Treinador da noite para o dia…


miltonmendes120815

Esse Brasileirão ainda está longe de acabar, mas por uma característica ele já me chama atenção.

A mudança das caras de nossos treinadores.

Daqueles que chamamos de velha guarda restam Luxa, Levir e Celso Roth, sendo que só último parece continuar na velha guarda. Luxa e Levir, ambos em Minas mostram renovação em suas propostas, vale lembrar que Luxa era vanguarda em seu tempo.
Contudo queria falar sobre dois casos e o que eles representam. Roger (Grêmio) e Milton Mendes (Atlético-PR).

Sobre Roger, a goleada sobre o Inter foi mais do que a competência dele, mas também um exagero do futebol para permitir a ele tranquilidade suficiente para seguir o trabalho. Roger caiu de para quedas no comando do Grêmio, teve início excelente e na primeira oscilação, choveram críticas. Mania nossa, de ter paciência infinita com os coronéis boa praça de boné e qualquer coisinha bater nas novidades.

Roger é o caso típico do treinador brasileiro. Jogador que estuda e se prepara pela prática, por vídeos, não faz nenhuma formação, a vivência o forma treinador, pequenos cursos, pequenos estágios e conversas com grandes treinadores é o que preenchem esse currículo.

Milton Mendes é o treinador que rotulamos de europeu. Estudioso de verdade, formado, único brasileiro com formação grau 4 pela UEFA Pro, no Brasil, além dele só Osório. Treinador com preparação para exercer o cargo e que agora vai ganhando espaço para falar sobre o tema.

E ele falou sobre a questão da formação de nossos treinadores. E aí dou toda a razão para ele. Milton disse que não se pode brincar de dar o cargo de treinador para qualquer um, que no Brasil assim como na Europa a formação dessas pessoas deveria ser obrigatória. Não é porque você como jogador sabia olhar bem o jogo que você se dará bem como treinador.

Eu que sou um profissional de RH, sei o quão diferente é essa mudança de degrau. Sair de ótimo vendedor, para coordenador de vendas, de ótimo analista financeiro, para gerente. É outra função. É outra chave, tudo aquilo que você aprendeu, apenas te levou até ali, agora a brincadeira é outra. A preparação para essa troca é fundamental, ou o tempo para que o profissional erre muito é gigantesco.

Treinador no Brasil é assim. Dorme jogador, acorda técnico. Durante bons anos, apanha muito por times pequenos, se arrisca em um time grande, vê um elenco boicotar ele e só depois de 10-15 anos na labuta é que alguns começam a colher os frutos.

O que Milton defende é apenas que todos sejam preparados antes de assumir o chapéu de treinador, para que outros Rogers (Grêmio) não precisem contar com o tripé sorte-competência-goleadaemclássico para ter tempo para aprender na prática.

Que eles durmam jogadores, acordem vão para a escola primeiro e depois se formem treinadores.

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