Um pouco mais de paciência… e menos de “raça”!!

Tenho lido muita coisa sobre a seleção brasileira, principalmente comparando-a com a uruguaia.

Muitos dizem que o que falta para o Brasil é a tal da raça uruguaia, aquele sentimento de pertencer ao grupo, de conseguir sentir a importância de usar a camisa da seleção nacional, de entender de aquilo sim é a conquista máxima na vida do jogador e não o título de gol mais bonito ou topete mais curioso.

Outros tantos, falam que falta jogadores, que o time é limitado que nem de longe esse time tem cara de Brasil, que passamos por uma crise de talento, que não investimos na base e coisa e tal.

Mais uma boa parte, acusa que essa seleção não é mais brasileira e sim Teixeira.

E ainda tem uma parcela que prefere adotar a postura mais cômoda colocar a culpa no treinador e pronto. Chamá-lo de vendido para um grupo de empresários e dizer que a seleção virou balcão de negócio.

Acho que fica um pouco limitado olhar apenas essas esferas, confesso que não sou fã do Mano, mas como questionar suas convocações? No máximo, as maiores cobranças estão em Hernanes, Marcelo e Hulk. O primeiro errou feio com ele, tudo bem que é melhor que dezenas de volante que ele vem convocando mas entendo as razões de Mano. O segundo mandou um email dizendo “que havia se livrado da seleção”, também não questiono Mano nesse sentido. Quanto ao último, acho engraçado, quando Dunga convocou, o técnico era louco, agora o técnico que não convoca é o louco. Torcedor brasileiro sofre de “convocação precoce”.

Sobre a seleção ser de Teixeira, quem entregou na mão dele, foi tão somente, nós torcedores, portanto se cobrarmos de verdade, ela será nossa de novo.

Com relação aos jogadores e a raça, os outros critérios mencionados, acho que existe uma questão um pouco mais profunda, o quanto realmente a seleção brasileira tem sido preparada como um time, criada uma filosofia com os jogadores. Vejamos o exemplo do Uruguai, a Celeste não chegou a essa condição da noite para o dia, houve um momento em que um planejamento foi traçado e seguido a risca.

Planejamento esse que recolocou a Celeste na rota das conquistas, as seleções de base vem ganhando vários títulos e estão completamente ligadas ao time principal, basta dizer que na final do Mundial sub17, Forlan, Lugano e Loco Abreu ligaram para os jogadores para parabenizá-los pelo vice campeonato. Imagina a cena no Brasil, os principais ídolos ligando para a molecada para agradecer pelos serviços prestados.

E aí, entra o que eu sinto falta de verdade, a identidade brasileira, não precisamos jogar com a mesma raça uruguais, nem com a mesma disciplina tática alemã, ou mesmo com a molecagem africana, basta jogarmos como brasileiros.

Hoje essa identidade fica difícil, a seleção sub-17 joga de um jeito, a sub-20 de outro e a principal de mais uma forma diferente, precisamos resgatar nossa identidade e plantar essa semente, precisamos de tempo, mas dá para colher ótimos frutos ainda na Copa aqui dentro. Para isso, precisamos de paciência e disciplina para que essa planta seja regada e cresça todo dia.