Mestres do exagero!!


De Vitor Birner

Reproduzo abaixo o texto principal de minha coluna, sábado passado, no Lance!

Algumas pessoas precisam entender coisas óbvias:

Os competentes erram.

O melhor trabalho nem sempre termina em título.

Não existe ser humano perfeito.

E nem críticos infalíveis.

Mestres do exagero

O exagero e o maniqueísmo estão arraigados em nossa cultura. Boa parte do povo adora o carnaval e suas excentricidades.

Quem não faz parte da maioria, em regra, detesta a festa popular. A considera perda de tempo e futilidade tupiniquim.

O fervor religioso é outra marca do brasileiro. Ele gera enormes discussões e até brigas entre cristãos seguidores de doutrinas diferentes.

Os indivíduos também são rotulados.

Heróis ou vilões, certos ou errados, bandidos ou cidadãos decentes, exemplos ou vergonha social…

Você já deve ter escutado de tudo.

Veja o caso do zagueiro Leandro Castán, que atirou sem querer no amigo.

O pai do ferido sempre disse que foi acidente.

A palavra de quem ama o filho não bastou para os sujeitos metidos a Deus.

No dia seguinte eles chamaram o jogador de assassino.

As avaliações desmedidas, pouco inteligentes e em tom de julgamento
também são tradicionais no futebol.

O técnico Ricardo Gomes era ruim até a última quarta-feira.

Agora que ganhou o título da Copa do Brasil as opiniões mudaram. Ele nunca deixou de ser competente.

Nem sempre o trabalho bem feito rende títulos.

Há mais profissionais acertando noutras equipes

Faltou pouco para o Coritiba levantar a taça. Se tivesse conseguido, quem modificou a avaliação sobre o treinador vascaíno hoje pensaria de maneira diferente.

Muricy Ramalho, comandante do favorito ao título da Libertadores, recebe muitos e merecidos elogios porque melhorou o sistema defensivo santista.

Na prática, trocou a ofensividade radical por um baita ferrolho.

O Peixe sofreu contra o América e Once Caldas.

Ainda bem que não tomou gol no fim dos jogos.

Assim evitou que os elogios à força de marcação virassem críticas à postura covarde e à destruição do belo futebol do time.

Telê Santana sofreu com a fama de perdedor até comandar o São Paulo de Raí.

E sempre foi um mestre.

Este autor chato e pragmático do texto não tem a menor pretensão de colocar seus pés no chão.

A vida de emoções, ilusões e personagens é mais prazerosa.

Só tente ser justo com perdedores e vencedores

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