Despedida para todos!!

Galera, mais uma vez trago um texto de Cosme Rímoli, acredito sim na influência dos principais personagens do texto abaixo (CBF e Globo), mas acho que fundamentalmente a influência do dinheiro e dos descaso do brasileiro com seus ídolos ajudam a este cenário. Longe de mim, de achar que os culpados são os dois personagens principais, acredito que na verdade esse texto sirva para que a população acorde para sempre enaltecer seus ídolos. Confiram o texto abaixo:

“Lógico que eu adoraria fazer uma partida de despedida da Seleção Brasileira.Mas sei que não há a menor chance de a CBF fazer um jogo só para mim.”
Cafu…

“Gostaria de fazer um último jogo com a camisa do Brasil. Mas nunca tive a menor esperança para não me decepcionar.”
Rivaldo…

“Não sei o motivo, mas nunca foi cogitado. Lógico que eu gostaria de ter uma despedida da Seleção.”
Rivellino…

“O Brasil não reverencia seus ídolos. Quem passou, passou…”
Carlos Alberto Torres…

“Você é mais valorizado no Exterior do que na sua própria terra. Nunca esperei jogo de despedida da Seleção porque sabia que não viria.”
Jairzinho…

Esse sentimento de desprezo, de desvalorização é marca registrada da enorme maioria dos grandes jogadores brasileiros. Estes foram alguns a quem perguntei pessoalmente sobre não ter uma despedida da Seleção. A sensação de tristeza foi exatamente a mesma. A decisão de fazer uma partida de reconhecimento, agradecimento ao jogador sempre coube a duas entidades.

A primeira, a CBF. A segunda, a TV Globo. Uma é dona da Seleção Brasileira por direito. A outra, por contratos de exclusividade que remontam à pré-história. A CBF sempre manteve uma postura ingrata, preguiçosa em relação aos jogadores que fizeram história com a camisa verde e amarela.

Enroscada no péssimo calendário que domina o futebol brasileiro, abrir datas para despedidas de jogadores exigiria trabalho. Competência para estabelecer datas. Arrumar estádio, chamar atletas importantes que convencessem a TV Globo que valeria a pena mostrar o amistoso.

Melhor, não. Afinal, há tanto o que fazer na CBF…

Então, a melhor atitude para os dirigentes é fazer cara de paisagem… Deixar os jogadores que deram prestígio, títulos e dinheiro à entidade ir parando aos poucos… Tem a morte como atleta silenciosa. Sem qualquer comemoração, agradecimento.

Cafu, o capitão do pentacampeonato mundial, foi o jogador que mais vestiu na história a camisa da Seleção. Ele costuma brincar com amigos que não recebeu nem um aperto de mão pelo que fez pelo Brasil.

Isso tudo não vale para quem junta mídia internacional, patrocinadores e bom relacionamento com Ricardo Teixeira. O presidente da CBF resolveu anunciar hoje que Ronaldo terá seu jogo de despedida da Seleção. Será contra a Romênia, em junho.

Não que Ronaldo não mereça, é lógico que merece. Mas tantos e tantos outros mereceriam, como Tostão, por exemplo. O que irrita é a postura oportunista no pior sentido da palavra. Com Ronaldo há a certeza de lucro na despedida.

Há a necessidade de ganhar dinheiro até nesta hora.

A de Pelé era impossível não acontecer…

E como me lembra um leitor, a do Garrincha aconteceu sem o aval da CBD, CBF da época… A do Garrincha… Será que um jogo de adeus a Dunga, a Aldair, a Bebeto, a Mauro Silva teria lucro? Eles e tantos outros não mereceriam? Nem que fosse uma despedida em grupo?

Afinal, foram ‘só’ campeões do mundo pelo Brasil. Se Ronaldo não tivesse feito as pazes com Teixeira, o jogo também não sairia. Ou ele não passou a ser nome vetado na Seleção depois das farras que aprontou em pela Copa de 2006?

O adeus a Romário só saiu porque a TV Globo quis. O Brasil continua sendo um país injusto demais com seus grandes jogadores.
Basta analisar com calma o que os europeus fazem com os atletas que defenderam suas seleções. “Perdi a conta de despedidas de atletas que já fui jogar. Eu não tenho a menor esperança que aconteça uma partida de despedida da Seleção para mim. Conheço bem o país que nasci. E aqui não se valoriza ninguém, não tem memória”, me disse Roberto Carlos.

Então vamos aproveitar e bater palmas merecidas para Ronaldo. Que as palmas valham para ele e para tantos outros que mereceriam… Mas não tiveram a sorte de terem patrocinadores fortes e vitalícios na carreira…

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