Sonho de uma noite de verão…


Tião tem 62 anos e é torcedor fanático do Corinthians. Não sabe dizer até hoje como começou essa paixão. Segundo ele mesmo “foi assim, simplesmente sou corintiano”.

Tião lembra que no começo, sua torcida foi difícil. Enfrentou uma época de vacas magras, o time havia ganhado um título quando ele tinha apenas 4 anos, o qual ele não lembra. Depois disso, foram longos 23 anos de fila, terminando em 1977 com o histórico gol de Basílio.

Os anos foram passando e Tião viu o Corinthians ganhar 5 títulos brasileiros entre outros títulos. Mas faltava a Libertadores, Tião já andava fraquejando da saúde e lembrava com muita dor da eliminação pelo Palmeiras em 1999. Começava a acreditar que o “tal de karma” existia mesmo. Que o seu Corinthians nunca conquistaria o torneio sulamericano.

Eis que o pulmão fraquejou de vez, e Tião ficou internado nos últimos 6 meses e entre os fortes remédios que tomava, entrava em sono profundo e acreditava delirar as vezes.

Acreditava, porque nesse sono profundo, ele viu o Corinthians estreiar na Libertadores de maneira nervosa, o que incomodava ele, mas quase no final do jogo, o primeiro delírio, Ralf desvia uma bola para empatar a partida. A sorte que sempre foi inimiga do time na Libertadores, resolveu ajudar.

Nesse sono profundo, ele viu o time passar pela fase de grupo sem perder. Empatando os jogos fora e ganhando os dentro de casa.

Eis que no início do mata-mata, outra surpresa. Aquele goleiro afobado, que Tião chamava de goleiro de Gulliver (porque só rebatia as bolas), saia para entrar o jogador um pouco desproporcional, grande demais, estranho demais, mas que incrivelmente foi seguro demais e seria importante nesse sonho maluco de Tião.

Seria importante, porque no decorrer do sonho, Tião viu seu time enfrentando o Vasco, o mesmo que o Corinthians enfrentou na final do Mundial de 2000. Mas, não houve revanche, foi o confronto mais difícil do Corinthians, mas graças a uma defesa milagrosa daquele goleiro que não era de Gulliver e um gol do incansável volante, o time avançava.

Detalhe, Tião jura que na comemoração desse gol, o volante foi na grade abraçar um torcedor.

E aí veio, o rival que mais castigou Tião, o Santos que durante a epóca de fila, aplicava goleadas e vencia finais impedindo o fim do jejum. Eles tinham, o que eles chamavam de Pelé da nova geração. Pronto, Tião acreditava que seu sonho estava tornando-se um pesadelo.

Tião tratou de mexer “uns pauzinhos” no seu sonho e fazer com que o tal Pelé contemporâneo não jogasse, estivesse em campo, mas não fizesse nada de efetivo contra o Corinthians. E assim foi, o Corinthians vencia dentro da Vila Belmiro e segurava um empate dentro do Pacaembu.

O Corinthians chegava na final de uma Libertadores. Tião entrava em euforia dentro do seu sonho. E pensava alto, como é bom sonhar, nos permite tudo e então ele resolveu escolher um adversário de verdade. Já que é sonho mesmo, vou escolher um rival que seria assustador, escolheu o temido Boca Juniors.

O famoso carrasco argentino foi escolhido por Tião para ser o adversário da final, até porque Corinthians não é Brasil, Corinthians é Corinthians. Aqueles argentinos são carrascos de times brasileiros não dá gente.

Então, houve o primeiro jogo na Bombonera, Tião fez questão de botar todos os ingredientes, catimba, pressão, tensão e o talismã. Como sempre houve na história corintiana, alguém tinha que assumir esse papel e um tal de Romarinho se tornava o novo Tupãzinho da Fiel. O Corinthians segurava na raça o empate contra o Boca e ia decidir em casa.

A semana que antecedeu a final pareceu levar anos no sono profundo de Tião, mas ela chegou e Tião resolveu brincar no jogo, fez o primeiro tempo ser tenso, um pouco perigoso mesmo com o domínio corintiano, mas no segundo resolveu permitir que seu sonho fosse mais leve, tratou de tornar o Boca um mero bicho papão que só existe nas histórias infantis e tornar Emerson Sheik o personagem do título.

Assim Tião dormia feliz, porque tinha conseguido ter um sonho tão bom durante esses meses.

Pois é, Tião pode acordar. Seu sonho se realizou, o Corinthians é campeão da Libertadores da América e mais de maneira invicta.

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