A seleção não empolga mais…

Galera do blog, nos últimos três dias rodei um monte de blogs que comentavam sobre a atuação da seleção, entre várias análises táticas coerentes, sugestões interessantes e comentários descabidos me peguei pensando na importância da seleção para os torcedores.

Faz tempo que a seleção não move paixão como a “Vênus prateada” tenta nos vender. Quem realmente fica entristecido com uma eliminação da seleção? Ou melhor quem assistiu ao jogo da seleção com a mesma atenção que assiste ao jogo do seu clube?

Comecei a perceber que o problema da seleção é um pouco mais profundo do que simplesmente a escalação, tática ou entrosamento do time. Acabou o interesse dos envolvidos em jogar pela seleção.

Independente da importância e do orgulho de jogar pela seleção que esperamos que todos os jogadores tenham a vestir a amarelinha, pensa como é complicado para um jogador que durante um ano inteiro treina com um grupo de jogadores e de repente por no máximo 15 dias precisa se entender com o cara ao lado.

Parece bobeira, mas aqueles que jogam ou já jogaram bola, sabe como é mais fácil jogar bola com alguém que joga com você por mais tempo, conhece o seu jeito. Vou usar apenas um exemplo para ficar um pouco mais claro para vocês, vamos falar do nosso camisa 09, Pato, o atacante está acostumado a jogar como segundo atacante, tendo Ibrahimovic para tabelar, assim fica mais fácil para usar sua velocidade e explosão. Da mesma forma, está acostumado com os lançamentos de Seedorf e Pirlo para ele. Durante 11 meses praticamente, essa é a rotina dele, de repente durante 15 dias ele precisa se acostumar a jogar sozinho na área e a receber lançamentos de Ganso.

Qual a motivação inconsciente do jogador de aprender tão rápido, sabendo de talvez se faça necessário “desaprender” um pouco o jeito de jogar no Milan? Lembrem que é pelo jeito que ele joga no Milan que ele foi convocado para seleção, confuso não? Imagina na cabeça do jogador.

MAs vamos falar daqueles que são fundamentais para que a seleção tenha importância, os torcedores. E o interesse deles a cada ano que passo fica mais desleixado, a seleção serve apenas para eles reclamarem que o “fulano” do time deles não está ou que o “ciclano” que joga no rival e foi convocado não passa de enganação.

A seleção vem perdendo sua paixão “coincidentemente” desde que Ricardo Teixeira assumiu o comando da máfia, quero dizer da CBF, Ricardo assumiu em 1989 e se pararmos para pensar desde então a seleção deixou de despertar interesse em seus torcedores.

Lógico que muito desse desinteresse inicia-se pelo processo de internacionalização da seleção, são pouquíssimos os jogadores que atuam no Brasil, aliás essa “bendita” globalização começou a aumentar o poder dos clubes e enfraquecer as seleções. Basta ver, como a partir da década de 90, inúmeros jogadores se naturalizaram e foram jogar em seleções diferentes de onde nasceram.

Soma-se a isso o famoso jargão de que futebol é business hoje em dia, nossa seleção por exemplo usa o Emirates Stadium em Londres como sua casa. Como podemos criar alguma identidade com a nossa seleção. Identidade essa que não restringe a nosso terreno não, o que dizer de nossos vizinho que tem na sua maior estrela, um jogador que com 13 anos foi para Espanha, aprendeu a jogar lá e atua no time que tem como base a seleção espanhola. Aproveitando até o exemplo do Pato como Messi consegue se adaptar na seleção argentina dessa forma.

Isso sem falar de inúmeras outras seleções que já não despertam todo esse amor pelos seus torcedores, listo apenas Itália e Alemanha que parecem a distância manter acesa essa paixão dos torcedores.

É por isso que tem muito mais gente reclamando da paralisação do Brasileirão do que da fraca atuação de Ganso ou Neymar.

Estou começando a achar que em 2026, ao invés de seleções na Copa, teremos clubes representando os países. Já pensaram nessa hipótese?