquanto os jogadores estão ainda entendendo, consequentemente, errando muito para aprender.

É completamente absurdo julgar um trabalho antes de pelo menos um semestre. Qualquer outra decisão pela glória ou inferno de qualquer um desses é fruto de subjetividades nossas, é se apegar em misticismo, ou na velha máxima, era preciso um fato novo.

Fato novo hoje em dia em nosso futebol, é deixar um treinador trabalhar, isso sim um tremendo fato.

E a palavra é Jerarquia

Edgardo-Bauza

Bauza tem usado muito essa palavra, na verdade ela é a principal característica que ele procura em suas equipes.

Se fossemos traduzir literalmente teríamos a palavra hierarquia. Palavra que para nós significa apenas uma forma de organizar as pessoas ou coisas diante de uma ordem de prioridades. Por exemplo, do diretor para o assistente.

Muitos trouxeram que Bauza trata como uma forma de protagonismo, de imposição que seu time deve exercer no jogo. Contudo tem um pouco mais nas entrelinhas, na tradução literal e na esperada sobre o que Bauza espera.

Bauza considera o futebol lógico, como uma forma clara de expectativa do que o outro (rival) irá propor e como será feito para combater isso, a questão está apenas em como os jogadores respondem a isso e ai entra a jerarquia de Bauza.

Não simplesmente assumir o protagonismo, mas principalmente a capacidade suficiente de que todos os atletas hierarquizem as prioridades de ações a serem tomadas para que o funcionamento tático seja o mais próximo do combinado possível.

De certa forma, nas literaturas sobre Mourinho e de Pep (a qual estou lendo agora) e mesmo nos discursos de Tite (nossa principal referência atual) a questão mais importante trazidas por todos é como garantir que o jogador saiba o máximo de possibilidades que o jogo pode trazer para ele e quais respostas ele terá para agir.

Quando Bauza diz que o time precisa de mais Jerarquia, ou que precisa de jogadores com mais jerarquia, ele simplesmente traz o conceito de maior sucesso do futebol.

Quanto mais eu consigo ser claro para que meus jogadores entendam as possibilidades e quanto mais talento eles tenham para conseguir aplicar essas respostas durante o jogo, mais sucesso o time terá.

Bauza pode ainda não saber traduzir a palavra, assim como nós olhamos ela com a mesma superficialidade de um Google Translate, mas ela traduz muito da excelência que se busca dentro das quatro linhas.